No dia 27 de setembro, o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do ano de 2012. A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) sintetizou os resultados do Estado da Bahia e, a partir desse boletim comparativo do período 2006 e 2012, analisa o desempenho do estado em relação aos principais indicadores disponibilizados pelo IBGE.
ASPECTOS GERAIS DA POPULAÇÃO
A população do estado foi estimada pela PNAD em 14,3 milhões de pessoas em 2012, o que representa um crescimento de aproximadamente 500 mil pessoas em relação à população de 2006 (13,8 milhões). A Região Metropolitana de Salvador concentrou o maior crescimento, passando de 3,4 milhões em 2006 para 3,7 milhões em 2012. O crescimento populacional do estado se deu com maior peso nas áreas urbanas, tendo a proporção de pessoas residentes em áreas urbanas na Bahia passado de 67,4%, em 2006 para 73,9%, em 2012.
A dinâmica demográfica no Brasil e no Estado da Bahia vem apresentando uma diminuição no ritmo de crescimento populacional e também mudanças na sua estrutura etária: o índice de envelhecimento aumentou de 23,9 para 34,2 entre 2006 e 2012, com a população de 65 anos ou mais passando de 900 mil para 1,2 milhões, enquanto a população de 0 a 14 anos diminui de 3,9 milhões para 3,5 milhões de pessoas.
ANÁLISE DE DOMICÍLIOS
Esgotamento SanitárioO percentual de domicílios que não tinha qualquer tipo de esgotamento sanitário na Bahia diminui de 13,1%, em 2006, para 5,6% em 2012, com destaque para o decréscimo na zona rural, cujos domicílios sem esgotamento diminuem de 35,8% para 18,4%. Não obstante, houve aumento do percentual de domicílios com fossa séptica (de 11,5% para 12,8%) e com rede coletora (de 40,5% para 49,9%, entre 2006 e 2012). Na zona rural, há destaque também do uso de fossa séptica como tipo de esgotamento, que passa de 5,3% em 2006 para 16,3% em 2012.
Na RMS, os indicadores apontam melhora do esgotamento sanitário urbano, com redução do percentual de domicílios que não possuíam esgotamento (de 2,2%, em 2006, para 0,8%, em 2012), mostrando avanços no sentido de promover a universalidade do serviço nesta área geográfica. Abastecimento de águaSegundo a PNAD, na Bahia houve aumento do percentual de domicílios com abastecimento de água feito através de rede geral, saindo de 76,9%, em 2006, para 82,8%, em 2012. Aumentaram também os domicílios que eram abastecidos por rede geral e possuíam canalização interna, que passaram de 71% para 80,2%. Esta melhora no indicador estadual de abastecimento de água é constatada tanto no meio rural quanto no urbano, porém, mais uma vez o destaque se deu na zona rural, cujos domicílios com canalização interna aumentaram de 41,5% para 65,8%.
Destino do LixoEntre 2006 e 2012, o percentual total de domicílios que tiveram o seu lixo coletado diretamente aumentou na Bahia de 55,6% para 65,3%, e na RMS de 47,4% para 57,6%. O percentual de domicílios cujo lixo era queimado, jogado em terreno baldio, jogado em logradouro, rio ou mar diminuiu de 27,6% para 21,2% na Bahia, e na RMS de 3,3% para 2,5%.
Energia ElétricaEntre 2006 e 2012, houve aumento do percentual de domicílios com acesso à energia elétrica no estado da Bahia, passando de 92,8% em 2006 para 98,6% em 2012. Tal acréscimo é puxado pelo aumento da eletrificação nos domicílios em situação rural, onde havia um percentual de domicílios sem eletricidade significativamente maior do que no meio urbano. Entre 2006 e 2012, a proporção de domicílios rurais com acesso a energia elétrica passou de 77,7% para 94,9%.
Bens duráveisEntre 2006 e 2012 aumenta consideravelmente a proporção de domicílios que possuem geladeira na Bahia, passando de 70,3% para 90,3%. O maior destaque se dá na zona rural, cujo indicador passa de 42,3% para 77,8%. Cresce também a proporção de domicílios com máquina de lavar (de 11,5% para 25,5%) e televisão (84,5% para 94,4%).
Segundo Armando Castro, diretor de pesquisas da SEI, o aumento da posse de bens duráveis no estado da Bahia é efeito de algumas medidas governamentais: “a grande ampliação da luz elétrica nas zonas rurais do estado, proporcionada pelo Governo federal, associada ao crescimento da renda das famílias baianas, e ainda com os incentivos fiscais ao consumo de produtos industrializados, ampliou sobremaneira o acesso a geladeiras e televisores pelas famílias do interior baiano nos últimos anos”.
Microcomputadores e telefone- Microcomputadores:
Entre 2006 e 2012, houve um significativo aumento do percentual de domicílios com microcomputadores, acompanhado pelo aumento do numero de domicílios com acesso à internet. No Brasil, o percentual de domicílios com microcomputadores passou de 22%, em 2006 para 46,4%, em 2012. Do total de domicílios que possuíam microcomputadores, aqueles que tinham acesso à internet, passaram de 16,7%, em 2006, para 53,6%, em 2012. No Nordeste, assim como na Bahia e RMS, a mesma tendência de aumento do percentual de domicílios com microcomputadores e acesso à internet é observada. Na Bahia, em 2006, o percentual de domicílios com microcomputador era de 10,5%, em 2012, este percentual subiu para 31,6%. Quando considerados os domicílios com computadores, houve também um aumento do acesso à internet, de 7,5%, em 2006, para 27,7%, em 2012.
- Telefonia:
Comparando os dados registrados entre 2006 e 2012, na Bahia, observa-se um aumento do percentual de domicílios que possuem apenas telefone celular, saindo de 21,6%, em 2006, para 76,4%, em 2012. Este comportamento contrasta com a redução do percentual de domicílios que possuem apenas telefone fixo, que era de 8,3% em 2006, e passou a ser de 1,9%, em 2012. Já o percentual de domicílios que possuem ambos, telefone fixo e celular, subiu de 20,2%, em 2006, para 26,6%, em 2012.
EDUCAÇÃO
No Estado da Bahia, em 2006, 18,6% das pessoas de 15 anos ou mais eram analfabetas, percentual que decresceu para 15,9% em 2012. O analfabetismo esta concentrado nas idades mais avançadas: para as pessoas de 15 a 24 anos, a taxa é de 1,8%; já para a faixa etária de 25 a 39, o analfabetismo atinge 7,7%; entre as pessoas de 40 anos ou mais, 25% são analfabetas no estado da Bahia.
A análise das informações dos anos de estudo da população aponta um crescimento deste indicador entre 2006 e 2012. Em 2006, 64,7% da população tinha até 7 anos de estudos, diminuindo essa proporção para 56% em 2012. Já a proporção de pessoas que possuem entre 8 e 10 anos de estudo, passa de 13,7 para 14,6%. Pessoas com 11 a 14 anos de estudo passam de 18,7% para 24,7%, e com 15 anos ou mais de 2,6% para 4,5%.
MERCADO DE TRABALHO
População em idade ativa, Economicamente ativa e inativa. Bahia, 2006 e 2012|
Bahia |
2006 |
2012 |
Variação 2006 - 2012 | |
| População total |
13.802 |
14.295 |
3,6 |
|
| População em Idade Ativa |
11.298 |
12.120 |
7,3 |
|
| População Economicamente Ativa |
7.005 |
7.080 |
1,1 |
|
| Ocupados |
6.361 |
6.452 |
1,4 |
|
| Desocupados |
644 |
628 |
-2,4 |
|
| População Economicamente Inativa |
4.293 |
5.040 |
17,4 |
|
| Taxa de Participação (%) |
62,0 |
58,4 |
-5,8 |
|
| Taxa de Desemprego (%) |
9,2 |
8,9 |
-3,5 |
|
| Fonte: IBGE – PNAD. |
Enquanto a população inativa do Estado passa de 4,3 milhões para 5 milhões entre 2006 e 2012, um crescimento de 17,4%, a população economicamente ativa na Bahia cresce apenas 1,1%. A redução da PEA se deu com a desocupação diminuindo em 2,4% e o número de ocupados aumentando em 1,4%, o que resultou numa redução da taxa de desemprego de 9,2% para 8,9%.
De acordo com a PNAD, o número das pessoas ocupadas por faixa de rendimento médio mensal na faixa de até ½ salário mínimo, no Brasil diminuiu 12%, ao passo que o número de pessoas que recebem entre 3 e 5 salários mínimos aumentou 48% entre 2006 e 2012. A Bahia também segue a mesma tendência nacional de aumento do número de pessoas ocupadas recebendo entre 3 e 5 salários mínimos, crescendo 49% no período, em detrimento de faixas de rendimento inferiores.