18/12/2013
Novo indicador da SEI aponta crescimento da atividade econômica nos municípios baianos de pequeno porte entre 2002 e 2011
O Índice da Dinâmica Econômica Municipal (IDEM), calculado pelo segundo ano consecutivo pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/SEPLAN), dessa vez para todos os municípios baianos, releva que as pequenas economias apresentaram forte dinamismo entre 2002 e 2011 no estado. Itapebi, localizado no território de identidade Costa do Descobrimento, apresentou a maior taxa de expansão da atividade econômica no período, em decorrência da entrada em operação, em 2003, da Usina Hidrelétrica de Itapebi.
“O empreendimento hidrelétrico foi altamente favorável à economia que até então não dispunha de grande dinâmica econômica; isso fez com que o município tivesse a maior taxa de expansão no período analisado”, comenta João Paulo Caetano, coordenador de Contas Regionais da SEI. A UHE possui três unidades geradoras de 150 MW cada, energia contratada de 1.877.268 MWh/ano, até nov/2016 e 1.721.340 MWh/ano, até abr/2017, pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA). O IDEM passou de 1.155% em 2003 para 4.374% em 2011 no município.
O município de Ruy Barbosa registrou a segunda maior taxa de expansão no IDEM, com 1.014%, em decorrência da implantação de indústria de calçados, inaugurada em 2004, propiciando forte impacto na atividade produtiva do município. Jaborandi, localizado no oeste baiano, registrou a terceira taxa (832%), com destaque para a produção agrícola de soja, milho e algodão. Além disso, também contribuíram os segmentos de Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP), Administração Pública (APU) e indústria de transformação.
“As altas taxas de crescimento revelam que os pequenos municípios estão dinamizados, recebendo investimentos produtivos que antes não existiam. Contudo, a leitura que se deve ter é sobre o efeito de comparação com o período inicial. Qualquer investimento em uma economia muito pequena gera uma alta taxa de crescimento, mas não significa que essas economias estejam mudando de patamar”, explica o economista. Em sentido contrário, nas grandes economias, mesmo grandes investimentos geram menor efeito.
Assim como ocorreu com Itapebi, Governador Mangabeira também teve sua expansão propiciada pela instalação de uma usina hidrelétrica (Pedra do Cavalo) que, apesar de ser de menor porte, também teve forte impacto na dinâmica produtiva local (642%). Em Iraquara, a expansão (604%) foi favorecida pela implantação de uma indústria ligada ao segmento de biocombustíveis, a qual iniciou suas operações em 2006, tornando-se a principal atividade do município.
Formosa do Rio Preto, situado na região oeste, registrou a sexta maior expansão (546%). O município tem como atividade principal a agropecuária – produção de soja, algodão e milho. Outro destaque foi o município de Maragogipe (461%) que teve sua atividade econômica fortemente impactada após a implantação de um estaleiro da Petrobras para construção de plataformas de petróleo na localidade de São Roque do Paraguaçu. O ponto de maior expansão ocorreu no ano de 2007 com a iniciação da construção de uma plataforma de petróleo.
Além dos municípios citados, apareceram entre os de maiores expansões na atividade econômica: São Gonçalo dos Campos com destaque devido à atividade da avicultura; Santa Bárbara, teve expansão baseada na administração pública (APU) e Jandaíra, a qual teve o aumento da atividade econômica relacionado à maior dinâmica no segmento de transporte.
Dentre as maiores economias, Dias D´Ávila se destaca
Dias d’Ávila, município situado na Região Metropolitana de Salvador (RMS), foi a exceção no grupo das maiores economias baianas – considerando a estrutura produtiva a partir do ranking do PIB municipal –, destacando-se com a expansão de 442,0% registrada no IDEM. A metalurgia ligada ao segmento do cobre impulsionou o índice do município.
Luís Eduardo Magalhães, situado no oeste baiano, vem, ao longo da série, se destacando pelos investimentos, particularmente associados ao agronegócio, mas não se restringindo a essa categoria. No período, o município registrou a segunda maior expansão entre as grandes economias estaduais (273%), por conta dos investimentos relacionados à agroindústria, seu principal destaque econômico, e do bom desempenho no comercio varejista. Ainda na região oeste, destacou-se o município de Barreiras com expansão de 157% no período, também favorecido pela expansão do agronegócio.
Camaçari, situado na RMS, apresentou taxa de expansão no período de 246%, e, dentre as principais economias estaduais, teve a terceira maior expansão, a qual se deu por conta da expansão da indústria petroquímica e de implantação da automobilística. Há ainda de se destacar desenvolvimento nos setores da construção civil, comercio varejista e alojamento alimentação.
Lauro de Freitas (RMS), município que tem sua atividade econômica no setor Serviços, com um comercio bastante desenvolvido, recebeu, ao longo dos anos, indústrias que vieram a dinamizar a atividade econômica local e registrou o crescimento expressivo da construção civil, o que contribuiu para a expansão de 239% no período.
Candeias (RMS), com desempenho de 193%, tem como principal setor de atividade da indústria de transformação. Tem expandido sua economia por conta, principalmente, do seu complexo industrial nas áreas química, siderúrgica e de fertilizante e investimentos realizados em usina de biodiesel.
São Francisco do Conde teve seu desempenho baseado nos investimentos na Refinaria Landulfo Alves (RLAM) com o refino do petróleo, registrando taxa de 186%. Já a expansão de 162% em Simões filho foi puxada pela construção civil e pelas vendas do comércio varejista. A recuperação do Centro Industrial de Aratu também contribuiu.
O desempenho de 159% de Vitória da Conquista foi determinado, em grande parte, pela expansão do setor serviços, principalmente, o comercio varejista, além da indústria de transformação. Feira de Santana, importante entreposto comercial e rodoviário do estado, teve a quarta maior expansão (152,0%), favorecida pela indústria de transformação, construção civil e comércio. O município de Candeias, também situado na RMS, tem na transformação química uma de suas principais atividades, registrando IDEM de 152%.
Itabuna e Ilhéus, no sul da Bahia, tem nos serviços suas principais atividades econômicas, com destaque para o comércio. No que se refere a Ilhéus (118%), destaca-se a existência de um pólo de informática o qual contribuiu para a expansão da atividade econômica do município, juntamente com o porto – utilizado para escoamento dos produtos da região – e a construção civil. Itabuna teve sua dinâmica econômica baseada no comercio varejista e na indústria de transformação (taxa de 116%).
Salvador (69%) teve sua taxa determinada pela dinâmica significativa das atividades de construção civil e comercio. Enquanto a construção civil, juntamente com a lavoura permanente foi determinante para a evolução de 63% em Juazeiro, que tem um pólo de fruticultura bastante desenvolvido. O município de Paulo Afonso, que tem a economia baseada na produção e distribuição de energia elétrica, registrou o menor nível de expansão entre as principais economias estaduais (38%).
Breve explicação sobre o IDEM - O IDEM tem como objetivo avaliar a dinâmica da atividade econômica nos municípios baianos. Para isso, utiliza a combinação de um conjunto de estatísticas relativas às atividades econômicas desenvolvidas no âmbito dos municípios. Apesar de representar a dinâmica da atividade econômica municipal, é importante destacar a não comparabilidade entre este indicador e uma possível taxa de crescimento do PIB municipal.
Sobre o cálculo do PIB convém mencionar que este corresponde à soma de todos os bens e serviços produzidos num determinado local em um determinado período de tempo. Metodologicamente esse procedimento consiste em obter-se o valor bruto da produção excluindo o consumo intermediário – bens e serviços utilizados no processo produtivo – obtendo-se, ao final, o Valor Adicionado (VA), o qual, quando adicionados os impostos, é denominado de PIB.
Por construção, não é possível que seja calculada taxa de crescimento do PIB municipal, tal qual é feito para o PIB dos estados e do Brasil. O PIB municipal é calculado a partir de uma estrutura gerada com base em diversas informações estatísticas municipais. A partir dessa estrutura, toma-se o Valor Adicionado do estado, de cada uma das atividades econômicas e rateia-se em valor proporcionalmente à estrutura anteriormente criada. Ou seja, o cálculo do PIB municipal utiliza procedimento top-down, onde o valor corrente das atividades do estado é diretamente distribuído para cada um dos 417 municípios. Como não se utilizam indicadores de volume para calcular o valor final do PIB dos municípios, não se tem a possibilidade de calcular uma taxa de crescimento do PIB municipal.
Apesar do IDEM ser um indicador de crescimento relacionado às economias municipais, o índice não deve ser comparado ou associado a crescimento do PIB municipal, pois, diferentemente desse, o qual tem seu conceito baseado no VA, o IDEM, por sua vez, analisa a evolução de um conjunto de indicadores que retratam a trajetória das atividades econômicas municipais, a qual não necessariamente corresponde a uma possível taxa de crescimento do PIB. Nesse sentido, podemos ter, a partir do IDEM, crescimento na dinâmica econômica e, em paralelo, queda ou estabilidade do PIB de um determinado município.
