17/10/2013
A atividade de comércio varejista baiano cresceu 5,4% no mês de agosto, em relação a igual mês do ano passado, segundo informações da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No varejo nacional a taxa foi positiva em 6,2%, considerando a mesma base de comparação. Na análise sazonal, o varejo na Bahia registrou crescimento de 1,7%, superior à taxa de julho (1,5%). Essa expansão no volume de vendas na Bahia, na comparação entre agosto e julho de 2013, indica uma recuperação do setor. Os dados foram apurados por essa pesquisa realizada em âmbito nacional e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan).
Considerando que o aumento das taxas de juros e a desvalorização influenciam negativamente determinados segmentos, e que no mesmo período do ano passado havia incentivos fiscais, o resultado nas vendas referente à comemoração dos Dias dos Pais em agosto de 2013 pode representar uma retomada em ritmo mais acelerado para as vendas no comércio varejista baiano nos próximos meses.
Análise por ramo de atividade - Em agosto de 2013, os dados do comércio varejista do estado da Bahia, quando comparados a agosto de 2012, revelam que seis de um total de oito ramos que compõem o Indicador do Volume de Vendas apresentaram resultados positivos. Listados pelo grau de magnitude das taxas em ordem decrescente, têm-se: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (24,0%); Livros, jornais, revistas e papelaria (14,1%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (10,4%); Móveis e eletrodomésticos (10,3%); Tecidos, vestuário e calçados (5,3%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,3%). Para os subgrupos de Super e hipermercados, de Móveis, e de Eletrodomésticos os resultados apurados foram positivos em 15,8%, 10,4% e 12,0%, respectivamente.
O comportamento das vendas no mês de agosto foi determinado pelos segmentos de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, e Móveis e eletrodomésticos. A expansão de 10,4% registrada para o segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo indica que esse segmento foi o principal impulsionador dos negócios, nesse mês, para o varejo baiano. De acordo com os dados do IBGE, o IPCA para o Grupo de Alimentação e bebidas registrou deflação pelo terceiro mês consecutivo (-0,06%).
O segmento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos registrou um crescimento de 24,0% nas vendas. A essencialidade dos produtos comercializados no ramo, associada ao aumento da procura por medicamentos antivirais, e à expansão da massa de salários são os principais aspectos explicativos para esse comportamento.
O terceiro maior impacto para o varejo baiano veio do segmento de Móveis e eletrodomésticos que apresentou uma expansão nas vendas na ordem de 10,3%. Esse comportamento é atribuído à política de incentivo do governo ao consumo, através da manutenção de alíquotas de IPI reduzidas para os artigos desse segmento. Quando desagregado, observa-se que a maior contribuição veio das vendas de eletrodomésticos.
Quanto aos segmentos que contribuíram negativamente, têm-se: Combustíveis e lubrificantes (-8,8%); e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-12,6%). O segmento de Combustíveis e lubrificantes registrou a décima primeira queda consecutiva. Esse comportamento pode ser atribuído a fatores como o crescimento exacerbado dos postos de “bandeira branca”, com variação constante de preços, prejudicando os postos autorizados; e problemas com a seca e infraestrutura logística. Além desses aspectos, pode-se, segundo informações do Sindicombustíveis, atribuir esse comportamento ao aumento da carga tributária praticada sobre o Diesel.
Quanto ao comportamento de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação observa-se uma variação negativa nas vendas pelo terceiro mês consecutivo. Esse comportamento está relacionado com o processo de desvalorização do real frente ao dólar, pois há desestímulo a compra de produtos importados.
Comportamento do Comércio Varejista Ampliado – O setor que inclui o varejo e mais as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, apresentou em agosto redução de 3,0% nas vendas. No acumulado dos últimos 12 meses, o Comércio Varejista Ampliado apresentou expansão no volume de negócios de 3,8%.
O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou variação negativa de 18,6% em agosto, em relação a igual mês do ano anterior. Esse resultado é atribuído ao efeito base, uma vez que em igual mês do ano passado as vendas estavam aquecidas em função dos incentivos concedidos pelo Governo (43,5%). Nesse período, o IPI sobre carros 1.0 ficou em zero e o imposto sobre as demais cilindradas foi reduzido pela metade. No que tange ao segmento Material de Construção, este apresentou em agosto crescimento de 3,6% nas vendas em relação a igual mês do ano passado. Esse comportamento é reflexo dos incentivos fiscais do governo, através da redução do IPI, que deverão vigorar até dezembro.
