Trem do Subúrbio deixa de operar para o início das obras do VLT

13/02/2021
Um ciclo de quase 170 anos se encerra, aproximadamente, às 19h30 deste sábado (13), com a última viagem do Trem do Subúrbio, dando o primeiro passo para um futuro de conforto e desenvolvimento para os moradores da região. O atual sistema de trens de Salvador, que interliga o Subúrbio Ferroviário pela orla da Baía de Todos os Santos, em 10 estações, da Calçada a Paripe, deixa de operar para dar lugar à implementação do Veículo Leve de Transporte (VLT), beneficiando cerca de 600 mil soteropolitanos. Além disso, mais de 170 mil usuários vão poder se deslocar diariamente entre os 26 quilômetros de percurso que vão ligar o Comércio até a Ilha de São João, no município de Simões Filho.

O VLT de tipo monotrilho, movido à propulsão elétrica, será moderno, seguro e rápido. O equipamento representa um grande investimento do Governo do Estado da Bahia em relação à mobilidade urbana. Com o VLT, o Subúrbio de Salvador ganhará referências na geração de empregos e oportunidade de novos negócios. De acordo com a Sedur, uma viagem que hoje demora em torno de duas horas vai ser feita em apenas 50 minutos. A espera média de uma hora ou mais vai ser quatro minutos entre um trem e outro.Serão 28 trens funcionando, servindo a população do Subúrbio com ar condicionado e wifi.

A Fase 1 das obras do VLT compreendem 19,2 quilômetros, com 21 estações e vai ligar o bairro do Comércio, na cidade baixa da capital, até a Ilha de São João, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Na fase 2, que liga a região de São Joaquim até o Acesso Norte (integração com o metrô) estão previstas mais 5 estações.

Ampliação e alternativas durante as obras


O trajeto vai aumentar em 11 quilômetros, passando a ter quase 24 quilômetros, e ganhará mais 15 estações, chegando a 25 pontos de embarque e desembarque. Quando o novo modal estiver em operação, serão transportadas 172 mil pessoas diariamente, de forma rápida e segura. Com tarifa única, o usuário vai poder pegar o trem do Subúrbio, o metrô e ônibus.

De acordo com o secretário estadual do Desenvolvimento Urbano, Nelson Pelegrino, os moradores do Subúrbio não vão ficar desassistidos de transporte durante as obras do VLT, mesmo com o trem fora de operação. "O sistema de transporte coletivo que serve hoje à região do Subúrbio tem condições de absorver esse público que pega o trem no dia a dia. Nas estações, haverá orientações de qual é o ponto de ônibus mais próximo, inclusive com o traçado que a pessoa deve percorrer até chegar àquele ponto de ônibus próximo, e de quais são as linhas que existem. Quem mora na região saberá exatamente qual ônibus precisa pegar para chegar ao destino final”.

Vetor de desenvolvimento

Pelegrino destacou que o novo modal será um vetor de desenvolvimento econômico. “Muitas pessoas não conseguem emprego porque moram no Subúrbio e levam duas horas para sair de sua casa e chegar até o seu destino final. Esse percurso vai ser feito em 50 minutos, apenas. Então, as pessoas vão poder se programar e ter a certeza de que vão chegar, porque não vai ter engarrafamento. Não vai ter nenhum tipo de obstáculo no caminho. O usuário vai pegar o trem no Subúrbio e vai chegar rapidamente à estação Acesso Norte, e da Estação Acesso Norte, vai se deslocar pelo metrô e pelo sistema de ônibus para todas as regiões da cidade de forma rápida, segura, e de forma integrada”. A obra está recebendo investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões e vai gerar, diretamente, 2.200 empregos, além dos empregos indiretos. Quando estiver em operação, o VLT vai contar com mais de 700 pessoas empregadas.

O Trem do Subúrbio faz parte da história do motorista Charles Marinho, 42 anos, que foi passear na primeira viagem do veículo neste último dia de operação. “Vim apenas para me despedir e agora que ele começou a se movimentar dá um friozinho na barriga. Eu fui menino aqui e meus pais conseguiram, na época, um apartamento em Periperi. A gente pegava o trem aqui na Estação da Calçada, saltava em Periperi, na Estação de Periperi, e subia de kombi, então a gente andou muito nesse trem aqui. Vamos aguardar aí agora como vai ser o VLT,e espero também estar inaugurando o equipamento. Com certeza, vai melhorar muito, principalmente, para a população aqui do Subúrbio”.

O marinheiro Damião da Conceição, 50 anos, passou toda a vida na região do Subúrbio e fala sobre a expectativa da chegada do VLT. “Certamente, a chegada do VLT vai ser importante, porque a gente não vai mais pegar aquele engarrafamento”.

História

A ferrovia que hoje liga o bairro da Calçada a Paripe, começou a ser criada em 1853, quando Joaquim Francisco Alves Muniz Barreto recebeu do Governo Imperial a concessão para a construção de uma estrada de ferro ligando Salvador à cidade de Juazeiro. Foi a primeira da Bahia e a quinta do Brasil.

Em 2005, a gestão do trecho ferroviário entre as estações da Calçada e Paripe era de responsabilidade da Prefeitura de Salvador, porém, em maio de 2013, o sistema foi transferido para o Estado, juntamente com as obras do metrô, passando a ser administrado pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB). A região do Subúrbio, marcada pelo patrimônio dos marisqueiros e pescadores, após a conclusão das obras do VLT, ganhará também um museu ferroviário e um centro comercial de serviços na região.