Ouro de Joice Silva reluz na coletiva do Mundial Wrestling

07/08/2015
A cada edição, os Jogos Pan Americanos apresentam surpresas para o esporte brasileiro. Foi assim que João Carlos de Oliveira, o saudoso “João do Pulo”, surpreendeu o mundo com um salto de 17.89m e ganhou medalha de ouro, em 1975, na Cidade do México; em 1987 com Joaquim Cruz que venceu a prova dos 800m nos Jogos em Indianápolis.

Agora, nem mesmo o mais fanático esportista que costuma acompanhar a maior competição do continente esperava a façanha da carioca Joice Silva, medalha de ouro na luta olímpica, no Pan de Toronto 2015, no Canadá. A lutadora brasileira conquistou o pódio após uma luta fantástica contra a cubana Yakellin Estornell, por 6x5, após estar perdendo por 5 a 0, na categoria até 58K.

Ainda comemorando o recente título, Joice foi a principal atração da entrevista coletiva, nesta sexta-feira 7, que marcou o lançamento do Campeonato Mundial de Wrestling Júnior, na Bahia. A competição começa nesta terça-feira 11, no Centro Pan Americano de Judô (CPJ), em Lauro de Freitas, e termina dia 16 (domingo).

Importância - Bastante assediada pelos jornalistas, Joice Silva falou sobre a importância do Mundial Júnior para fortalecer a luta olímpica no Brasil e elogiou o esforço do Governo da Bahia para trazer o evento para o país.

“Acredito que o Mundial e a medalha que conquistei no Canadá possam despertar o interesse do público de um modo geral e atrair, principalmente, crianças e jovens, revelando novos valores para esta modalidade que ainda é desconhecida no Brasil”, avalia.

Nascida em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), filha de uma família de classe média, Joice Silva confessa que nunca passou por dificuldades, mesmo quando perdeu o pai aos 16 anos. Mas reconhece que o esporte lhe ajudou muito, principalmente na questão da disciplina e da responsabilidade.

Apaixonada por esportes desde criança, Joice Silva praticou futebol e basquete nas aulas de Educação Física, onde também fez Jiu-Jitsu até os 19 anos, quando mudou para a luta olímpica.

“A passagem de modalidade esportiva aconteceu de forma natural, quando meu treinador recomendou a luta olímpica para aprimorar as técnicas em pé. Gostei tanto que acabei mudando de esporte”, disse com um sorriso onde deixa claro a sua convicção no acerto da troca.

Joice mora com a mãe, um irmão e um sobrinho. Durante muito tempo representou a Universidade Gama Filho e hoje, por causa da luta olímpica tem a patente de 3º Sargento da Marinha. “Além do meu salário como oficial da Marinha recebo ainda a Bolsa-Pódio do Governo Federal para me dedicar somente aos treinamentos”, explica.

Olimpíadas - O ouro inédito no Pan-Americano de Toronto transformou a vida de Joice. Mas ela diz não ter muito tempo para comemorar porque o próximo passo agora é garantir vaga nas Olimpíadas Rio 2016.

“Tenho que participar de duas seletivas. A primeira será agora, em setembro, durante o Campeonato Mundial, em Las Vegas nos Estados Unidos. Por isso tenho que continuar me dedicando, treinando forte para poder garantir a vaga. Já competi nas Olimpíadas de Londres e não quero ficar de fora dos Jogos do Rio de Janeiro”, afirma.

A conquista em Toronto só fez fortalecer o sonho de Joice por medalha olímpica. “Tenho paciência e perseverança como as minhas principais armas. As seis primeiras colocadas garantem vaga no Mundial, mas eu penso grande e vou lutar pelo pódio nos Estados Unidos”, garante.

Aliás, determinação é o que não falta à lutadora brasileira e isso ela provou durante a disputa do ouro em Toronto, quando estava perdendo por 5x0 e conseguiu a virada por 6x5. “Meu lema é nunca desistir. Lutar sempre acreditando e correndo atrás do objetivo. Nunca perco a fé. E por isso a vitória aconteceu de forma tão emocionante”, finaliza.


Ascom Setre
07.08.2015
Antonio Luiz Diniz – DRT 1200