Projeto da ponte Salvador-Itaparica beneficia o turismo

13/04/2013

O fortalecimento da atividade turística na Região Metropolitana de Salvador (RMS), Litoral Sul, Costa do Dendê e do Cacau serão alguns dos reflexos positivos proporcionados pela construção da ponte Salvador-Itaparica expostos, neste sábado (13), pelo secretário estadual do Planejamento, José Sergio Gabrielli, durante o painel Ponte Salvador – Itaparica: Impactos econômicos no turismo.

O painel aconteceu no Núcleo do Conhecimento, espaço dedicado à troca de experiências do II Salão Baiano de Turismo, no Centro de Convenções.

[caption id="attachment_3405" align="alignright" width="300"]II Salão Baiano de Turismo | Apresentação sobre o projeto da ponte Salvador-Itaparica II Salão Baiano de Turismo | Apresentação sobre o projeto da ponte Salvador-Itaparica[/caption]

A apresentação contou ainda com a participação do secretário do Turismo, Domingos Leonelli, da senadora Lídice da Mata e do presidente da Associação Baiana das Locadoras de Automóveis (ABLA), o empresário Marconi Dutra.

PONTE, FERRY BOAT e VIA LITORÂNEA – O secretário José Sergio Gabrielli iniciou sua fala demonstrando que a ponte é muito mais do que um projeto de engenharia, mas sim um vetor de integração, mobilidade e desenvolvimento de, no mínimo, 24 municípios na região do Litoral Sul e Costa do Dendê.

É por essa razão que o projeto vem sendo tratado com um Plano de Desenvolvimento Socioeconômico da  Macro Área de Influência da Ponte Salvador–Itaparica, que inclui, além da construção da ponte, apoio na revisão e formulação de Planos de Desenvolvimento Urbano para cidades como Itaparica e Vera Cruz, intervenções na BA-001 até a Ponte do Funil e outras ações urbanísticas.

“Neste sentido, não é possível dizer que a ponte é um substituto para o ferry boat, principalmente por que suas vantagens não se limitam à mobilidade entre Salvador e a Ilha de Itaparica”, afirmou Gabrielli.

Gabrielli foi claro ao dizer que os esforços do Governo estão voltados para entender e antecipar os impactos sociais, ambientais e econômicos de construção da Ponte, que devem ser sentidos num período de até 100 anos após a sua construção.

Outro ponto levantado foi a opção da Via Litorânea, que está sendo tratada, por alguns especialistas, como uma alternativa à ponte. Segundo o secretário, assim como o ferry boat, essa via também não pode ser vista como uma substituta para a ponte.

“Num primeiro momento, a ponte trará de 15 a 20 mil veículos leves e pesados por dia. Esse número pode chegar a 140 mil veículos em 30 anos, se utilizarmos a Ponte Rio-Niterói como parâmetro. Não é possível que a Via Litorânea suporte esse impacto de tráfego sem danos muito negativos ao meio ambiente e às cidades que circundam o Recôncavo”, ponderou.

O Governo defende a tese de que a construção da Via Litorânea ou Via Bucólica não pode ser descartada, mas deve ser pensada como um pólo turístico e não como um vetor de mobilidade urbana e desenvolvimento econômico como será a Ponte Salvador-Itaparica.

IMPACTOS SOBRE SALVADOR – A capital dos baianos já está se preparando para receber a ponte e esse foi outro ponto destacado na fala de Gabrielli.

O secretário mostrou como o novo equipamento vai se integrar com a Via Expressa, que será entregue pelo Governo ainda em 2013 e com a Via Atlântica e Linha Viva, projetos da Prefeitura de Salvador que permitirão uma malha rodoviária que diminuirá consideravelmente os impactos de veículos pesados no trânsito de Salvador.

Porém, os principais impactos sentidos na capital devem ser, na visão do chefe da Seplan, nos âmbitos sociais e econômicos. “Muitos falam que o Centro Antigo de Salvador está abandonado. Na verdade, o Centro Antigo empobreceu e, por isso, está se esvaziando. O projeto da ponte vai ajudar a redefinir o papel do centro de Salvador como pólo gerador de desenvolvimento e modificar o vetor de crescimento. Não conseguimos mais crescer para o Litoral Norte. É hora de pensar nos próximos 30 anos e criar condições para que o Litoral Sul receba os mesmos investimentos e possa se desenvolver”, argumentou.

PLANEJANDO O FUTURO – A modelagem de editais também foi tratada no painel. O principal ponto é fazer com que todos os estudos sejam realizados antes do início da construção, garantindo que o Governo da Bahia terá todas as informações necessárias para que a construção da ponte aconteça de forma segura, tanto do ponto de vista ambiental, como de engenharia e econômico.

Um edital de sondagem já foi lançado e terá como resultado imediato uma investigação profunda sobre o fundo da Bahia de Todos os Santos e quais as suas características geológicas, permitindo saber qual a profundidade que se pode perfurar, a carga que o solo suporta, regime de correntes e espécies marinhas, por exemplo.

Além disso, editais para estudos arquitetônicos e de impacto ambiental também estão sendo lançados, junto com os estudos urbanísticos.

“As fundações da ponte representam 40% do valor total da obra, portanto, temos que investir muito tempo nessa fase de estudos para garantir que os investimentos serão precisos”, garantiu Gabrielli.

Sobre a viabilidade financeira, o Governo já tem um plano preliminar de financiamento da ponte. Segundo esse plano, a ponte será financiada com recursos do Governo Federal, Governo Estadual, recursos próprios da empresa que administrará a ponte, além do pedágio e de recursos oriundos do setor privado.

“Ainda estamos definindo a forma de participação do setor privado, mas a proposta mais consistente até o momento é usarmos o mesmo modelo do projeto Porto Maravilha, do Rio de Janeiro. Lá, os empresários que tiveram interesse em investir na região, ajudaram o governo a revitalizar o Porto”, antecipou.

IMPACTOS NO TURISMO – Por fim, o secretário demonstrou que entre 2007 e 2012, Salvador recebeu mais de R$ 236 milhões de investimentos na área hoteleira. Por outro lado, as regiões afetadas pela ponte, como Ilha de Itaparica, Costa do Dendê e Litoral Sul não tiveram nenhum investimento no período.

Dentre as vantagens que o equipamento trará para a economia e a atividade turística do estado o secretário enumerou: impulso para o desenvolvimento turístico; desenvolvimento urbano da Ilha de Itaparica; reforço para o plano de turismo náutico; redução do tempo de viagem entre regiões do estado e a capital; distribuição do tráfego leve em novas vias aliviando o fluxo na BR-324; requalificação de acessos viários, melhoria da qualidade de vida decorrente do investimento em infraestrutura, dentre outras.

Além disso, a ponte em si vai se tornar um novo ponto turístico como aconteceram em outras partes do mundo, como a Golden Gate (EUA), ponte Vasco da Gama (Portugal) e ponte estaiada (São Paulo).

NÚMEROS

  1. Licitação da ponte: abril de 2014
  2. Tempo de construção: 48 a 60 meses
  3. Veículos dia: até 130 mil em 30 anos
  4. Novas unidades habitacionais na Ilha de Itaparica: 50 mil
  5. Percurso da ponte: 11,7 km
  6. 23ª maior ponte do mundo
  7. 2ª maior ponte da América Latina
  8. Até 6 pistas para veículos
  9. 75 m de altura no vão central
  10. Com a ponte, a distância de Salvador para 24 municípios será reduzida em mais de 40% – Itaparica, Vera Cruz, Nazaré, Aratuípe, Salinas das Margaridas, Jaguaripe, Muniz Ferreira, Dom Macedo Costa, Valença, Santo Antônio de Jesus, São Felipe, Maragogipe, Varzedo, Elísio Medrado, São Miguel das Matas, Laje, Amargosa, Mutuípe, Cairu, Taperoá, Nilo Peçanha, Ituberá, Camamu e Piraí do Norte.
  11. Para o Litoral Sul será encurtada em 150 km. Até a Ilha de Itaparica o tempo de viagem será reduzido de 1h30 para 30 minutos, em via terrestre. Para Valença a redução será de 3h30 para 1h45.

DEBATE – A senadora Lídice da Mata (PSB) foi a primeira a falar e comparou a ponte à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), por serem duas obras estruturantes e que vão reconfigurar o cenário baiano para os próximos 30 anos.

Já o empresário Marconi Dutra pediu que as discussões sobre os impactos se aprofundem, mas sempre com uma premissa básica. “A ponte é nossa. Temos que entender todos os impactos, pois viveremos as consequências no nosso dia a dia, mas a ponte já uma realidade e ela é nossa”.

Sobre a atual ocupação do território e a exploração do turismo em Itaparica, o secretário do Turismo, Domingos Leonelli, afirmou que a Setur tem a intenção de atuar mais ativamente na região. “Agora, com mais recursos, aumenta a nossa capacidade de investir na atividade turística da ilha. Como Estado, podemos auxiliar também na formulação do seu plano de desenvolvimento urbano.”, afirmou Leonelli.