Levantamento de safras do IBGE aponta retração de 25,7% na produção de grãos em 2016

Publicado: 22/06/2016 Última atualização: 06/10/2026 às 09:43

O quinto Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), relativo ao mês de maio, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aprofundou a estimativa de encolhimento da safra de grãos na Bahia em 2016, na comparação com 2015. Os resultados apontam queda no volume de produção, que passou a ser estimado em torno de 6,9 milhões de toneladas, com redução de 6,7% na área colhida e de 20,3% no rendimento médio das lavouras. As estimativas para as culturas de feijão, soja, milho e algodão acentuaram a previsão de quebra de produção em virtude das altas temperaturas e escassez de chuvas verificadas nos primeiros meses do ano, atribuídas ao fenômeno climático do El Niño. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan).

O presente levantamento manteve a estimativa de crescimento das lavouras de mandioca (13,0%) e de cana-de-açúcar (4,0%). A previsão para a lavoura do cacau é de ligeiro crescimento da produção (0,4%) nesta safra, chegando a 136 mil toneladas. A Bahia participa com 51,6% do total de amêndoas colhidas no país. Deve-se salientar que essas culturas sofreram fortes perdas em 2015, o que deprimiu a base de comparação.

Os efeitos do estresse hídrico e das altas temperaturas na região oeste do estado sobre desenvolvimento da lavoura do algodão foram determinantes para a queda na safra do grão esta temporada. A queda prevista teve ligeira redução em relação ao levantamento anterior. A produção estimada passou de 857 mil toneladas para 941 mil toneladas, entre o levantamento anterior e o atual, ficando 21,4% abaixo da safra anterior. A previsão de redução das áreas plantada e colhida foi mantida em 11,3%, e o rendimento da lavoura ficou 11,4 % menor em comparação com a safra de 2015.

As projeções do IBGE para a safra do feijão em 2016 mantiveram estimativa de produção total de 326 mil toneladas.  O resultado representa uma queda de 25,1%, em comparação com a safra anterior. As áreas plantada e colhida apresentaram queda de 19,9% e 15,3%, respectivamente. A primeira safra da leguminosa tem sido bastante afetada pela irregularidade das chuvas nas regiões produtoras do estado. A expectativa é de uma produção de 167 mil toneladas, cerca de 30,3% inferior à do ano passado. Para a segunda safra, a previsão também é de queda de 18,7% na produção.

Observou-se um forte revés na produção de soja para a safra 2016, em função das adversidades climáticas. Considerando a alta base de comparação, a estimativa para esta temporada é de queda de 30,3%, atingindo uma produção de 3,1 milhões de toneladas. A conjuntura favorável dos preços e das chuvas em janeiro animou os produtores, porém os meses seguintes foram marcados por altas temperaturas e escassez de chuvas na região oeste, o que comprometeu o desenvolvimento e a qualidade do grão, sobretudo na área de produção não irrigada.

Para o café, foi mantida a previsão de crescimento da produção em 2,9% na safra atual, atingindo o volume total de 224 mil toneladas. A variedade arábica tem previsão de colheita de 134,7 mil toneladas, superando em 4,6% a safra anterior. Por sua vez, espera-se que a variedade canephora mantenha seu nível de produção em torno de 89,2 mil toneladas este ano.

As expectativas para a safra de milho, que vinham sendo positivas nos primeiros levantamentos, foram revertidas para uma queda de 21,8% na produção deste ano, em comparação com a safra anterior. A revisão do número coincide com o início da colheita em algumas regiões do estado e reflete, sobretudo, o impacto da estiagem dos últimos três meses. A primeira safra do cereal foi revisada de uma previsão de crescimento de 13,1%, para um declínio de 18,0%, saindo de 2,4 milhões de toneladas para 1,8 milhões de toneladas. As primeiras projeções para a segunda safra apresentaram, também, variação negativa de 34,7%.

Este ano, a expectativa para a produção de sorgo é de queda da ordem de 36,5%, com forte redução das áreas plantada e colhida (49,5%).