Na última terça-feira (28/02), Salvador foi palco da Caminhada 'Diga Não ao Trabalho Escravo', uma mobilização promovida pela Câmara Temática do Eixo Erradicação do Trabalho Escravo da Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (COETRAE-BA). O ato reuniu cerca de 100 pessoas, entre dirigentes sindicais, trabalhadores de diversas categorias e representantes de instituições envolvidas na causa.
A concentração começou às 16h, na lateral da Igreja da Vitória, no Corredor da Vitória, onde foram confeccionados cartazes com mensagens de conscientização. Às 17h, os manifestantes seguiram em caminhada até a Praça do Campo Grande, onde ocorreu um ato político-cultural, marcado por discursos, apresentações artísticas e intervenções institucionais.
A programação incluiu uma homenagem à Chacina de Unaí, promovida pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho do Estado da Bahia (SAFITEBA), além de performances do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Estado da Bahia (SINDOMÉSTICO). O evento também contou com depoimentos de trabalhadores resgatados do trabalho escravo e abordou a campanha "Sônia Livre", que busca dar visibilidade às condições enfrentadas pelos trabalhadores domésticos.
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos, ressaltou a importância de mobilizações como essa para a erradicação do trabalho escravo:
"Vejam que absurdo: apenas em 2023, mais de 3 mil trabalhadores foram resgatados dessa condição no Brasil. Infelizmente, essa ainda é uma realidade frequente na Bahia. Nos últimos quatro anos, mais de 400 pessoas foram resgatadas no estado. Precisamos encarar o enfrentamento ao trabalho escravo como uma política pública permanente, garantindo condições e oportunidades no pós-resgate, para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas com dignidade. A Agenda Bahia do Trabalho Decente tem, entre seus eixos, o enfrentamento ao trabalho escravo. Nossa secretaria, em conjunto com outras pastas e o governo do estado, atua lado a lado com o Ministério para mudar essa realidade."
A caminhada integrou a Agenda Bahia do Trabalho Decente (ABTD) e reforçou a necessidade de ampliar a articulação entre o poder público e a sociedade civil para combater essa grave violação dos direitos humanos. O evento contou com a presença de instituições como a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), o Ministério Público do Trabalho (MPT-BA) e a Defensoria Pública da União (DPU)