Conjuntura no Mercado Trabalho - terceiro trimestre 2015

Publicado: 23/11/2015 Última atualização: 06/10/2026 às 09:44

Reflexo da desaceleração econômica observada em território baiano, os dados analisados pela nova edição do Boletim de Conjuntura do Mercado de Trabalho da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), apontam para a continuidade de esfriamento do mercado de trabalho formal, com retração irremediável para este ano, após longo período de expansão. As projeções realizadas anteriormente pela SEI vêm se confirmando e revelam tendência de fechamento de postos de trabalho para o quarto trimestre de 2015. Além do mais, o desânimo do empresariado local quanto ao futuro, revelado pela Pesquisa de Confiança do Empresariado do Baiano, em níveis ineditamente baixos, robustece a hipótese de prosseguimento do arrefecimento no mercado de trabalho nos próximos períodos.

Conforme Boletim de Conjuntura do Mercado de Trabalho, a despeito de um início promissor em 2014, o mercado de trabalho formal baiano foi desquecendo ao longo desse ano e, em 2015, passou a mostrar um quadro com cortes progressivos de vínculos tutelados pela legislação trabalhista. O saldo médio, móvel de doze meses, de fevereiro de 2014 a setembro deste ano, saiu de 5.370 postos gerados para 5.492 empregos formais eliminados – denunciando intensa redução do número de empregos protegidos. Os meses de julho a setembro, com arrefecimento significativamente maior, acabaram por deprimir, ainda mais, o mercado de trabalho baiano.

Diferentemente do ocorrido em anos anteriores, o mercado de trabalho da Bahia iniciou este ano com queda na ocupação. Todos os trimestres do ano indicaram supressão de postos de trabalho, com perdas crescentes a cada trimestre. No acumulado dos nove meses do ano, 40.471 trabalhadores com carteira assinada foram dispensados no estado. O trimestre de julho a setembro, após eliminação de 18.566 empregos com carteira assinada, assumiu o posto de pior terceiro trimestre, em termos de saldo, dos últimos dez anos no estado, cenário que não deve ser revertido num futuro próximo, conforme aponta o Indicador de Expectativas para Emprego.

O Indicador de Expectativas para Emprego (IEE), da Pesquisa de Confiança do Empresariado Baiano, relacionado aos planos empresariais em contratar, manter ou encerrar contratos, vem atingindo patamares ainda mais pessimistas – registrando, nos últimos quatro meses, seus menores níveis. A mensagem exposta por esse Indicador quanto ao futuro, portanto, continua sendo a de eliminação de postos de trabalho.

Analisando-se o nível esperado de contratação para os 12 meses seguintes, o crescimento do intento, por parte do setor produtivo baiano, em reduzir seu quadro de funcionários no futuro, é patente – o percentual de respostas, por trimestre, com pretensão em desligar funcionários, saltou de 40,5%, no terceiro trimestre do ano anterior, para 71,5%, no terceiro trimestre de 2015. Em paralelo, o fito em admitir ou em manter trabalhadores vem perdendo expressividade.

A projeção da SEI indica que a deterioração do mercado de trabalho baiano permanece em curso, com corte previsto de mais de 40 mil postos de trabalho formais no último trimestre de 2015. Se confirmada tal expectativa, o número de empregos com carteira assinada, na Bahia, no próximo trimestre, ficará num patamar abaixo ao registrado em qualquer quarto trimestre desde 2006. Os setores de Construção Civil, Serviços e Agropecuária tendem a ser os segmentos com mais postos de trabalho fechados.

O prenúncio, portanto, é de agravamento das condições de emprego e renda na Bahia para os próximos meses, com fortes indícios de que o mercado de trabalho formal baiano, em 2015, apresente desempenho muito aquém ao dos últimos anos e, também, enfrente dificuldades em se desvencilhar da rota descendente até mesmo em 2016.

O Boletim de Conjuntura do Mercado de Trabalho ainda traz informações a respeito do cenário econômico recente da Bahia, do desempenho do mercado de trabalho formal por setor e por tipo de movimentação, do comportamento do rendimento médio de admissão e de desligamento, e das estatísticas sobre força de trabalho e rendimentos na Região Metropolitana de Salvador, maior mercado de trabalho urbano, constantes na Pesquisa de Emprego e Desemprego da RMS, dentre outras.

O Boletim pode ser acessado clicando aqui.