Trinta beneficiárias do projeto Ponto de Partida II receberam o certificado de qualificação em Culinária Natural nesta sexta-feira, 10, no Espaço Cultural de Alagados, em Salvador. O projeto é financiado com recursos do Fundo de Promoção do Trabalho Decente (Funtrad), vinculado à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), no montante de R$ 507 mil.
Em parceria com a OSC executora, Associação dos Moradores do Conjunto Santa Luzia, foram beneficiadas 180 pessoas, em sete turmas distribuídas em cinco cursos: cuidador de idosos, informática básica e intermediária, telemarketing, design gráfico e culinária natural.
Reaproveitamento de alimentos
O curso de culinária natural ensinou como aproveitar a parte dos alimentos que, usualmente, é descartada a exemplo da casca da banana, da batata doce ou aipim. A ideia é a de que o conhecimento deste manejo específico do alimento sirva para consumo próprio, mas também para gerar renda.
Uma das beneficiárias é Jucinara Ferreira Cerqueira, 49 anos, moradora do Uruguai. Com ensino médio finalizado em 2023, a cuidadora de idosos, agora, espera ter um ganho mensal produzindo alimentos, inicialmente, para seus clientes idosos.
“A palavra que eu tenho sobre esse curso é gratidão. Muita coisa que eu não sabia eu passei a saber, muitas coisas que eu jogava fora, aprendi a reaproveitar. Aprendemos que além e preservar a natureza, a gente preserva nossa saúde e economiza. Se a gente bem souber manejar os recursos de conhecimento, podemos ganhar muito dinheiro com isso, além de usar para consumo próprio os alimentos, nas nossas casas”, opina ela.
Social - Outra beneficiária, Savana Talita Silva Ferreira, 23 anos, ressaltou a importância dos valores sociais, que também foram contemplados em aulas teóricas durante o curso.
“Como ensinou a professora: a cada dia, 150 mil toneladas de comida são jogadas fora. No final, o que a gente joga fora, podemos reaproveitar para comprar um presente para nós mesmas já que a cada tonelada de comida podemos avaliar em R$ 1, então, estaremos economizando. Também tivemos aulas sobre temas sociais. Aprendemos a nos expressar, os direitos que temos, as leis, o racismo, o poder das mulheres. Foi muito importante tudo isso”, conta.
A professora Elaine Cristina da Silva Costa, disse que a experiência foi gratificante. “Durante todo o curso eu falei com elas sobre empreendedorismo, da questão do faça e venda. Dei orientações de como fazer, da maneira correta como manipular, como embalar, para que elas realmente tenham acesso a esse tipo de conteúdo e possam comercializar. O desperdício de alimento é uma grande realidade. E se a gente tem esse desperdício combatido diretamente nas bases, com as pessoas de baixa renda, é muito bom”, disse a professora responsável pelas aulas de culinária natural.