Nada menos que R$ 3.345.212,50 milhões foram movimentados durante os cinco dias do Brasil Nordeste - 1º Festival de Economia Popular e Solidária, que aconteceu no Centro de Convenções de Salvador entre 07 e 11 de maio. Mais de 40 mil pessoas circularam nos espaços do evento, que contou com feira, painéis e shows musicais, além de apresentação de manifestações culturais.
O festival foi uma realização do Consórcio Nordeste em parceria com o Governo da Bahia por meio das secretarias do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e Desenvolvimento Econômico (SDE).
Mais de 500 empreendimentos da Bahia (com representação dos 27 Territórios de Identidade) e dos outros oito estados do Nordeste, tiveram a oportunidade de comercializar produtos oriundos da economia solidária como alimentos (chocolates, sorvetes, queijos, carnes), bebidas, artesanato, vestimenta e acessórios diversos. A movimentação financeira representa mais renda distribuída nos Territórios e estados da região.
Painéis – O festival contou com oito painéis cujas apresentações de pesquisas acadêmicas ou ações de iniciativa de administrações públicas ou organizações sociais, geraram documentos síntese os quais devem subsidiar a construção do Plano Estadual de Economia Solidária (86 delegados participaram do debate) e políticas públicas no âmbito do Consórcio Nordeste.
Um outro destaque foi a entrega da versão preliminar do Plano Nordeste de Transformação Ecológica a um representante do Ministério da Fazenda, cujo documento final será integrado ao Plano Nacional de Transformação Ecológica, que deve ser apresentado pelo Governo Federal na COP-30, que acontece no mês de outubro, em Belém. Ao todo, foram mais de 50 entidades participantes (acadêmicas e organizações sociais).
Visibilidade – O secretário da Setre, Augusto Vasconcelos, enfatizou que o evento foi um sucesso. “Os bons números do Festival da Economia Popular e Solidária consolidam a Bahia como referência da política pública de economia solidária e popular. Em nosso estado, temos fortalecidos pequenos empreendimentos, por meio do programa de microcrédito, incrementando as ações de arranjos produtivos locais, com foco na sustentabilidade ambiental, responsabilidade social, trabalho decente, valorização da presença das mulheres e também das pessoas com deficiência e a garantia do comércio justo, que são pilares desse segmento fundamental para assegurar desenvolvimento com inclusão social”, disse Vasconcelos.
O gestor da Superintendência de Economia Solidária e Cooperativismo da Setre, Wenceslau Junior, disse que o festival cumpriu o objetivo proposto.
“O objetivo era reunir as experiências mais significativas do Nordeste para a troca de práticas na Economia Solidária, ao mesmo tempo dar visibilidade a essa política pública que, às vezes, ficava um pouco de canto, precisava ter visibilidade e demonstrar para o Nordeste e para o País que é possível construir caminhos alternativos de desenvolvimento econômico que tenham no centro desses projetos a preservação da vida, um respeito ao meio ambiente, uma convivência harmoniosa com a natureza”, disse o superintendente.
Outras questões como gênero e raça também são caras à economia solidária, “sem perder de vista a inclusão socioeconômica das pessoas que não estão no mercado formal de trabalho, mas que precisam gerar emprego e renda para sobreviver”, ressalta Wenceslau Junior.
A próxima edição do Festival deve acontecer em outro estado da região, como foi pactuado no âmbito do Consórcio Nordeste, contudo, a Bahia segue realizando seus festivais, de tamanho mais reduzido, mas que demonstram o conjunto da obra da economia solidária desenvolvida em cada território de identidade do estado.
Outras ações – Aproximadamente 90% dos resíduos sólidos gerados durante o festival foram recolhidos e seguiram para rede de cooperativas, oportunizando trabalho e renda para as cooperativas e catadores. Um total de 6 mil refeições foram servidas aos expositores da feira e demais trabalhadores, por meio da rede de alimentação da Economia Solidária.
O festival contou com manifestações populares como maracatu, Coral de Vaqueiros, capoeira, entre outras representações da cultura popular que se apresentaram nos intervalos entre painéis e shows musicais. No palco do Festival Nordeste de Economia Popular e Solidária subiram nomes da Bahia como Del Feliz, Laiô e Pedro Pondé, e de outros estados como Chico César (Paraíba), Otto (Pernambuco), Juliana Linhares (Rio Grande do Norte), entre outros.