Força-tarefa liberta trabalhadores em condição análoga ao trabalho escravo

20/11/2015
Quinze trabalhadores rurais que trabalhavam em condições análogas a de escravo foram resgatados nesta quinta-feira 19 durante uma operação no município de Entre Rios, a cerca de 130 quilômetros de Salvador. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, eles trabalhavam em condições subumanas.

Na operação, um representante da granja onde os homens trabalhavam foi detido e levado até a sede da Polícia Federal, em Salvador, onde os trabalhadores também prestaram depoimento.

De acordo com relatos dos trabalhadores, eles estavam na fazenda há quatro meses e recebiam R$ 20 reais por tonelada de excremento de galinha. A carga era carregada em caminhões, para, posteriormente, servir como adubo e fertilizante.

“A gente acordava às 3 horas da manhã, descansava um pouco, no horário que o sol estava muito forte, depois não tinha horário pra parar, já que a gente ganhava por produção”, relata José Arnaldo dos Santos, um dos trabalhadores resgatados.

“Encontramos os trabalhadores em situação extremamente degradante. O alojamento, que fica a 10 metros da granja, não tem paredes, o único banheiro não tem chuveiro nem sistema de esgoto. O chão da cozinha estava coberto de moscas, por conta da proximidade com a granja”, relatou o chefe da Seção de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal na Bahia, Marcos França.

Resultado de uma operação conjunta, que envolveu a Polícia Rodoviária Federal, secretarias estaduais de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Ministério Público do Trbalho, além de outras entidades, a ação é parte da Oficina temática de Direitos Humanos, realizada no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Feira de Santana.

“A oficina discutiu entre os temas Abuso Sexual e Violência contra a Criança e o Adolescente, Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo. A iniciativa tem o intuito de mobilizar e capacitar a rede local para a prevenção e enfrentamento a esses crimes”, destaca coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da SJDHDS, Admar Fontes Júnior.