13/12/2012
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) divulga o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios baianos para o ano de 2010, como resultado do trabalho realizado em parceria com o IBGE e os diversos Órgãos de Estatística e Planejamento do País, permitindo também a comparabilidade do PIB dos municípios baianos com o dos demais Estados. Analisando-se o conjunto dos municípios baianos em 2010, observa-se que a atividade produtiva dos 417 municípios está centrada, basicamente, no setor de Serviços, que responde por 63,0% de toda a economia do estado. A indústria, setor de grande relevância do ponto de vista da geração de empregos e de encadeamentos, responde por 30,0%, sendo seguida pela agropecuária, responsável por 7,0% de toda a riqueza produzida no estado.
O crescimento da economia baiana em 2010 evidenciou, no âmbito da esfera municipal, a continuidade do processo de desconcentração produtiva verificado nos últimos anos. Essa desconcentração é visualizada na perda de participação na estrutura econômica de alguns dos principais municípios – Salvador e Camaçari – assim como do território de identidade da Região Metropolitana em detrimento de outras unidades municipais e territórios de identidade.
Apesar do processo de desconcentração da atividade econômica, observando-se as cinco maiores economias municipais, evidencia-se ainda uma concentração espacial da atividade econômica no Estado. Ainda assim, no grupo das cinco maiores também ouve queda de participação, passando de 48,2% em 2009 para 46,4% em 2010. O município de Salvador, pelas suas características de capital do estado e principal pólo de serviços, é o que apresenta o maior Valor Agregado (VA), sendo responsável, em 2010, por 23,81% do PIB estadual. Em seguida estão os municípios de Camaçari com 8,67% – com sua economia baseada na indústria de transformação, em especial nos segmentos químico e automotivo; São Francisco do Conde com 6,38% – com forte concentração no segmento do refino de petróleo; Feira de Santana com 4,82% – pelas suas características de importante entreposto comercial e entroncamento das principais rodovias federais e estaduais que cortam o estado, também abriga atividades industriais chamando atenção principalmente para o Distrito Industrial de Subaé; e por fim, Candeias 2,72% - com destaque na produção de petróleo e gás natural. Os cinco municípios citados respondem por 46,40 % do PIB baiano.
SALVADOR LIDERA EM SERVIÇOS - Em 2010, Salvador se manteve como o principal município na geração de valor, com participação de 29,77%. Apesar da manutenção de participação, observou-se que em 2010 houve queda de participação proveniente, principalmente, pela retração no setor transportes e alojamento e alimentação. Em segundo lugar aparece Feira de Santana, com 5,36% – onde se destaca a atividade comercial e a produção de serviços de apoio à atividade industrial. Os municípios de São Francisco do Conde (3,85%), com queda nos setor de alojamento e alimentação e Camaçari (3,83%), com queda originada pela petroquímica, que repercutiu nas atividades de transporte. O município de Vitória da Conquista com 2,79%, situa-se nas primeiras posições do ranking devido à dinâmica das atividades comerciais, assim como pela prestação de serviços às famílias e às empresas e serviços educacionais e de saúde.
DESTAQUE PARA O OESTE NA AGROPECUÁRIA - O setor Agropecuário tem na região Oeste os seus representantes de maior expressão. Apesar de os municípios do Oeste do estado não terem sofrido alteração no ranking de 2009 para 2010, observa-se uma perda na participação desses municípios em 2010. Nas cidades com a atividade econômica baseada principalmente no cultivo da soja e algodão, essas comodities sofreram fatores negativos do mercado, apresentando uma baixa cotação no preço no ano de 2010. Dentre os cinco principais municípios agrícolas do estado, quatro situam-se na região oeste, Juazeiro é o único fora dessa região. Em 2010, o município de São Desidério manteve a primeira posição no ranking estadual da agropecuária, com participação de 5,71%; além disso, em termos nacionais, o município possui o segundo maior valor adicionado na agricultura. Em seguida, aparecem os municípios de Barreiras com 3,36% de participação no VA, Formosa do Rio Preto, com 2,95% e Luiz Eduardo Magalhães, com 2,27%. Esses municípios se destacam na produção de soja, algodão, milho, café e na agroindústria. Finalmente, completando a lista, aparece o município de Juazeiro, fora do eixo Oeste e que em 2010 apresenta uma pequena perda de participação proporcionada pelo fator preço, com participação de 2,38% no VA total, sendo detentor de grande pólo de fruticultura, um dos principais setores de sua economia.
INDÚSTRIA - Segundo de maior peso na economia do estado, o setor industrial também é o de maior grau de concentração econômica. Em 2010, as atividades que mais apresentaram destaque foram: refino de petróleo e produção de álcool, produção de alimentos e bebidas e metalurgia básica, também o segmento da construção civil que mesmo com desaceleração apresentou destaque nos municípios. Com a contribuição de apenas cinco municípios, sendo a sua maioria pertencente à Região Metropolitana de Salvador (RMS), o Valor Agregado por esses alcança mais da metade da riqueza gerada pelo total do setor na Bahia. A perda de participação apresentada em Camaçari, maior representante do segmento de transformação, foi ocasionada pela queda de valor na indústria química e petroquímica; contudo, o município permanece em primeiro lugar no ranking da indústria. Camaçari, com participação de 20,02%, onde estão instalados o Pólo Petroquímico e a Industria Automotiva. São Francisco do Conde, com 13,91%, tem instalada a Refinaria Landulfo Alves (RLAM), a segunda maior do País, onde é realizado principalmente o refino de petróleo, que foi responsável pelo aumento na sua participação. O município de Salvador, com 12,84% assume importância nos segmentos da Indústria da Construção Civil e o de Serviços Industriais de Utilidade Pública – principalmente água e energia. Feira de Santana com 4,28%, e por último Paulo Afonso, com 3,66%, tem sua economia industrial fortemente influenciada pela presença de quatro usinas da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF).
MAIOR PIB PER CAPITA DO BRASIL - Entre os cincos primeiros colocados, o município de São Francisco do Conde destaca-se, na primeira posição entre todos os municípios brasileiros, com renda per capita de R$ 296.885. Na sequência dos maiores PIB’s per capita aparecem os municípios de: Camaçari (R$ 55,06 mil), Candeias (R$50,6 mil), Cairú, que apresenta um aumento significativo nesse indicador com (R$ 44,9 mil) e Luis Eduardo Magalhães (R$ 34,9, mil)