No mesmo final de semana em que a santa baiana Dulce dos Pobres foi homenageada com uma grande missa na Fonte Nova, os sinos de duas catedrais de Salvador voltaram a soar. A Igreja do Rosário dos Pretos, no sábado (19), e a da Graça, no domingo (20), celebraram missa para agradecer aos patrocinadores da restauração e entregar à comunidade os instrumentos, que passam a funcionar com o sistema italiano de automatização eletromagnética.
"Queremos render graças a Deus porque os nossos sinos voltaram a tocar e pelas pessoas generosas que compreendem a sua obra", disse o padre Jonathan de Jesus, na missa que rezou, às 17 horas de sábado, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho.
A celebração, cujo clímax foi o toque dos sinos no horário do Angelus (18 horas), contou com a participação da cantora Matilde Charles, que interpretou a "Ave Maria" e o "Hino da África do Sul", considerado uma oração pelo continente africano.
Presente à cerimônia, o secretário estadual do Turismo Fausto Franco também participou da missa e da inauguração dos sinos na Igreja de Nossa Senhora da Graça, às 8 horas de domingo. A Secretaria do Turismo do Estado (Setur) promove uma campanha de restauração para que os sinos voltem a soar ao meio-dia e às 18 horas em igrejas do Centro da cidade.
"Esta é uma grande semana que começou no fim de semana passado com a canonização da Santa Dulce dos Pobres, homenageada hoje com uma missa na Fonte Nova. Ontem inauguramos os sinos da Igreja do Rosário dos Pretos e agora os desta Igreja da Graça, que tem tanta história", afirmou Fausto Franco durante a celebração.
Em seguida, ele agradeceu ao presidente da Academia de Letras da Bahia, Joaci Góes, a intermediação para o patrocínio da reforma dos sinos daquela igreja. Este, por sua vez, lembrou a importância histórica, cultural e religiosa que a Igreja da Graça possui no continente americano e o fato de o templo abrigar os restos de Júlia Fetal, assassinada com uma bala de ouro, em 1847, por haver rompido com o noivo, João Estanislau da Silva Lisboa.
"Esta história foi contada pelo escritor Pedro Calmon no livro 'A Bala de Ouro' - A História de Um Crime Romântico’", afirmou Góes.
"Celebramos com alegria a inauguração dos sinos que estavam parados há cerca de 20 anos e agradecemos a Deus e a todas as pessoas que se envolveram nesse projeto", disse o arquiabade do Mosteiro de São Bento, dom Emanuel d'Able do Amaral, na celebração da missa na Graça.
A cerimônia contou também com as presenças do radialista Mário Kertész, do navegador Aleixo Belov, do engenheiro Lourenço Muller e do presidente da Câmara de Turismo da Baía de Todos-os-Santos, Moysés Cafezeiro, dentre outros. Da Secretaria do Turismo do Estado estiveram presentes às inaugurações o diretor Jorge Ávila, o historiador Rafael Dantas e o responsável pelo Turismo Religioso na Setur, o técnico José Tito.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi construída no século 18 por negros escravos e alforriados. A Igreja de Nossa Senhora da Graça foi edificada em 1645, no local da primitiva ermida da índia Catarina Paraguassú.