O cenário econômico internacional e seus reflexos na conjuntura brasileira foi o tema do painel capitaneado pelo economista-chefe e sócio do banco Itaú, Ilan Gondfajn. Ele foi o primeiro palestrante, na manhã de hoje (5), do 55° Fórum de Secretários do Planejamento, que acontece até amanhã no Hotel Sheraton.
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Fórum Nacional reúne em Salvador secretários estaduais do Planejamento | Ilan Gondfajn[/caption]
Gondfajn destacou que há aspectos positivos a serem observados. No plano internacional, a boa notícia é que as economias mais avançadas estão se recuperando. Os Estados Unidos, por exemplo, voltou a crescer e a taxa de desemprego vem retraindo. Hoje, o desemprego atinge 7,5%, tendo alcançado 10% em 2009. Mas foi anunciado que, quando chegar a 6,5%, os juros voltarão a crescer, observou Gondfajn.
Ainda no cenário positivo, a Europa vem superando a forte recessão. E a China, que atingiu crescimento de 10% a 12%, agora alcança uma estabilidade em 7,5%. Em contrapartida, aponta o economista, essa conjuntura internacional tem reflexos negativos no Brasil, com o aumento das taxas de juros, retorno da inflação e repercussão no câmbio.
O secretário do Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, questionou o palestrante sobre sua opinião a respeito do reflexo desse cenário nas economias regionais. Estas, inclusive, vem apresentando resultados melhores que a média nacional e os resultados das regiões Sul e Sudeste.
Na opinião de Gondfajn, a tendência tem que ser avaliada individualmente por cada Estado e região para detectar como serão afetados pelo novo cenário. Ele também pontuou que vê de forma positiva o aumento do crescimento em detrimento do estímulo ao consumo. “Isso é benéfico no novo ambiente, pois quanto mais depender do consumo, pior”, opinou o economista do Itaú. Por fim, em relação ao cambio, Gondfajn declarou que este vai favorecer as exportações e também a indústria que compete com os produtos importados, que ficarão mais caros. Haverá, naturalmente, com o tempo, uma substituição, com mais consumo da indústria local e menos de importados, finalizou.