Um grupo de jovens negros e negras da comunidade de Sussuarana, bairro popular de Salvador, participaram da aula inaugural do projeto Egbé, nesta terça-feira, 9, um dos 57 selecionados no último edital do Fundo de Promoção do Trabalho Decente – FUNTRAD, que conta com aporte total de R$ 34 milhões. O fundo é uma política pública gerida pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) no âmbito da Agenda Bahia do Trabalho Decente (ABTD).
São 105 jovens da localidade que serão qualificados nos cursos profissionalizantes de Estética Afro e Produção Cultural; Audiovisual e Fotografia e Percussão e Produção Musical. A execução é da Organização da Sociedade Civil (OSC) Centro de Direitos Humanos Franco Pellegrini (CEDHU), idealizadora do projeto contemplado com R$ 600 mil. O prazo de execução é de 10 meses.
O evento contou com a presença do secretário da Setre, Augusto Vasconcelos e da secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, cuja pasta se relaciona com um dos propósitos definidos no edital 2024 do FUNTRAD que é o combate ao racismo a partir do trabalho decente.
O fundo é alimentado com recursos oriundos de multas e indenizações de ações e acordos no âmbito da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho. Ou seja, o dinheiro sai do bolso de empresas e pessoas físicas que descumpriram a legislação trabalhista para ser investido em ações em prol do trabalho decente.
Esperança - O secretário da Setre, Augusto Vasconcelos, enfatizou a importância da política pública para as pessoas.
“Esse recurso está sendo ressignificado em projetos que querem plantar a esperança. Isso é algo muito extraordinário porque significa transformar a dor em esperança. Então, quando fazemos um projeto aqui na comunidade, para a gente é muito importante (...). É um trabalho de oportunizar geração de renda. Tenho certeza que esse projeto será um dos melhores financiados que vamos dar apoio com o Fundo de Promoção do Trabalho Decente”, disse Vasconcelos.
Para Maria Luísa, 16 anos, aluna do curso de Estética Afro, o curso vai ajudar a desenvolver-se profissionalmente. “Penso que futuramente vai me ajudar muito financeiramente. Esse projeto é incrível e quero que tenha novas oportunidades de acontecerem projetos assim aqui em Nova Sussuarana”, disse a jovem.
Uma das fundadoras e vice-presidenta do Centro de Direitos Humanos Franco Pellegrini (CEDHU), Antônia Elita Santos, disse da importância do projeto para o bairro.
“Aqui no nosso bairro a gente não tem essas qualificações e é a primeira vez que a gente tem um projeto de grande porte aqui no nosso bairro, na nossa comunidade, na nossa instituição. E foi muito difícil, a seleção foi bastante concorrida, mas conseguimos e pra gente é um privilégio saber que fomos selecionados e estamos nessa corrida. Com certeza esse projeto vai mudar a vida de várias pessoas, porque quando a gente na mudança da vida de um jovem a gente está falando na mudança na vida da família porque quando o jovem consegue um emprego, a família vai junto com eles”, disse a gestora.
O Centro de Direitos Humanos Franco Pellegrini (CEDHU) existe há 11 anos e tem atuação importante no bairro de Sussuarana com projetos na área da educação.
Veja fotos da aula inaugural no Flickr da Setre: https://flickr.com/photos/setrebahia/albums/72177720328941638