Programa Água Doce incentiva o empreendedorismo em comunidades rurais do semiárido

23/08/2024

A expedição do Programa Água Doce (PAD) chega ao fim, nessa sexta-feira (23), mostrando que um futuro de transformação social, no semiárido baiano, está sendo escrito através da união e trabalho empreendedor das mulheres sertanejas. Durante três dias, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) conduziu uma equipe de gestores públicos em uma jornada para conhecer os projetos socioeconômicos idealizados e executados por seis comunidades rurais, onde o sistema de dessalinização do PAD é a principal fonte de água potável.

“A cada comunidade visitada, ficava mais evidente que a determinação dessas mulheres tem feito essa política pública transcender todas as barreiras, superando as expectativas geradas há dez anos, quando o PAD foi iniciado. A expedição atingiu seus objetivos de promover essa interação direta entre os gestores e as comunidades, para a troca de conhecimentos e, principalmente, com o compromisso de colocar essas iniciativas empreendedoras, que nos foram apresentadas, como pauta prioritária em todas as políticas dos órgãos aqui representados, impulsionando novas oportunidades de emprego e renda”, salientou a coordenadora estadual do PAD e técnica da Sema, Luciana Santa Rita.

Em seu primeiro contato com as comunidades beneficiadas pelo Programa Água Doce, a especialista da Casa Civil/BA, Érica Noronha, que atua no Programa Bahia Sem Fome, ficou encantada ao presenciar os impactos positivos do PAD na vida da população. “As experiências dessa expedição são a prova de que políticas públicas articuladas e integradas geram resultados estruturantes, transformando nosso estado e a vida das pessoas. Pudemos conhecer diversas iniciativas dessas comunidades rurais, que só foram possíveis graças ao acesso à água doce, a exemplo dos quintais produtivos, as agroindústrias geridas por coletivos de mulheres, a criação de peixes e muitas outras fontes de renda e dignidade para as famílias do nosso semiárido”.

Érica pontuou ainda que todas as iniciativas apresentadas serão levadas para análise da possibilidade de inclusão às linhas de atuação do Programa Bahia Sem Fome.

A água que alimenta e transforma vidas

Um grupo de mulheres residentes em uma região remota do semiárido, com histórico de escassez hídrica e desafios socioeconômicos, enxergaram uma oportunidade de negócio e renda após a chegada do sistema de dessalinização. Com a oferta regular de água potável elas tomaram a iniciativa e criaram a fábrica de doces e geleias ‘Carmélias’, uma pequena agroindústria localizada em Arapuá Novo, município de Jaguarari (400 km de Salvador).

Uma das lideranças da comunidade, Dona Telma Gonçalves, explica que algumas moradoras tinham feito um curso de beneficiamento de frutas, e desde então desejavam ter um espaço para a produção em escala. “A fábrica era um sonho que esbarrava na falta de água de qualidade. Com a instalação do PAD em nossa comunidade, vimos que aquele sonho poderia se tornar realidade, e assim se concretizou a Carmélias Doceria. Hoje temos equipamentos, espaço para produção e venda, também conseguimos os certificados necessários para   a comercialização em projetos do governo e nos mercados das cidades”.

Dona Telma conta que a doceria movimenta a economia local, contemplando as mulheres que estão trabalhando diretamente na fábrica assim como os demais moradores, pois as frutas e o leite utilizados são comprados de fornecedores da própria comunidade.

Em plena atividade, a Carmélias Doceria oferece uma variedade de produtos, tendo doce de leite tradicional, rapadura de banana, doce de banana sem adição de açúcar, cocada cremosa, geleia de umbu, dentre outras deliciosas opções.

PAD

A Bahia se consolidou como o estado com maior número de dessalinizadores entregues à população, um total de 291, beneficiando cerca de 160 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social residentes no semiárido baiano. Eram famílias que utilizavam água de carros-pipas ou sem tratamento e, que agora, contam com água de qualidade para o consumo diário.

Gerido nacionalmente pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o PAD possui um núcleo estadual coordenado pela Sema e que conta com a participação de várias instituições.

Na expedição estavam presentes de representantes do MIDR, da Embrapa, Casa Civil/BA, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Bahia Pesca e da Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos (Cerb).

Fotos: Matheus Lemos / Ascom Sema

Fonte
Fonte: Ascom Sema Fotos: Matheus Lemos