Inspirado no romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, “Idas e Vindas Secas” não busca adaptar literalmente a obra. O livro publicado em 1938 funciona como ponto de partida para uma investigação cênica que transforma sua atmosfera, seus silêncios e seus personagens simbólicos em uma dramaturgia física e imagética. O espetáculo transforma o sertão em picadeiro e encontra na palhaçaria uma forma de tensionar a dureza dessas questões.
Realizado pela Cia Buffa de Teatro e SouZ Produção e Gestão Cultural, com direção e dramaturgia de Joice Aglae e produção de Juliana Monique, a montagem realiza sessões de sexta a domingo, sempre às 20h. Selecionado por meio do edital da 21ª edição do TCA.Núcleo de Teatro, realizado pelo Teatro Castro Alves e Fundação Cultural do Estado da Bahia, a montagem segue para circulação no interior da Bahia após as apresentações pela capital.
“Montar um espetáculo inspirado em Vidas Secas é revisitar o Brasil nordestino mais profundo, mas também o mundo contemporâneo. A seca como fenômeno natural se perpetua por muitos sertões e o desafio climático do atual aquecimento global nos aponta para um retorno a esta crise mundial da água. Mas, também, nos tempos atuais, a aridez pode ser do solo, do corpo físico, do corpo social e de nossa capacidade emocional de empatia”, refletiu a diretora Joice Aglae.
Desigualdade, fome, exclusão, perda de território, exploração do trabalho, silenciamento e dificuldade de se fazer ouvir atravessam a pesquisa do espetáculo. A figura dos retirantes ganha, assim, uma dimensão contemporânea em que pessoas continuam em movimento em busca de terra, direitos, afeto e condições de existência. A palhaçaria é utilizada justamente para tensionar essas questões, quando o riso não aparece como uma forma de negar a tragédia, mas como possibilidade de enfrentá-la. “O palhaço e a palhaça não se abalam pela derrota, ao contrário, a derrota o/a impulsiona para uma nova tentativa e possibilidade”, completa Joice.
A construção de “Idas e Vindas Secas” começou em julho com a realização de oficinas formativas e audições de atrizes e atores para a composição do elenco. Foram realizadas oficinas gratuitas de figurino, cenário, iluminação, produção e direção dentro dos espaços do Complexo do Teatro Castro Alves. Essa iniciativa faz parte do caráter do programa TCA.Núcleo de Teatro, que visa o fomento da pesquisa, criação, formação e circulação nas artes cênicas.
Ao final do período, ao menos um assistente de cada área foi selecionado para integrar a equipe do projeto. A produtora executiva do espetáculo, Juliana Monique, reforçou a importância dessa residência no TCA para aproximar artistas, técnicos e diferentes áreas da engenharia do espetáculo, que ajuda a “transformar ideias numa experiência única de aprendizados, possibilidades e reverberações”.
"Acessar o Complexo TCA torna a experiência completa e incrível, ao receber todo suporte humano e estrutural necessário para criar, co-criar e desenvolver cada etapa do processo de uma montagem complexa com pessoas engajadas em colocar na cena um bem cultural, que percorre todos os campos criativos e técnicos. Em breve, o que estará nos palcos não é somente o espetáculo Idas e Vindas Secas, mas a potência de um coletivo que se fortaleceu para colocar sua verdade na cena e partilhá-la com o público de Salvador e do interior da Bahia", celebrou a produtora.
Nesse processo, o Centro Técnico do TCA ocupa um papel central na realização do TCA.Núcleo de Teatro, ao colocar sua estrutura e seus profissionais no coração da criação dos espetáculos. É a partir dessa integração entre artistas, técnicos, espaços e diferentes áreas da engenharia teatral que o programa encontra condições para transformar projetos em obras cênicas, aproximando o processo criativo da experiência concreta de construção e realização de um espetáculo.
A equipe técnica da montagem tem cenografia e adereços assinados por Letícia Mello e Lucas Oliveira. Já figurino é assinado por Agamenon de Abreu, a iluminação por Milena Pitombo e a direção musical e preparação vocal por Elis Barros. No elenco, estão Ana Tereza Mendes, Alice Cunha, Flora Rocha, Jell Oliveira, Lineu Gabriel, Luana Coelho, Saulus Bomfim, Theo Charles e Uerla Cardoso.
O espetáculo “Idas e Vindas Secas” foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
IDAS E VINDAS SECAS
Quando: 09, 10, 11, 16, 17, 18, 23, 24, 25, 30 e 31 de outubro (sexta, sábado e domingo), às 20h
Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Ingressos disponibilizados: 88 ingressos inteiras e 58 ingressos meia-entrada.
Produção: Cia Buffa de Teatro e Souz Produções
VENDAS
Os ingressos para o espetáculo podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Castro Alves (informações em www.ba.gov.br/tca/bilheteria) e no site da Sympla (www.sympla.com.br).
MEIA-ENTRADA
A concessão da meia-entrada é assegurada em 40% do total dos ingressos disponíveis para o evento. Estejam atentos! O Teatro Castro Alves cumpre a Lei Federal 12.933/2013, a Lei Estadual 14.765/2024 e a Lei Municipal nº 9.763/2023, que determinam que a comprovação do benefício de meia-entrada é obrigatória para aqueles que gozam deste direito.
Saiba mais em www.ba.gov.br/teatrocastroalves/meia-entrada
REGRAS DE OCUPAÇÃO
Os espetáculos na Sala do Coro começam pontualmente e não é permitida a entrada após o início da sessão. A ocupação ocorre por ordem de chegada, não sendo permitida circulação ou permanência em pé, exceto em formatos específicos. Não é permitida a entrada com bebidas, alimentos, capacetes ou outros objetos que interfiram na visibilidade do público. Solicitamos que os telefones celulares permaneçam desligados ou em modo avião, que seja evitado qualquer ruído durante a apresentação.
Saiba mais em https://www.ba.gov.br/tca/iniciativas/sala-do-coro