Artesanato da Bahia de luto com a morte da mestra Dona Cadu, de 104 anos

21/05/2024

O artesanato da Bahia está de luto. Morreu na madrugada desta terça-feira (21)  Ricardina Pereira da Silva, conhecida como Dona Cadu. A mestra artesã, de 104 anos, morava no distrito de Coqueiros, em Maragogipe, no Recôncavo Baiano.  

Dona Cadu era a ceramista mais velha em atividade, reconhecida internacionalmente pelo talento no manuseio da argila, do barro, criando peças como panelas e outros utensílios. De uma simpatia e alegria contagiantes, dona Cadu tinha sempre um sorriso no rosto, um abraço acolhedor e sabedoria para passar às novas gerações.

A artesã foi homenageada algumas vezes pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). A última durante o Festival da Cerâmica Maragogipinho, realizado em novembro do ano passado no município de Aratuípe. Dona Cadu foi uma das contempladas com a Carteira Nacional do Artesão  e o Prêmio Mestres e Mestras da Cerâmica, no valor de R$ 3mil. 

Outra homenagem foi durante a exposição Casa Artesanato da Bahia, realizada em março de 2023, no Shopping Barra. Dona Cadu veio especialmente de Maragogipe para Salvador. Com o sorriso de sempre no rosto, disse na época que se mantinha trabalhando todos os dias. “Só deixo de fazer cerâmica, quando morrer”.

Para o coordenador de Fomento ao Artesanato da Setre, Weslen Moreira, dona Cadu deixa um legado para o Artesanato da Bahia e vai deixar uma saudade imensa. “Além de mestra artesã renomada, dona Cadu encantava a todos com sua alegria, vitalidade e sabedoria”, disse. 

 

 

Doutora Honoris Causa

Entre as tantas homenagens, a artesã recebeu, em 2021, o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (UFBa).No documento de solicitação de outorga, apresentado pelo professor Carlos Alberto Etchevarne ao colegiado da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBa, que aprovou a concessão, diz que Dona Cadu “representa claramente a figura de mestre de saberes populares, fiel a seus conhecimentos técnicos, gestos e dizeres tradicionais, trabalhando como louceira desde criança”.

Além de artesã, dona Cadu formou na comunidade de Vila de Coqueiros, em Maragogipe, um grupo de samba de roda e participava ativamente compondo sambas, cantando e sambando nas festas da região.