21/08/2015
Ojás, camisu e calças foram algumas peças da vestimenta do candomblé apresentadas na noite dessa quinta-feira 20, no desfile que marcou o encerramento do projeto 'Richelieu e Bordados Ancestrais', no Instituto Goethe, em Salvador. As roupas são o resultado do projeto, e foi confeccionadas pelas beneficiadas, capacitadas durante seis meses.
Um dos 54 beneficiados pelo Edital de Apoio aos Empreendimentos de Matriz Africana da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o projeto visa resgatar, produzir e comercializar bordados antigos da Bahia, com ênfase no richelieu, numa rede de seis terreiros de candomblé, capitaneados pelo Ilê Axé Ya Onira, em Brotas, formando o núcleo produtivo, e os núcleos comerciais com os outros cinco terreiros. No total, foram beneficiadas trinta mulheres, a maioria integrante dos terreiros beneficiados.
“O Edital tem um investimento global de R$ 9 milhões, e possibilita a autonomia econômica de comunidades, além de fortalecer manifestações culturais”, afirma o superintendente de Economia Solidária da Setre, Milton Barbosa.
Marivete da Silva, 36 anos, uma das beneficiadas pelo Projeto, já tem encomendas de peças em Richelieu. “Fico feliz, entrei no curso sem nunca ter manuseado uma máquina; agora, já vou começar a ganhar dinheiro com o meu trabalho”, relata.
Exposição - No próximo dia 22, o público poderá adquirir as peças feitas pelas artesãs em uma feira que vai acontecer na sede do Ilê Axé Yá Onira, das 10 às 15h, com preços acessíveis. Nas duas iniciativas, a proposta é dar visibilidade aos primeiros trabalhos resultantes do projeto.
De acordo com o babalorixá Roberto de Iansã, que coordena o projeto, a técnica estava quase em extinção aqui na Bahia. “Atualmente, temos que comprar roupas feitas nos estados de Sergipe e Ceará. Por isso, acredito que as nossas alunas tenham um campo de trabalho grande”, confia.