Ponte impulsionará desenvolvimento do Recôncavo

04/10/2013
A criação de um novo eixo viário ligando Salvador ao Recôncavo Sul vai fomentar a reconfiguração urbana e o desenvolvimento regional em uma área que abrange 4,4 milhões de habitantes, afetando diretamente 800 mil pessoas. Os reflexos desse investimento, que inclui a Ponte Salvador- Ilha de Itaparica, foi apresentado pelo secretário do Planejamento, José Sergio Gabrielli, na manhã de hoje (3), no seminário “Um Novo Olhar para o Recôncavo Baiano”, realizado na Câmara Municipal de Cruz das Almas (157 quilômetros de Salvador). Também participaram do evento o secretário da Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio, o deputado federal Luiz Alberto (PT), o prefeito de Cruz das Almas, Raimundo Jean, além de vereadores e representantes de entidades locais. [caption id="attachment_5380" align="alignright" width="300"]Ponte Salvador – Ilha de Itaparica impulsionará desenvolvimento do Recôncavo Ponte Salvador – Ilha de Itaparica impulsionará desenvolvimento do Recôncavo[/caption] Ao fazer uma retrospectiva histórica do desenvolvimento econômico e social da Bahia, com ênfase no Recôncavo, o secretário José Sergio Gabrielli lembrou o período de estagnação ocorrido entre 1920 e 1950. Na década de 1950, entretanto, três fatores modificaram o cenário econômico-social. O primeiro deles foi a instalação da usina de Paulo Afonso, no Rio São Francisco, tornando produtora de energia uma região que apenas fornecia produtos agrícolas. Um segundo fenômeno, pontuou o secretário, foi a construção da rodovia Rio – Bahia, a qual altera a forma de troca de produtos entre os dois estados brasileiros. Neste mesmo período, acrescenta Gabrielli, houve uma seca dramática, que gerou forte migração para São Paulo, esvaziando, assim, a região, e reduzindo a produção econômica. Um terceiro acontecimento foi a construção da refinaria Landulpho Alves. “Foi um golpe mortal para a economia do Recôncavo. Desde então, ao longo de 60 anos, os grandes investimentos têm sido ao Norte e Nordeste da Baía de Todos-os-Santos, esvaziando o Recôncavo”, avaliou o secretário, recordando ainda que a construção da estrada Bahia-Feira de Santana sacrificou o transporte feito através de saveiros. Este cenário de estagnação, contudo, passou a sofrer mudanças na última década. Entre as causas dessa alteração, Gabrielli enumera a instalação da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e a injeção de renda, por meio de programas como o Bolsa Família, Aposentadoria Rural e aumento do valor do salário mínimo, fomentando a movimentação econômica. “Há uma nova economia no Recôncavo, baseada na melhoria das condições de vida e renda, mas ela não é suficiente se não houver grandes investimentos”, decreta o secretário. Entre os novos investimentos, estão o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, com 138 leitos, sendo 20 de UTI, e que recebeu R$ 6,4 milhões em equipamentos e R$ 500 mil para a ampliação da Unidade de Queimados. Há, ainda, o Estaleiro do Paraguaçu, que quando concluído deve empregar cinco mil pessoas. O impacto do polo naval inclui a qualificação de mão-de-obra, expansão e qualificação do ensino técnico e demanda de profissionais de nível superior. Porém, observa Gabrielli, é necessário começar a pensar as mudanças estruturais a partir da construção da Ponte Salvador- Ilha de Itaparica, que terão dimensão equiparável à da construção da rodovia Bahia-Feira (BR-324). O tempo de viagem para a capital foi citado pelo secretário como um dos aspectos que devem alterar a forma de transporte de cargas e pessoas. “Tudo isso torna importante esses debates, para que possamos antecipar possíveis problemas e as suas soluções”, finalizou Gabrielli, que assistiu a apresentações da cultura popular do Recôncavo. COMUNIDADES TRADICIONAIS - O secretário da Sepromi, Elias Sampaio, destacou que um novo olhar sobre o Recôncavo deve considerar as tradições locais, uma vez que a região tem 416 terreiros de candomblé mapeados, mais de uma dezena de comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Palmares, além de um grande número de pescadores e marisqueiras artesanais. “Esse novo olhar impõe que a comunidade tradicional tem que ser um dos eixos no modelo de desenvolvimento. Precisamos discutir qual o significado desses investimentos para as comunidades tradicionais”, posicionou-se Sampaio, pontuando que os principais investimentos de impacto para a região são a Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, o Estaleiro do Paraguaçu e a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). O deputado Luiz Alberto destacou o impacto que terá a instalação da indústria naval, que ele equipara ao do Polo Petroquímico de Camaçari. Esse investimento, destacou, gera emprego e permite que os moradores se fixem na região, situação que também foi favorecida pela criação da UFRB. Luiz Alberto acrescentou ainda a importância de aliar o crescimento econômico à inclusão social. “O desenvolvimento promovido pelos governos federal e estadual deve levar em consideração também o aspecto cultural, pois essa região tem características específicas, devido a sua origem de matriz africana, que precisa ser fomentada e protegida”, disse o deputado.