A implantação de 16 cozinhas comunitárias pelo Governo do Estado no território Piemonte da Diamantina tem mudado a realidade de centenas de mulheres e de suas famílias. Nessas pequenas agroindústrias, agricultoras familiares produzem derivados de mandioca, produtos da avicultura e alimentos preparados com frutas, verduras e hortaliças. A produção é comercializada nas próprias comunidades, em supermercados, feiras livres e também por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Os empreendimentos foram viabilizados pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), e trouxeram novas perspectivas de futuro para essas agricultoras.
Doralice Alves mora na comunidade quilombola de Várzea Queimada, no município de Caém, e integra o Grupo Produtivo de Mulheres Delícias da Tia Likinha. Mãe solo, ela sustenta a casa e as duas filhas com a venda de avoadores, beijus, pães e sequilhos produzidos na cozinha comunitária.
“Com esse dinheiro, este ano eu pude comprar material escolar de mais qualidade para minhas filhas. Comprei até uma moto, agora saio para os lugares que quero e participo das coisas! Meu plano é comprar um carro para termos mais conforto, porque minhas filhas merecem e eu também”, afirma.
Além da cozinha comunitária, o quilombo de Várzea Queimada também conquistou uma Agroindústria de Processamento da Mandioca, onde é produzida farinha e extraída a fécula utilizada nas receitas das mulheres.
“Depois da chegada da unidade e da cozinha comunitária, mudou tudo aqui no quilombo. A gente quer avançar e melhorar ainda mais nossas condições de vida. Eu mesma adquiri muitas coisas e recentemente comprei um celular novo! Sem falar na minha autoestima, hoje sou outra mulher”, ressalta Janailde de Jesus.
A comunidade de Várzea Dantas, também localizada em Caém, recebeu uma das cozinhas comunitárias e a produção do grupo Delícias do Sertão segue em pleno funcionamento. As mulheres ampliaram suas rendas e conquistaram mais autonomia.
“Eu conquistei minha independência financeira. Hoje contribuo com meu marido no pagamento das contas de casa e já estou planejando o enxoval do meu primeiro filho, que será comprado com os recursos da cozinha. Deus é bom. Ele nos deu essa cozinha e hoje podemos levantar a bandeira e dizer: ‘nós, mulheres da comunidade de Várzea Dantas, temos nossa independência financeira’”, comemora Lindaci Bispo.
Além da construção das cozinhas, os investimentos do Governo do Estado incluíram a aquisição de equipamentos e utensílios, capacitações, desenvolvimento da identidade visual dos grupos produtivos e serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), fortalecendo a organização produtiva das comunidades.