Setre e Dieese buscam saídas para aquecer emprego na Bahia

25/08/2016
Os desafios do mundo do trabalho na atual conjuntura econômica desfavorável, foram debatidos na manhã desta quinta-feira 25, por gestores/coordenadores da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), com representantes do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Objetivo do seminário, uma iniciativa da Setre, é promover uma otimização das políticas sociais da secretaria num contexto de retração da atividade econômica mundial, com reflexos diretos na geração de emprego no Estado.

Coordenadora de Estudos e Desenvolvimento do Dieese, Ângela Schwengber falou das políticas públicas em tempo de crise de emprego, enfatizando que a trajetória de crescimento econômico dos últimos anos estagnou em 2014 e, desde então, o país entrou em recessão econômica com a reversão e deterioração dos avanços sociais.

Supervisora Técnica do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias fez uma análise da atual conjuntura nacional e baiana, traçando perfis de setores produtivos. “Entre 2001 até 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento econômico à base de soluços, com exceção de 2009. Agora, pela primeira vez, teremos dois anos seguidos de decréscimo”, explica.

MULHER E NEGRA

Ana Georgina comentou que no período positivo do PIB, a Bahia crescia acompanhando o Brasil e até com um ritmo maior. “Com a queda, o único setor produtivo a amortecer o tombo foi o da Agropecuária”. Sobre o perfil dos desempregados, observou: “ela é mulher, negra e tem idade entre 16 e 24 anos, e o setor privado com carteira assinada é o que mais demite”.

Titular da Setre, secretário Álvaro Gomes elogiou a preocupação dos servidores no trato com o tema. “Vivemos uma situação extremamente complexa e desfavorável e precisamos saber em que terreno estamos pisando para tomar as medidas que possam minimizar ou reverter este momento de retrocesso”, afirma.

 “O resultado do encontro foi bastante positivo, pois podemos avaliar as políticas públicas que a Setre vem implementando ao longo dos anos, visando o incremento da geração de emprego e renda para os baianos”, destaca o secretário. 

Ângela Schwengber aponta uma saída: “o momento é bastante delicado e se aproxima de todas as mazelas vividas pela sociedade nos anos 80. Daí que precisamos fazer uma reflexão da economia e do mercado de trabalho na Bahia e repensar as ações de políticas públicas com novas diretrizes a serem tomadas, antes que se agrave a situação das famílias atingidas pelo desemprego”, destacou a técnica do Dieese.  

PERSPECTIVAS

Nas perspectivas traçadas durante o encontro, no auditório da Setre, o cenário da atual conjuntura, “é de risco e insegurança devido ao elevado desemprego e recessão econômica, com possibilidades de regressão na regulação trabalhista a partir de diversos projetos e propostas de alterações nas relações de trabalho, visando a flexibilização de direitos adquiridos pela classe trabalhadora”, advertiu Ana Georgina.  

Assessor da Setre e coordenador do Observatório do Trabalho da Bahia, Frederico Fernandes fez uma exposição das políticas públicas da Setre e abriu para debates.

As discussões dos técnicos do Dieese com os servidores da Setre mostraram um público antenado com os novos tempos e disposto a fazer mudanças de curso que possam atender aos desejos dos trabalhadores e empreendedores, com especial recorte na Economia Solidária.


25/08/2016
Ascom Setre
Lício Ferreira MTE-Ba 793