A atividade econômica baiana registrou expansão de 0,9% no quarto trimestre de 2013, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo cálculos realizados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan). Na comparação com o terceiro trimestre do mesmo ano, houve estabilidade (0,0%), levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. No acumulado do ano, a economia baiana expandiu 3,0% e o imposto registrou alta de 6,7%.
Foram fundamentais para a expansão de 0,9% do quarto trimestre o setor de serviços e o industrial, com alta de 1,0% e 1,5%, respectivamente, devido ao peso dos dois setores na composição do PIB estadual. No setor de serviços, o comércio cresceu 3,0%, transportes 3,3% e alojamento e alimentação 2,9%.
Os destaques na indústria foram: eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (8,3%), favorecido principalmente pelo consumo industrial de energia elétrica; e a recuperação da construção civil (0,9%) a qual esteve associada ao início de diversas obras públicas em todo o estado da Bahia. Em contrapartida, cabe mencionar a retração da indústria de transformação (-2,0%), fato corroborado pela paralisação da atividade no final do ano e a base de comparação ser bem elevada (12,8%).
Em relação ao PIB trimestral nacional, segundo o IBGE, foi registrada expansão de 1,9% no quarto trimestre. No ajuste sazonal, a taxa é de 0,7%. Contribuiu para tal resultado a expansão de 1,7% do Valor Adicionado a preços básicos e o incremento de 3,1% no Imposto sobre Produtos Líquidos de Subsídios.
Indústria de transformação é destaque no ano
A alta de 3,0% na atividade econômica da Bahia em 2013 foi determinada por dois setores. A indústria cresceu 4,2%, devido ao bom desempenho da indústria de transformação (5,8%) e da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (4,7%). O outro setor é serviços, com crescimento de 2,5%. Essa alta está atrelada ao crescimento de 3,6% do comércio e de 5,2% dos transportes. Em sentido oposto, apresenta-se o setor da agropecuária, com retração de 3,9% em 2013.
“Apesar dos impactos da seca nos resultados da agropecuária e da redução no ritmo de crescimento no setor de serviços, o bom resultado da indústria baiana colaborou para o PIB de 2013 ter sido superior ao projetado inicialmente pela SEI”, informa o diretor do órgão, Geraldo Reis. “Observa-se também que já são três anos consecutivos em que a economia baiana apresenta crescimento acima da média nacional. Em 2011, o Brasil expandiu 2,7% e a Bahia 4,1%; em 2012, os números foram, respectivamente, 0,9% para o Brasil e 3,1% para a Bahia. Em 2013, taxa foi de 2,3% para o PIB nacional, enquanto o estado apresenta incremento de 3,0%”, diz.
Segundo o diretor da SEI, a tendência de uma maior taxa em âmbito estadual é confirmada pelo Índice de Atividade do Banco Central (IBC), que aponta incremento de 2,5% para o Brasil e de 4,5% para a Bahia – à frente de estados como Pernambuco (1,8%), Ceará (3,7%) e Santa Catarina (4,1%), além da região Nordeste (3,7%).
“Outro aspecto que merece registro é que está se consolidando uma tendência de maior dinamismo do mercado de trabalho no interior do estado em relação à Região Metropolitana de Salvador (RMS). Em 2011, a participação do interior na criação de novas vagas no estado foi de 50,4%, passando a 62,8% em 2012 e a 65,7% em 2013, o que aponta para uma desconcentração espacial da nossa economia e a interiorização do desenvolvimento”, diz Reis. “Está um curso no estado uma substancial transformação da base produtiva”.
Apesar da atividade econômica nacional ainda morna, a SEI projeta para 2014 um crescimento de 3,0% para o PIB da Bahia.
ANÁLISE SETORIAL - Bahia
AGRICULTURA
A queda no setor agropecuário foi determinada pelo fraco desempenho das principais culturas do estado (soja e algodão) ambas afetadas pela praga Helicoverpa Armigera. De acordo com o último Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE) de 2013, a safra de baiana de grãos foi estimada em 6,1 milhões de toneladas, recuando 6,0% em relação à safra do ano anterior. Pode-se creditar essa perda na produção física dos grãos à retração de 26,4% do algodão e de 13,9% da soja. No caso do algodão, esta inclinação está associada à diminuição de 31,7% em sua área plantada e de 25,7% na área colhida, com consequente perda de 0,9% no rendimento.
Ainda segundo a estimativa feita pelo IBGE, além do algodão e da soja, outras culturas também apresentaram queda. Entre elas, o cacau, que aponta uma suave tendência de retração de 0,8% em sua produção física para o ano de 2013, entretanto bons preços e certo aquecimento no mercado internacional abrem boas perspectivas aos produtores para 2014; e a cana-de-açúcar que até o penúltimo levantamento feito pela pesquisa apontava alta, porém só as boas condições climáticas não foram suficientes para evitar a queda em relação ao ano anterior, assim a cultura encerrou o ano com retração de 2,0%. A esperança é que tudo isso venha a ser amenizado com o retorno das chuvas em boa parte das regiões.
Os destaques positivos ficaram por conta da mandioca que, no ajustado do ano, saiu de uma queda de -39,7% para -15,8% e para o crescimento bastante significativo de 133,2% do feijão.
Além das culturas citadas acima, o milho com alta de 12,3% em sua safra de inverno amenizou a queda na safra de grãos. A safra de café finalizou o ano com incremento de produção em relação a novembro, encerrando 2013 com 13,5% de expansão. Contribuíram para tal feito o melhor rendimento e o bom clima no desenvolvimento da cultura. Mesmo com o crescimento observado na atividade, os agricultores ainda sofrem com o mercado em relação aos baixos preços praticados, concorrência internacional e o arrefecimento da demanda.
INDÚSTRIA
O crescimento da indústria de transformação (5,8%) em 2013, foi o grande destaque dentro do setor industrial, visto que, conforme os cálculos da SEI a atividade da construção civil fechou o ano com retração de 1,0%, assim como a extrativa mineral (0,4%).
Com relação ao desempenho da indústria de transformação, os resultados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgados pelo IBGE, apontaram queda de 1,9% da indústria no quarto trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e expansão de 3,7% no acumulado do ano. Ainda de acordo com a pesquisa, no acumulado do ano, de um total de oito segmentos da indústria de transformação baiana, seis tiveram acréscimos. As principais contribuições positivas foram registradas por metalurgia básica (21,9%); veículos (19,5%); e refino de petróleo e produção de álcool (13,2%), ainda em função do aumento na fabricação de óleo diesel e outros óleos combustíveis e gasolina. Destacou-se também o crescimento de borracha e plástico (4,9%) e celulose e papel (1,3%).
O principal impacto negativo foi registrado por alimentos e bebidas (-8,1%), em razão da queda na produção de refrigerantes e tortas, bagaços e farelos de soja. Outra contribuição negativa veio de produtos químicos (-0,4%).
SERVIÇOS
Com base nos indicadores de desempenho do comércio varejista segundo grupos de atividade, divulgados recentemente pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, o volume das vendas no segmento cresceu 2,7%.
Essa pequena expansão registrada no comércio varejista está atrelada em parte à queda no setor de combustíveis e lubrificantes (8,4%); à retração no segmento equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-15,3%); e ao encolhimento de 1,8% na atividade de veículos, motos, partes e peças.
Os destaques ficam por conta dos segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico (18,8%), devido ao aumento na massa de rendimentos e às facilidades de crédito (este segmento engloba as lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc.); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com expansão de 15,0%; livros, jornais, revistas e papelaria (16,1%); e móveis e eletrodomésticos, com alta de 10,0%, devido à política de incentivo ao consumo com manutenção das alíquotas de IPI.
Já a Administração Pública, mais importante setor do PIB, apesar de ter registrado queda de 0,8% no quarto trimestre fechou 2013 com expansão 1,6%. Essa expansão só não foi maior devido às necessidades de adequação das despesas governamentais, o que demandou um determinado nível de contingenciamento, influenciando diretamente no desempenho da atividade no PIB.

