Varejo baiano apresenta queda em março

Publicado: 11/05/2016 Última atualização: 06/10/2026 às 09:43

Em março, o comércio varejista baiano registrou queda de 12,3% em relação a igual mês do ano passado. Nesse mês, o ritmo de queda foi intensificado se comparado ao mês imediatamente anterior (-9,5%). A variação apresentada pelo estado seguiu a mesma tendência do varejo nacional que registrou, na mesma base de comparação, a taxa negativa de 5,7%. Na análise sazonal, o comércio varejista na Bahia caiu 1,3%. Esses dados foram apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em âmbito nacional, e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento.

A redução das vendas na Bahia ocorre em um cenário de comprometimento da atividade econômica. As condições financeiras mais rígidas dadas as altas taxas de juros, inflação elevada, restrição ao crédito, associado à retração no mercado de trabalho continuam influenciando o comportamento do setor nos últimos meses.

 

Análise de desempenho do varejo por ramo de atividade - Por atividade, os dados do comércio varejista do estado da Bahia, quando comparados a março de 2015, revelam que todos os oito segmentos que compõem o Indicador do Volume de Vendas registraram comportamento negativo. Listados pelo grau de magnitude das taxas em ordem decrescente, têm-se: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-20,6%); Tecidos, vestuário e calçados (-17,7%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-16,6%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-16,0%); Combustíveis e lubrificantes (-15,7%); Móveis e eletrodomésticos (-14,6%);Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-8,3%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos(-4,7%). No que diz respeito aos subgrupos, verifica-se que o de móveis registrou variação negativa de 14,9%, eletrodomésticos de 14,5%, eHipermercados e supermercados de 4,3%, respectivamente.

Quanto aos segmentos que mais influenciaram o comportamento negativo das vendas na Bahia, têm-se, por ordem decrescente: Combustíveis e lubrificante; Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e Móveis e eletrodomésticos.

 

Em março, a atividade de Combustíveis e lubrificantes exerceu, na Bahia, o maior peso para a queda verificada nas vendas. Esse comportamento continua sendo atribuído ao menor ritmo da atividade econômica, além da elevação dos preços dos combustíveis acima da inflação no acumulado dos últimos 12 meses.

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, segmento de maior peso para o Indicador de Volume de Vendas do Comércio Varejista, foi responsável pela segunda maior influência negativa na formação da taxa do varejo.  A elevação dos preços no grupo de Alimentação no domicílio, somado ao menor poder de compra da população podem justificar esse comportamento, dada a redução da massa real de salário e da elevação na taxa de desemprego.

 

O terceiro a contribuir negativamente para o comportamento das vendas na Bahia foi Móveis e eletrodomésticos. Esse comportamento reflete não somente a queda na renda disponível, a seletividade do crédito, mas também ao aumento das taxas de juros e a queda na confiança do consumidor diante da incerteza econômica. Quando observado o comportamento do segmento nos meses anteriores, constata-se que desde janeiro de 2015, o volume de vendas para a atividade vem sendo negativo.

 

Comportamento do comércio varejista ampliado - O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou, em março, decréscimo nas vendas  de 11,9%, em relação a igual mês do ano anterior. Nos últimos 12 meses, a retração no volume de negócios foi de 11,0%.

O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou variação negativa de 10,3%, em relação a igual mês do ano anterior. Essa queda continua refletindo o crédito mais seletivo por parte das financeiras, além do comprometimento da renda familiar, diante da desaceleração do crescimento real da massa de salários. Em relação ao segmento Material de Construção, também se observa queda nas vendas no mês de março (-12,8%), quando comparado ao mesmo mês do ano de 2015. Esse comportamento também continua sendo justificado pelo menor ritmo da atividade econômica.