Hoje (17), pesquisadores, profissionais e estudantes da área econômica participam do III Fórum Baiano de Economia Aplicada, durante todo o dia, no auditório da Assembléia Legislativa da Bahia (CAB), com palestra de abertura proferida pelo economista Lucas Ferraz, “chair” da Organização Mundial de Comércio (OMC). Realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan), em parceria com o Grupo de Pesquisa em Economia Aplicada do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal da Bahia (PPGE-UFBA), o evento tem como objetivo discutir metodologias e técnicas relacionadas à Economia Aplicada, com interesse especial em políticas públicas. Uma característica do fórum é a interação dos pesquisadores baianos com profissionais de outros centros de pesquisa do Brasil, a exemplo do IPEA, Banco Central, USP, Unicamp e CEDEPLAR.
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III Fórum Baiano de Economia Aplicada[/caption]
Esta edição ganha importância em função das temáticas discutidas: política internacional, finanças e política monetária, transportes e mobilidade urbana, recursos naturais e desenvolvimento, com destaque para análise da economia mineral como vetor para o desenvolvimento municipal. Vale destacar dois painéis apresentados: sobre o índice de previsão da indústria baiana e sobre a economia do futebol.
Na abertura do encontro, o secretário do Planejamento do Estado, José Sergio Gabrielli, falou da importância de que o processo de desenvolvimento científico e teórico equilibre duas dimensões distintas: “a preocupação com o método em si e a preocupação com os resultados que a aplicação destes métodos pode nos oferecer”. Segundo o secretário, que é economista, professor e já foi diretor da Faculdade de Economia da UFBA, “os métodos de interpretação da realidade são importantes, mas este seminário tem como mérito olhar as grandes questões da economia e ao mesmo tempo aplicar métodos para a solução destas questões”.
Na oportunidade, Gabrielli convidou o público acadêmico presente para participar do edital, aberto pela FAPESB, de apoio a projetos de pesquisa sobre os possíveis impactos ambientais, urbanísticos, paisagísticos, sociais e econômicos a serem gerados pelo projeto da ponte Salvador – Ilha de Itaparica, particularmente nos Territórios de Identidade do Recôncavo Baiano, Baixo Sul e Região Metropolitana de Salvador. O secretário também anunciou que irá lançar outro edital para consultoria de temas prospectivos para a economia baiana.
Também presente, o diretor geral da SEI, Geraldo Reis, sinalizou em sua fala que o evento se assemelha à função da SEI, “não aborda a atividade reflexiva estritamente acadêmica, daí a importância que vem ganhando, pois o negócio aqui é a economia aplicada”. “Está havendo um esforço muito grande de interiorização e diversificação da base produtiva do estado, e a parceria entre Sei, Seplan e Ufba é muito importante para analisar e compreender esse momento”, completou.
Também estiveram na mesa de abertura do III Forum o atual diretor da Faculdade de Economia da UFBA, Paulo Balanco, e os professores André Luiz Mota, membro do Grupo de Pesquisa em Economia Aplicada da UFBA, e Henrique Tomé, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFBA.
SEI lança revista temática sobre economia aplicada
Durante a cerimônia de abertura do III Fórum Baiano de Economia Aplicada, a SEI lançou a revista Bahia Análise & Dados - Economia Aplicada à Análise e Avaliação de Políticas Públicas, publicação que tem por objetivo estimular a aplicação das recentes metodologias e técnicas de modelagem para a solução quantitativa de problemas socioeconômicos relacionados à análise e avaliação de políticas públicas na Bahia. Não somente um conjunto de resultados científicos, a edição, elaborada a partir do conteúdo apresentado no II Fórum, se presta a reunir proposições para a tomada de decisões no setor público.
Entre os temas apresentados na Bahia Análise & Dados - Economia Aplicada, encontram-se “Efeitos da expansão do Programa Bolsa Família sobre a economia baiana”, “Mensuração dos efeitos de mudanças climáticas na Bahia”, “Crime e desorganização familiar no estado da Bahia”, “O efeito da educação sobre o status de saúde e a ocorrência de doenças crônicas na população do estado da Bahia”, “Tamanho das turmas e desempenho em matemática no quinto ano do ensino
fundamental das escolas de Salvador: tamanho importa?”, “Nível e evolução da desigualdade de renda na Bahia: uma avaliação do papel da educação e dos programas sociais”, “Mais escolaridade e menos crime? Evidência do impacto da externalidade da educação nos municípios baianos”, entre outros artigos.
Comércio internacional em pauta
Na palestra de abertura, o especialista em Comércio Internacional Lucas Pedreira do Couto Ferraz (FGV/SP), “chair” da OMC (Organização Mundial do Comércio) e membro permanente da BRICS-TERN (rede internacional de pesquisa sobre as economias dos BRICS), falou sobre “As perspectivas para a indústria brasileira na era das cadeias globais de valor, dos mega acordos regionais de comércio e das barreiras não tarifárias”. Ferraz apontou alguns obstáculos que o Brasil deve superar para se inserir mais fortemente nas cadeias globais, dentre eles a máxima de que “país que importa pouco, exporta pouco”. Ferraz citou a China, “país que mais tem se beneficiado dessa lógica de integração das cadeias globais”. Segundo ele, a China agrega alto percentual de produtos importados a sua exportação, o que dá mais competitividade aos produtos. Ele citou também como desafios a infraestrutura disponível no país e o alto custo para a produção e logística quando comparado a outros países.
Os trabalhos do III Fórum Baiano de Economia Aplicada estarão disponíveis para consulta no endereço www.forumbaiano.sei.ba.gov.br.
