Santo Antônio de Jesus ganha galpão de costura e cozinha comunitárias

31/03/2016
Roupas e adereços, laços e arranjos, saias, batas e ojás (espécie de turbante). Algumas das principais peças do vestuário do povo afrobrasileiro foram apresentadas, na noite desta quarta-feira 30, pela comunidade rural de Baixa do Morro, distante 23 km do centro comercial de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano.

Produzidas pelo Projeto “Axó Odara: Rede Solidária de Trajes e Adereços do Axé” - da Associação Ylê Axé Yepandá Odé -, as peças foram apresentadas, em desfile, sob o rufo dos tambores do candomblé, que comemoravam a inauguração do galpão de costura e da cozinha industrial da instituição, fruto de convênio celebrado com a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).

VALORIZAÇÃO

Representando o governador Rui Costa, o secretário estadual do Trabalho e Esporte, Álvaro Gomes, foi enfático: “O Estado precisa valorizar esse trabalho de Economia Solidária, que aqui é desenvolvido por Mãe Nilza (yalorixá). Nós, da Setre, trabalhamos pela transversalidade das ações, procurando utilizar dos recursos em prol das comunidades menos favorecidas e fazendo mais com menos”.

Titular da Setre destacou o esforço que vem sendo feito pelo resgate e preservação da cultura afrobrasileira, “que é tão importante para todos nós quanto à geração de renda e trabalho em ações de empreendimentos desse segmento”, sintetiza.

Beneficiada pelas ações do Governo do Estado, a Associação Ylê Axé Yepandá Odé, formada por mulheres produtoras rurais, comemorou as duas conquistas proporcionadas pelo Edital 001/2014 de Apoio a Empreendimentos de Economia Solidária de Matriz Africana que aportou R$ 627 mil em recursos para construção e infraestrutura do galpão da costura e da cozinha comunitárias.

CONQUISTAS

Emocionada, a yalorixá Mãe Nilza disse: “Não é fácil trabalhar com o social. Às vezes, não encontramos o apoio das pessoas e nem o retorno dos pedidos. Mas, o Governo do Estado, através da Setre, acredita no trabalho que realizamos em defesa das conquistas sociais e nos deu esta ajuda pela via da Chamada Pública”.

Respeitada pela sua liderança combativa, Mãe Nilza continua: “Trabalhamos ainda para mostrar que o Candomblé tem a preocupação com o outro, mesmo que o outro não seja das nossas crenças e da nossa fé”. E revelou: “A Setre nos deu as máquinas de costura e toda infraestrutura como tecidos, linhas e agulhas. Agora, queremos oferecer cursos gratuitos à comunidade para homenagear a Dulce Ferreira Nascimento, minha mãe, que, até aos 86 anos de idade, ensinava Bordado de Barafunda”.

Dulcinha, como era conhecida pelos artesãos baianos, ensinava pelo extinto Instituto Mauá a transformar “buraco de roupas” em ponto de flores, bainha aberta, cravos, asa de mosca e outras tantas teceduras. Trabalho realizado pelas negras escravizadas nos tempos coloniais do Brasil. O galpão de costura homenageia o seu nome.

MATRIZ AFRICANA

Na Seleção Pública de 2014, o governo do Estado investiu um total de R$ 8,4 milhões em 35 projetos, beneficiando aproximadamente a 4 mil pessoas. O Edital 001/2014 teve como objeto geral de seleção as diferentes formas de manifestação e expressão presentes nos espaços socioculturais de Matriz Africana, tais como comunidades quilombolas, blocos afros e terreiros de religiosidade afrobrasileira.

A Associação Ylê Axé Yepanda Odé – uma das selecionadas - desenvolve desde 2012 o projeto “Tecendo Renda, Cultivando Esperança”, capacitando as mulheres através de oficinas de Modelagem e Corte e Costura, com cursos de duração de 200 horas. Atualmente, o grupo de artesãos está produzindo 800 peças para exposição, como etapa final do projeto. Toda renda será revertida para um Fundo Rotativo Solidário.



Ascom Setre
31.03.2015
Lício Ferreira – MTE –Ba 793