A tradicional Feira dos Caxixis, realizada anualmente durante o período da Semana Santa, no município de Nazaré, Recôncavo Baiano, ganhará novo fôlego a partir de 2025, em razão de uma parceria entre o município e o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), através da Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA). A Feira acontecerá entre 18 e 21 de abril.
O secretário da Setre, Davidson Magalhães, reuniu-se nesta segunda-feira, 04, com o prefeito eleito de Nazaré, Benon Cardoso, e representantes da CFA, para discutir o projeto que visa a criação de um “corredor do artesanato”, formado pelos municípios de Nazaré, onde são comercializadas as peças artesanais, e Aratuípe, mais especificamente o distrito de Maragogipinho, maior polo produtor de cerâmica artesanal do estado.
“A Feira dos Caxixis é um grande referencial e, infelizmente, o prefeito [que deixará o cargo] se recusava a participar, a ter uma parceria com o Governo do Estado. Vamos iniciar um trabalho extremamente articulado com a prefeitura municipal e iniciar, agora em dezembro, um cadastramento de artesãos e artesãs de Nazaré. Vamos criar ali um grande corredor de artesanato com Maragogipinho e Nazaré, fortalecendo essa marca do Artesanato da Bahia, gerando emprego e renda e fortalecendo a nossa cultura”, disse o secretário Davidson Magalhães.
O recadastramento dos artesãos de Nazaré começa na primeira semana de dezembro, com apoio da CFA. “Já existem artesãos de Maragogipinho, que são os artesãos da cerâmica, e nós temos os artesãos populares de Nazaré também, que mexem com uma série de artesanatos como bonecos, bolsas e outras peças”, diz o prefeito eleito de Nazaré, Benon Cardoso. “Com a parceria do Governo do estado a gente vai dar um upgrade na festa. Vamos fazer com que a feira tenha outro padrão, como está sendo feito em Maragogipinho, pela Setre, fortalecendo a Feira dos Caxixis”, disse, ainda o prefeito eleito.
História
A cerâmica comercializada anualmente na Feira dos Caxixis é produzida em Maragogipinho, em uma tradição estimada em mais de dois séculos. “Sua existência perdeu-se no tempo, sem ainda ter encontrado registros históricos que comprovem o seu início, estimando mais de duzentos anos de realização segundo depoimentos de mestres e pessoas da localidade”, informa o texto da pesquisadora baiana Iacanã Simões, a partir do estudo ‘A Cerâmica Tradicional de Maragogipinho’ [1] .
Nazaré se destacava como um centro comercial do Recôncavo, no final do século XIX até meados do XX, servindo como base para a exposição e venda das cerâmicas produzidas na região, além de produtos originários de Nazaré, como a famosa farinha de copioba, responsável pelo apelido da cidade: Nazaré das Farinhas.
Originalmente, a grande feira recebia os artesãos com seus caxixis, que é o nome dado a miniaturas de louças, medindo entre 2 cm a 8 cm, “fazendo parte do grupo das miuçálias, processo ligado ao ciclo de aprendizagem da cerâmica de Maragogipinho, antes de se tornar um oficial de torno” [1]. Com o tempo, o artesanato foi se sofisticando e ganhando outros contornos, mas o nome da feira foi mantido. A Feira dos Caxixis é a mais antiga feira de cerâmica do País.
[1] SIMÕES, Iacanã. Dissertação de Mestrado, Escola de Belas Artes da UFBA, 2016