A Embasa está implantando um trecho de 1,5 quilômetro de tubulação em polietileno de alta densidade (PEAD), mais resistente do que a tubulação em ferro fundido, nas imediações de Águas Claras. Trata-se de um conduto forçado, solução encontrada pelos engenheiros para o principal e mais grave problema enfrentado pela empresa no prosseguimento das obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Salvador: a desordem urbana em zonas de expansão recente da cidade.
Dando continuidade à construção da bacia de esgotamento sanitário de Águas Claras, uma das três novas bacias que a Embasa está implantando em Salvador, a empreiteira contratada não pode implantar um interceptor no fundo do vale por onde passa a Via Regional porque o local foi ocupado de forma espontânea e irregular.
De acordo com o gerente da obra, o engenheiro da Embasa, Carlos Emílio Martinez da Motta, interceptores são tubulações de grande diâmetro que recebem os esgotos coletados por gravidade e conduzem esse efluente até uma estação de tratamento. “Essas tubulações normalmente são instaladas em fundos de vale e essas áreas, em quase todo o subúrbio e periferia de Salvador, foram ocupadas sem planejamento nem investimento em infraestrutura urbana, a exemplo de drenagem pluvial e arruamento”.
Diante dessa dificuldade, os engenheiros da Embasa optaram por bombear os esgotos coletados em Águas Claras até um conduto forçado, com tubulação em PEAD, para que essa tubulação conduza esse efluente até a estação de condicionamento prévio do sistema de Jaguaribe, do qual faz parte o emissário submarino da Boca do Rio.
A construção das três novas bacias de esgotamento sanitário de Salvador vai beneficiar cerca de 400 mil pessoas na capital e deve ser concluída até 2013. Segundo Carlos Emílio, em algumas áreas semelhantes à da Via Regional, soluções como o conduto forçado terão que ser pensadas, visando cumprir os cronogramas estabelecidos.
Com investimento de R$ 120 milhões, as novas bacias de esgotamento sanitário do Trobogi, Cambunas e Águas Claras beneficiarão mais de 300 mil pessoas que moram em bairros densamente povoados. Elas terão mais de 470 quilômetros de tubulação em diâmetros variados e seis estações elevatórias (bombas) para atender os bairros de Águas Claras, Cajazeiras, Vila Canária, Castelo Branco, Valéria, Jardim Esperança, Sete de Abril, São Marcos, Trobogi e Canabrava.
Isso vai garantir que os moradores dessas áreas tenham coleta, tratamento e destinação final adequada dos esgotos domésticos. Depois de coletados, os efluentes dessas novas bacias serão conduzidos até a Estação de Condicionamento Prévio do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (emissário submarino da Boca do Rio), inaugurada em maio de 2011.