Após um hiato de 46 anos, a Bahia voltará a promover uma bienal de artes plásticas. A previsão é que a terceira edição do evento aconteça no próximo mês de junho. Como parte dos preparativos, foi realizado neste final de semana um Curso de Formação de Mediadores, que incluiu na sua programação um encontro com monitores das duas primeiras versões da Bienal de Artes Plásticas da Bahia, ocorridas em 1966 e 1968. O secretário do Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, foi um dos monitores e contou sua experiência para o público.
Em uma mesa mediada pelo secretário da Cultura, Albino Rubim, também relataram suas lembranças os monitores Renato da Silveira e Tuca Tourinho, além de Juca Ferreira, este por meio de um vídeo. Em suas retrospectivas, todos destacaram a qualidade dos eventos realizados na década de 60, seja pelo conhecimento estético fomentado, seja pela vanguarda artística.
Em seu relato, Gabrielli destacou que a bienal baiana refletia o forte impacto do contexto mundial de então, quando ocorriam fenômenos como a Revolução Chinesa, eleição de Indira Gandhi como primeira mulher a chefiar o governo indiano, movimento feminista americano e a luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos. No cenário nacional, lembrou o secretário, o país também passava por mudanças, como o golpe militar. Em 1966, acrescentou, a Rede Globo completava um ano de existência, logo, a cultura popular ainda não era dominada pela TV.
“Era um momento de transformação”, disse o secretário do Planejamento. Quanto à Bahia, ele fez questão de lembrar aos presentes que era um estado provinciano. Salvador, por exemplo, tinha apenas 650 mil habitantes, carroças e burros eram um meio de transporte comum e pelas ruas era fácil encontrar pessoas vendendo frutas em cestos na cabeça. “As festas populares eram pequenas, não tinha a dimensão que têm hoje. Ir a Itapuã era uma viagem e a Pituba era local de veraneio”, recordou. Nas artes plásticas baiana da década de 60, havia entre os nomes de projeção Jenner Augusto, Genaro de Carvalho, Carybé e Mário Cravo.