09/01/2013
A Bahia expandiu em 2,3% suas exportações em 2012, alcançando um montante de US$ 11,27 bilhões e batendo seu recorde histórico, mesmo com a queda nos preços médios dos produtos exportados, retração de mercados e aumento das medidas protecionistas, todos efeitos da crise internacional. As importações ficaram praticamente no mesmo patamar de 2011 com crescimento de 0,2%, totalizando US$ 7,76 bilhões. Com esses resultados, o saldo da balança comercial do estado alcançou US$ 3,51 bilhões, 7,2% acima do ano anterior. Os dados foram apurados pela coordenação de Comércio Exterior da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan).
Com o recorde atingido, a Bahia aumentou sua participação nas exportações do Nordeste de 58,5% em 2011 para 60% no ano passado, consolidando sua liderança na região. Em relação ao Brasil, também houve aumento para 4,64% de participação contra 4,28% no ano anterior. Arthur Cruz, coordenador de Comércio exterior da SEI, explica quais os fatores que possibilitaram o resultado: “As intervenções do Banco Central no câmbio, que acabaram levando o dólar a subir aproximadamente 10% em relação ao real, as medidas do governo para melhorar a competitividade da indústria e os preços favoráveis dos grãos no mercado internacional, que não tiveram seus preços afetados pela crise, permitiram ganhos às exportações baianas, mesmo considerando o quadro de estagnação da economia mundial”.
Por conta da crise externa, a queda nos preços médios de exportação da Bahia foi de 1,57%, mas chegou a 37,8% com os produtos metalúrgicos, 17% no café e 7,8% na celulose. Já a queda de 29% das exportações para a Argentina, que aplicou severas restrições ao seu comércio exterior para amenizar as dificuldades na área externa, afetou a venda de automóveis que caiu 11,6% e de petroquímicos que recuou 0,2%.
Quem permaneceu em expansão foram as vendas para a Ásia, que cresceram 4,4% lideradas pela China, que voltou a se posicionar como principal mercado para as exportações estaduais com US$ 1,53 bilhão em compras ou 13,6% das vendas externas da Bahia. Mesmo com queda de 5,1%, os EUA vieram na segunda posição com 12,3% de participação.
Os setores que mais contribuíram para o desempenho positivo das exportações em 2012 foram o de petróleo e derivados, com crescimento de 9%, o de soja e derivados com aumento de 11,6%, algodão com 7,2% e o de metais preciosos com 4,3%.
Acompanhando a tímida evolução da produção industrial, as importações baianas aumentaram apenas 0,2% em 2012, resultado da queda de 5% nas compras de matérias primas, principalmente insumos industriais.
Por conta do câmbio e do comportamento do comércio, cresceram as compras de bens de consumo (28%) como bebidas, alimentos, brinquedos além de automóveis. Já as compras de bens de capital (máquinas e equipamentos) registraram queda de 7%, refletindo a pouca disposição do empresariado em investir num cenário marcado por incertezas sobre o comportamento da economia mundial.