Desenvolvimento da energia solar na Bahia é debatida em evento

28/05/2014
O Brasil tem hoje 108 usinas de produção de energia solar fotovoltaica, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Cinco delas estão instaladas na Bahia, incluindo na relação o Estádio de Pituaçu, primeiro da América Latina a utilizar o sistema, inaugurado em abril de 2012. Para aprofundar as discussões sobre o tema foi realizado nesta quarta-feira (28), no auditório da Secretaria do Planejamento da Bahia (Seplan), o “Encontro de Energia Solar Fotovoltáica da Bahia”, que foi aberto pelos secretários do Planejamento, José Sergio Gabrielli, e da Indústria, Comércio e Mineração, James Correa. [caption id="attachment_6360" align="alignright" width="300"]1º Encontro de Energia Solar Fotovoltáica da Bahia 1º Encontro de Energia Solar Fotovoltáica da Bahia[/caption] Os dois secretários destacaram o desenvolvimento da energia eólica na Bahia e o potencial de crescimento da sua importância econômica. Gabrielli, contudo, destacou que a produção de energia ganha mais eficiência com a complementariedade da energia solar. “A energia solar fotovoltaica está na infância do seu desenvolvimento. Precisamos pensar na cadeia produtiva, no desenvolvimento de tecnologias para a produção, por exemplo, de placas fotovoltaicas, e de formas de armazenamento de energia”, disse. O secretário James Correa, por sua vez, ressaltou a necessidade de criar mecanismos para que o preço da energia solar se torne mais competitivo, bem como a solução para gargalos como as linhas de transmissão. Para Gabrielli, o papel do governo do estado, através das Secretarias do Planejamento e da Indústria, Comércio e Mineração, é de catalizador das políticas estaduais de estímulo ao desenvolvimento e estruturação do setor, assim como de ter uma visão mais sistêmica e integrada, agregando universidades, centros de pesquisa, empresas e pesquisadores. A boa notícia é que está previsto para entrar em operação, no início de 2016, em Caetité (BA), um complexo híbrido de geração de energia eólica e solar, cuja construção começa no fim deste ano, pela Renova Energia, braço de investimentos em energias renováveis da Cemig e Light. O primeiro empreendimento do tipo no país terá um investimento de R$ 130 milhões e capacidade instalada de 26,4 megawatts (MW), sendo 21,6 MW de eólicas e 4,8 MWpico (unidade que mede a potência da energia solar) de energia solar. POTENCIAL - O ciclo de palestras foi aberto por Rafael Valverde, da SICM, que falou sobre “O Cenário Energético e as Oportunidade para a Energia Solar”, no qual ele traçou um panorama mundial de utilização desse manancial energético. “Está havendo um crescimento exponencial do seu uso”, enfatizou, mostrando que no topo da lista está a Alemanha, onde já chega a um milhão de residências com ligações de energia solar. Na sequência vem Itália, Estados Unidos, China e Japão. Valverde observou que entre dois anos e meio e três anos já é possível ter de volta o retorno do investimento na implantação de um sistema solar de aquecimento de água residencial. Porém, lamentou, apesar de já haver a Resolução nº 482 da Aneel, que prevê o fomento ao consumidor final através de linhas de crédito, esta prática ainda não tem uma formalização por parte dos bancos que oferecem financiamentos. Outro aspecto apontado por ele foi a necessidade de desoneração do setor. Eduardo Tosta, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, discorreu sobre “Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Indústria Solar no Brasil: oportunidades e ameaças”. Além de destacar a grande extensão da cadeia produtiva de energia solar, Tosta observou que o seu custo, apesar de estar longe do ideal, vem decrescendo. Em 2013, disse, chegou a menos da metade do custo de 2001. “Entre outros fatores, o aumento da capacidade produtiva tende a torná-la ainda mais competitiva”, prevê. Outra boa notícia foi dada por Miguel Filho, da Cimatec, que falou sobre o projeto do “Centro de Energia Renovável e Cimatec Industrial”. Ele revelou que a proposta é de construção de dois grandes laboratórios de pesquisa, voltados para o desenvolvimento de tecnologias de energia renovável. Um deles, com foco na energia solar, usaria como parâmetro um modelo da Holanda, onde tem sido feitas experiências com nanotecnologia em filmes solares. Enquanto os filmes atuais, muito usados em prédios, apresentam uma eficácia de 7% a 8%, os desenvolvidos com nanotecnologia sobem este percentual para 27% a 28%. Miguel Filho informou que os recursos para a primeira etapa do projeto estão garantidos e uma área, no município de Dias D´Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, está sendo avaliada. O encontro contou ainda com as palestras “Jazidas de sílica em Belmonte e perspectivas de utilização fotovoltaica”, com Antõnio Gil, da Sílica Del Piero; “Projeto Piloto compartilhamento de instalações para geração eólica e solar fotovoltaica: a experiência em Brotas de Macaúbas”; “A energia solar para o mercado livre”; e a apresentação do “Projeto de energia solar em Juazeiro no âmbito do Minha Casa, Minha Vida”.