Quem pensa que o Pelourinho é somente festa está enganado. O local reserva muitas histórias guardadas nas fachadas dos antigos casarões e uma agitada vida artística e cultural, com espetáculos musicais, peças de teatro, exposições de pinturas, museus, arte popular, bares e restaurantes, inclusive da gastronomia baiana.
Além dos seculares imóveis, as ruas e praças do antigo bairro revelam uma época áurea em que Salvador foi capital do Brasil. Andando por elas, turistas e baianos se deparam com o conhecimento impregnado em cada canto do Centro Histórico de Salvador, reconhecido como patrimônio mundial da humanidade.
Na praça 15 de Novembro, mais conhecida como Terreiro de Jesus, é possível encontrar características urbanas dos séculos passados. No centro da praça, um chafariz de origem francesa (1855), todo em ferro fundido, representa a deusa Ceres, da agricultura.
Arte barroca
Na mesma praça, igrejas antigas, como a Catedral Basílica e a Igreja de São Francisco (com paredes internas revestidas em ouro), chamam atenção pela grandeza e arquitetura em estilo barroco. Construída no século XVI, a Catedral Basílica, integrante do antigo Colégio dos Jesuítas, foi uma das primeiras edificações de Salvador, sendo considerada a mais rica de toda a arte barroca luso-brasileira.
“Gosto muito de visitar as igrejas porque elas retratam uma época do Brasil que não conhecíamos. É interessante como a história está detalhada na arquitetura, nas paredes, nos altares, nos objetos de prata. É como voltar ao tempo”, afirmou a carioca Tatiana Arantes, 24 anos.
Na igreja de São Francisco, a história é contada logo na entrada, por meio de painéis que representam a ordem fransciscana. Na parte interna é possível observar 1.200 quilos de ouro distribuídos nos detalhes das paredes, teto e altar, que atraem a atenção de baianos e turistas de todo o mundo.
O argentino Marcelo Monzon, 26 anos, que visita a Bahia pela primeira vez, afirmou que se impressionou com a Igreja de São Francisco. “Ainda não conheci nada parecido em nenhum outro lugar que já visitei. Na Argentina, também, não há uma igreja tão bonita. Muito bela. Impressionante”, disse.
Museu a céu aberto
O guia turístico Jorge Santos informa que muitos visitantes vêm a Salvador para conhecer o conjunto arquitetônico do Centro Histórico. Ele, que há 26 anos auxilia os turistas pelas ruas da capital baiana, aponta o Pelourinho como um dos locais da cidade que concentra um grande acervo patrimonial.
“Não há outro lugar da cidade com uma concentração tão grande de prédios seculares e museus. Esse conjunto arquitetônico atrai muitos turistas focados em conhecer a história da Bahia e do Brasil. O Pelourinho é um museu a céu aberto que oferece atrações diversificadas para todos os públicos”, ressaltou.
Artesanato
Com tanta história e cultura para conhecer, vale, então, passar em um dos museus do Centro Histórico de Salvador e se aprofundar em algum assunto ou conferir de perto uma das exposições.
No Museu Tempostal, as mostras ‘A arquitetura religiosa na Bahia’, ‘Pelos caminhos de Salvador’ e ‘Bahia, Litoral e Sertão’ retratam a capital da Bahia e áreas do litoral e sertão baiano por meio de cartões postais.
Para quem deseja conhecer aspectos dos hábitos e tradições africanas, uma das opções é o Museu Udo Knoff, localizado na Rua Gregório de Matos, no Pelourinho, que dá destaque à cultura afro por meio da exposição ‘Coroa de Ouro’.
A mostra apresenta turbantes estilizados por Negra Jhô, cabeleireira especializada em penteados afro. Segundo ela, os visitantes também podem participar das oficinas de turbantaria, que ensinam as técnicas utilizadas na confecção dos diferentes tipos de turbantes.
A geógrafa Lívia Fraga, 24 anos, conta que costuma visitar museus, que para ela, são locais ideais para os interessados em somar conhecimento. “O interesse pelos museus tem muito a ver com a minha profissão”, disse Lívia.
Ela informou que é professora e diz que aprofundar o conhecimento sobre a cidade e sua cultura lhe ajuda a preparar aulas mais interessantes para os alunos. “Independentemente disso, acho que todas as pessoas deveriam conhecer a história de sua cidade, visitar mais os museus, que oferecem muitas informações e curiosidades”, afirmou.
Lembranças da Bahia
Quem vem a Salvador não se limita a conhecer as tradições históricas, arquitetônica e gastronômicas da cidade. Comprar as características ‘lembranças da Bahia’ estão entre as opções preferidas do visitante do Pelourinho. Nas dezenas de lojas espalhadas por praças e ruas do Centro Histórico é possível encontrar objetos do rico artesanato baiano, além de pintura, roupas de praias, instrumentos musicais, como berimbau e até jóias.
De acordo com a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Arany Santana, o Governo da Bahia tem promovido e apoiado vários eventos nas praças e largos do Centro Histórico, com o intuito de dinamizar e intensificar a visitação da área e, principalmente, revitalizar Pelourinho. São realizados shows, espetáculos e manifestações culturais, além de programação cultural para incentivar as visitas aos museus e igrejas do local.
“Essa diversificação de eventos é importante porque, além de atrair os turistas, também estimula os baianos a visitarem o Pelourinho. Durante todo período do verão quem vier ao Centro Histórico vai encontrar muitas atividades e uma programação especial”, enfatizou Arany. A exemplo da programação, a segurança pública também tem sido uma das principais ações do governo no Centro Histórico de Salvador.
De acordo com o comandante da 18º Batalhão da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão, cerca de 50 policiais, por turno, estão garantindo a segurança permanente da Praça Castro Alves até o Carmo, área de maior movimento no centro antigo da capital baiana. Para reforçar a ação policial, 14 câmeras monitoram todas as entradas e saídas do Pelourinho.