Wilson Cano fala sobre planejamento e política econômica

19/09/2014

Estudioso das questões do desenvolvimento econômico, o professor Wilson Cano, do Instituto de Economia da Unicamp (SP), também eleito Personalidade Econômica do Ano de 2013 pelo Conselho Federal de Economia (COFECON), falou na manhã de hoje (18) na palestra de abertura do X Encontro de Economia Baiana (X EEB), no Grand Hotel Stella Maris. Com o tema Planejamento e Estratégias de Desenvolvimento – Homenagem ao Centenário de Rômulo Almeida, a palestra de Cano encadeou de forma crítica a história do planejamento e da economia no Brasil, da década de 30 até os dias atuais, e foi calorosamente aplaudida pelo público presente.

[caption id="attachment_6865" align="alignright" width="300"]X Encontro de Economia Baiana X Encontro de Economia Baiana[/caption] Cerca de 400 inscritos, entre pesquisadores, estudantes e gestores públicos da área da economia e do planejamento, estiveram presentes na primeira manhã do X EEB. A mesa de abertura contou com a presença do Secretário Estadual do Planejamento, José Sergio Gabrielli, no ato representando o governador Jaques Wagner; o presidente da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Vitor Lopes; o diretor de Pesquisas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Armando Castro, representando o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis; o coordenador de Pós-Graduação em Economia da UFBA, Henrique Tomé da Costa Mata; o diretor presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza; e o presidente do Corecon Bahia, Gustavo Casseb Pessoti. A contribuição de Rômulo Almeida e o histórico do planejamento e do desenvolvimento na Bahia ficou por conta da “aula” do professor de economia e secretário José Sergio Gabrielli, que lembrou que “o Plano de Desenvolvimento do Estado da Bahia – Plandeb, elaborado por Rômulo Almeida, foi o primeiro plano substancial feito no Brasil, com reflexos ainda hoje”. “A economia vinha de uma estagnação, nas décadas de 30 e 40, o chamado enigma baiano (...). A década de 50 foi riquíssima do ponto de vista da formação de partidos e de personalidades políticas baianas. Do ponto de vista estrutural, em 1957, é inaugurada a Refinaria Landulfo Alves, alterando completamente o funcionamento econômico da Bahia de Todos os Santos”. Gabrielli ressaltou a diferença da política econômica naquele momento, em que o crescimento se pautou em polos isolados e concentrados. “Hoje, a lógica é por investimentos mais pulverizados, desconcentrados, valorização da renda e do emprego, democracia participativa, aumento do mercado interno e distribuição de renda, com impactos na economia que ainda não são possíveis de serem medidos em sua plenitude”, disse. Trajetória - Rômulo Almeida bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Bahia em 1933. Como assessor econômico do presidente Getúlio Vargas, criou, com sua equipe, instituições como a Petrobras, os planos que serviram de embrião para a Eletrobras e o Banco do Nordeste do Brasil, do qual foi o primeiro presidente. Representou a Bahia no processo de criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste e elaborou o projeto da Companhia de Energia Elétrica da Bahia. Foi Secretário da Fazenda da Bahia e vice-presidente da Rede Ferroviária Federal no governo Kubitschek. O Polo Petroquímico de Camaçari surge de seu empenho pessoal. Nos anos 1970, firmou-se como crítico do regime militar e participou da redemocratização do país. Na Bahia, criou e presidiu a Comissão de Planejamento Econômico (CPE), transformada posteriormente em fundação e da sua fusão com a autarquia Centro de Estatísticas e Informações (CEI), foi criada a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Ensinou em várias instituições, entre elas a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade da Bahia. Em 1985, assumiu uma diretoria do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, onde permaneceu até a sua morte. Professor Wilson Cano expôs que o baiano fazia parte de um grupo de cinco nordestinos que compuseram a assessoria econômica do governo eleito de Getúlio Vargas, os quais ajudaram a planejar a Eletrobras, Petrobras, a indústria química, a indústria automobilística, entre outros investimentos estruturais inexistentes até aquele momento no país. O X EEB prossegue nesta sexta-feira, dia 19. Confira programação. LANÇAMENTOS Três revistas serão lançadas no encerramento do X Encontro de Economia Baiana, amanhã, dia 19, às 18h, no Gran Hotel Stella Maris (Salvador). Um coquetel irá marcar os lançamentos da revista Desenbahia, que nesta edição traz homenagem ao centenário de Rômulo Almeida, da revista da SEI Panorama das Contas Públicas e da publicação Agronegócio & agriculturas familiares: crítica do discurso único para dois Brasis, da Ufba. Revista Desenbahia faz homenagem a Rômulo Almeida A Revista Desenbahia, publicação semestral da Agência de Fomento do Estado da Bahia, chega ao seu décimo ano consecutivo trazendo uma homenagem ao centenário de Rômulo Almeida. Esta é 20ª edição da revista, que tem por objetivo estimular a pesquisa nas universidades do Brasil. A publicação contempla dois artigos sobre a atuação e o pensamento de Rômulo Almeida. O artigo “Rômulo Almeida: Banco do Nordeste do Brasil e a Comissão de Planejamento Econômico na Bahia” evidencia sua contribuição ao idealizar, conceber e participar da implementação do BNB. O artigo “Pensando, Planejando e Executando o Desenvolvimento: Rômulo Almeida, da Bahia para a Nação e de volta para a Bahia” tem um caráter mais descritivo da trajetória do economista baiano. Constam ainda da publicação artigos sobre financiamento do desenvolvimento, o papel do crédito na economia, crescimento econômico e mercado de crédito, além do setor rural. Há ainda artigos que abordam a economia baiana, como o setor de serviços em Guanambi, a economia regional, como o trabalho de adolescentes no Nordeste, e um estudo sobre impactos econômicos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) na Bahia. Agronegócio e agricultura familiar é tema de publicação da Ufba Vitor de Athayde Couto, Marc Dufumier e Livia Liberato de Matos Reis são os autores da publicação “Agronegócio & agriculturas familiares: crítica do discurso único para dois Brasis”, lançamento da Universidade Federal da Bahia. O livro aborda a temática da desigualdade nos três vieses: crédito, tecnologia e território. Na primeira seção, Desigualdade Regional, procura-se demonstrar a desigualdade de resultados das políticas públicas, particularmente aquelas voltadas para o combate à desigualdade, como é o caso da política creditícia de apoio a uma agricultura familiar, tão suposta quanto abstrata. Em seguida, Marc Dufumier discute a desigualdade tecnológica entre agricultores desigualmente equipados, destacando a importância das agroecologias para o futuro da humanidade. Desigualdade territorial: na terceira, Reis analisa a desigualdade territorial, particularmente grupos de produtores de produtos georreferenciados, protegidos em seus territórios reconhecidos oficialmente pela política de Indicação Geográfica (IG). Revista Panorama das Contas Públicas aborda finanças públicas A próxima edição da revista Panorama das Contas Públicas (SEI), a ser lançada no X EEB, tem como objetivo auxiliar o debate no campo da microeconomia, com cinco artigos na área de economia do setor público. No primeiro, o tema é a Lei Complementar nº 101/2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e sua inserção nos mecanismos de planejamen­to econômico do Brasil. O segundo faz uma análise sobre a dependência econômica das transferên­cias intergovernamentais nos municípios da microrregião Ilhéus-Itabuna (BA), procurando detalhar a capacidade de arrecadação própria desses municípios. O terceiro artigo utiliza o Índice de Desenvol­vimento Socioeconômico Simplificado (IDSES) com o intuito de analisar o nível de desenvolvimento baiano, procurando destacar os pontos estratégicos para orientação de políticas públicas no estado. Com o objetivo de avaliar a dinâmica socioeconômica do município de Planalto (BA), o quarto artigo faz uma análise sobre a relação existente entre as principais receitas do município e aquelas advindas do Programa Bolsa Família (PBF). Por fim, o último artigo estuda o Programa Luz Para Todos (PLPT) e sua eficácia para acabar com a exclusão elétrica, bem como faz uma avaliação dos seus impactos no Território do Velho Chico (TVC), localizado no semiárido baiano. Além de preencher uma lacuna sobre a discussão de finanças públicas em aspectos micro, a publicação traz reflexões sobre o papel estratégico da gestão governa­mental.