Setre destaca o Dia de Prevenção e Conscientização das LER/Dort

01/03/2016
O Dia Internacional de Conscientização Sobre a Prevenção das LER/Dort, comemorado no último domingo 28, foi criado em fevereiro de 2000 em função do grande número de trabalhadores acometidos com Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort).

O aumento de trabalhadores com LER/Dort é explicado pelas transformações do trabalho e das empresas que se preocupam mais com metas e produtividade, particularmente com a qualidade dos produtos e aumento da competitividade de mercado, sem levar em conta os trabalhadores e seus limites físicos e psicossociais.

Às exigências psicossociais não compatíveis com características humanas, nas áreas operacionais e executivas pautadas hoje pela intensificação do trabalho, aumento das jornadas, prescrição rígida de procedimentos terminam prejudicando a saúde dos trabalhadores.

Algumas das categorias profissionais mais atingidas são os bancários e trabalhadores dos setores de indústrias, comércio e serviços, principalmente os caixas de supermercados e bancos.

Este tipo de problema aumentou a partir das transformações ocorridas no mundo do trabalho nas décadas de 80 e 90, principalmente em função da maximização dos lucros e exigências de aumento da produtividade, redução das pausas e da falta de autonomia dos trabalhadores sobre o seu processo de trabalho.

Reconhecimento

No Brasil houve dificuldades de reconhecimento da doença pelas empresas e pela Previdência Social. Só em 1988 o INSS emitiu a Ordem de Serviço 606, conceituando as Lesões por Esforços Repetitivos como uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não por alterações objetivas. Inclui-se a partir deste momento o termo Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) na comunidade acadêmica.

Somente a partir deste reconhecimento os casos de adoecimento por esta patologia foram subnotificados pelos serviços médicos, seja das empresas, do serviço público de saúde, ou dos planos de saúde privados e descaracterizados pela perícia médica, o que tornou o tratamento mais complicado e as possibilidades de reabilitação mais remotas, havendo inúmeros casos de trabalhadores que foram aposentados por não apresentar condições de retorno à vida laboral.

A partir do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), que foi uma resposta da Previdência Social aos movimentos sociais de trabalhadores, incluindo os acometidos por LER, houve um maior reconhecimento dos casos por parte da Perícia Médica.

Apesar disso persistem os problemas: seja no reconhecimento por parte dos peritos e serviços médicos das empresas, ou ainda, no manejo dos casos de retorno ao trabalho pela Previdência Social e pelas empresas, principalmente no que se refere à readequação dos postos de trabalho.

Pior de tudo é que a patologia passou a ser uma coisa natural, como se esta síndrome fosse uma ocorrência normal e não uma doença que pode ser evitada, e, tem nas relações de trabalho autoritárias e sem respeito aos limites do corpo a sua principal origem.

Agenda Bahia

Segundo o Secretário do Trabalho Álvaro Gomes, responsável pela Agenda Bahia de Trabalho Decente, isto que está ocorrendo hoje chama a atenção e precisa servir de alerta para evitar que este tipo de comportamento continue acontecendo. “Precisamos estar vigilantes para dar um basta e dizer não a naturalização do adoecimento pelo trabalho”.

Titular da Setre disse que: “Precisamos de relações democráticas e que os patrões respeitem a ergonomia nos locais de trabalho. O dia 28 de fevereiro serve para alertar e repensar este modelo de fomento às metas e produtividade, prejudicando a saúde dos trabalhadores”.

Secretário Álvaro Gomes ressalta ainda que é preciso uma luta constante para acabar com este grave problema. “O alerta não se restringe aos trabalhadores, mas a todos aqueles que lidam com esta temática: entidades sindicais, associações, operadores de direito, pesquisadores, profissionais da saúde e outros”.

Ele lembra ainda a necessidade de se cobrar do Congresso Nacional também uma posição de defesa da classe trabalhadora e ressalta a importância do papel fiscalizador do Estado, reforçando suas equipes para coibir os abusos cometidos pelas empresas que vêm causando danos à saúde física e psicológica dos trabalhadores, materializadas pelo crescimento dos casos de assédio moral no trabalho, dos quais os portadores de LER/DORT são vítimas frequentes.

“São necessárias a adoção de medidas eficazes para reverter os problemas e a responsabilização das empresas pelos danos causados aos trabalhadores. A Setre, que tem a importante responsabilidade da gestão da Agenda Bahia do Trabalho Decente, tem buscado ofertar os serviços garantidos na legislação de amparo ao trabalhador”, disse o titular da Setre;

Tipos de LER

-Tendinites (inflamações nos tendões),

- Picondilites (inflamações nos cotovelos),

- Síndrome do túnel do carpo (inflamação no punho), etc.

Causas do adoecimento:

Movimentos repetitivos;

Postos de trabalho inadequados (ex: cadeiras, mesas ou bancadas impróprias) que levam o trabalhador a permanecer em posturas incorretas;

Atividades de trabalho que exigem força;

Vibração;

Ferramentas de trabalho inadequadas (ex: tesouras, alicates e outros);

Ritmo de trabalho intenso;

Horas-extras;

Pressão das chefias e exigência de produtividade (metas de produção) e qualidade.

Queixas mais comuns:

Dor

Sensação de peso e cansaço

Inchaço

Formigamento e adormecimento

Choque

Aumento de suor

Falta de força nas mão

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Ascom Setre 
01.03.2016
Antonio Luiz Diniz DRT 1.200