24/08/2015
Manjericão, arruda, água de alevante e guiné são algumas das 25 espécies de plantas que começam a ser cultivadas em 12 terreiros de candomblé nos municípios de Salvador, Dias D`Ávila, Camaçari e Lauro de Freitas. A iniciativa é parte do Projeto Rede de Hortos para Beneficiamento de Plantas Medicinais e Litúrgicas (Rhol), beneficiado pelo Edital de Apoio aos Empreendimentos de Matriz Africana da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).
De acordo com o coordenador-executivo do Projeto, Alcides Santtos, os beneficiários receberam capacitação envolvendo educação ambiental, cooperativismo e agroecologia. “Além da liturgia, estamos formando uma cooperativa que vai beneficiar e comercializar essas plantas, seja na parte fitoterápica, cosmética e até mesmo na alimentação”, explica.
Passada a fase de capacitação, foi iniciado o plantio das hortas. “Antes dessa etapa, fizemos uma coleta e análise do solo, quando identificamos as deficiências de cada solo e fizemos as correções necessárias”, conta o engenheiro agrônomo do projeto, Fábio César Andrade. A equipe de técnicos é também formada por um biólogo e um farmacêutico.
Um dos terreiros que iniciaram a implantação da horta é o Ilé Axê Sufucian Undê, no bairro de Fazenda Grande, em Salvador. A líder da casa, a ialorixá Zelinha de Becen elogia a iniciativa. “Além do custo que é trazer as folhas das feiras livres e até de fora de Salvador, é necessário todo um ritual para coleta e manuseio dessas plantas, com o plantio em nossos terreiros, podemos fazer isso de uma forma mais correta”, comemora.
“O Projeto Rhol exemplifica o objetivo do Edital de Apoio aos Empreendimentos de Matriz Africana, que é o resgate e fortalecimento da cultura africana e a possibilidade de geração de trabalho e renda nessas comunidades, respeitando os conceitos da economia solidária”, avalia o superintendente de Economia Solidária da Setre, Milton Barbosa.
Matriz Africana – O Rhol é um dos 54 projetos beneficiados pelo Edital, que tem recursos no valor global de R$ 9 milhões. A entidade executora, a Organização Filhos do Mundo, recebeu da Setre R$ 722 mil para implantar a rede de hortos. Serão beneficiadas diretamente 60 famílias integrantes das comunidades tradicionais de terreiro de candomblé envolvidas nas ações do projeto.
Ascom/Setre
Tadeu Paz
24/08/2015