15/09/2016
Povos de terreiro, que cultivam religiões afrobrasileiras, ganharam nesta quinta-feira 15, um ateliê onde poderão encomendar vestimentas de uso diário e festas, com qualidade e preços justos, dentro do conceito da economia solidária.
Entregue pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o novo espaço funciona no Terreiro Pilão de Prata, no Alto do Caxundé, no bairro da Boca do Rio. Na iniciativa, o Governo do Estado, através da Setre, está investindo R$180 mil, com prazo de execução de 24 meses.
O Ateliê de Roupas Afrobrasileiras é um dos projetos classificados pelo Edital 001/2014, que visa apoiar entidades da sociedade civil sem fins lucrativos, no campo da formação e do desenvolvimento de empreendimentos e redes de economia solidária.
CAPACITAÇÃO
Secretário estadual do Trabalho e Esporte, Álvaro Gomes destacou o esforço do Governo do Estado em capacitar a população afrodescendente e, por extensão, estimular a geração de emprego e renda. E ressalvou: “Precisamos acabar preconceitos para que tenhamos uma sociedade mais justa, de paz social, e sem qualquer discriminação”.
Pai Air José de Souza, babalorixá do terreiro Pilão de Prata, saudou a todos pelo empenho na realização das oficinas de corte e costura e bordado, que vão manter o ateliê em funcionamento. “Aqui, as portas estarão sempre abertas para receber a todos os irmãos. Sejam eles ou não do axé”.
Coordenadora do projeto, a professora Tânia Silva comemorou a realização das oficinas, que acontecem a partir de 1º de outubro. “Mais de 80 pessoas se inscreveram, inclusive de Camaçari e Lauro de Freitas. Vamos atender 40 em duas turmas de 20 pessoas cada. As aulas serão sempre pela manhã, das 8h30 às 12h30”.
PARTICIPANTES
No projeto Ateliê de Roupas Afrobrasileiras, no âmbito de Matriz Africana, as costureiras e bordadeiras vão produzir roupas do candomblé, confeccionadas de forma artesanal. As peças serão comercializadas no memorial Lajuomim (no próprio espaço) e também em postos dos Centros de Economia Solidária – Cesol.
Segundo pai Air José de Souza as indumentárias e vestimentas do candomblé seguem hierarquias e devem ser respeitadas pelas tradições centenárias, originárias de uma religião milenar.
No ateliê serão produzidas saias, ojás (turbantes), pano de costa e camisu (camisa de ração) entre outras peças, que receberão bordados (barafundas) de richilieu, asa de mosca, roda de quiabo, bainha aberta entre outras habilidades a serem ensinadas pela mestra Itana das Neves.
CONTEMPLADOS
Alguns dos beneficiados pelo projeto, Valneidy dos Santos, Cecília de Oliveira, Aceli Menezes, Patrícia Veloso e Uéliton dos Santos comemoraram o resultado da seleção. “Vamos aproveitar a oportunidade, que nos é oferecida, e aprender uma profissão de muita dignidade”, afirmam.
15/09/2016
Ascom Setre
Lício Ferreira MTE-Ba 793