Policiais militares do Batalhão de Polícia de Choque da Polícia Militar da Bahia participaram, nesta terça-feira (25), de uma instrução prática para formação de novos condutores de cães especializados na busca de pessoas por odor específico. A capacitação prepara os policiais para atuar na localização de pessoas desaparecidas ou de possíveis criminosos e integra a Instrução de Atualização de Conhecimentos (IAC) da unidade.
Ao todo, 35 policiais militares participam da formação, que inclui atualização de procedimentos de manejo dos cães, conhecimentos administrativos relacionados a medicamentos e, principalmente, técnicas de busca por odor específico, conhecida como Mantrailing. Para esse trabalho, são utilizados cães da raça Bloodhound, reconhecidos pela capacidade de identificar e seguir o odor individual de uma pessoa.
Na prática, a técnica pode ser empregada tanto na localização de pessoas desaparecidas, incluindo casos de pessoas com Alzheimer, quanto em ações policiais para localizar indivíduos que estejam foragidos. A partir de uma peça de roupa, de um objeto com o odor da pessoa ou de informações sobre o último local onde ela foi vista, os cães são orientados a identificar e seguir o rastro deixado pelo indivíduo.
O Capitão Lissandro, comandante da Companhia de Operações com Cães do Batalhão de Polícia de Choque, explica que a atualização dos procedimentos é fundamental para manter os policiais preparados para diferentes situações. Segundo ele, a capacitação busca formar novos condutores e aperfeiçoar conhecimentos que podem ser empregados nas operações da Polícia Militar.
“A Companhia de Operações com Cães pertence ao orgânico do Comando de Policiamento Especializado em Missões Especiais. Faz parte do nosso mote estar sempre atualizando nossos procedimentos e atualizando nossas técnicas para bem servir à sociedade. Então, essa atividade tem esse objetivo de formar novos condutores para que, surgindo qualquer necessidade, a Polícia Militar esteja em condições plenas de exercer a atividade e obter êxito no seu objetivo final”, afirmou.
Teoria e prática
A parte teórica da instrução abordou conhecimentos sobre como o odor humano se dissipa e as características que permitem aos cães identificar o cheiro individual de cada pessoa. Já na atividade prática, os policiais acompanharam de perto a aplicação desse conhecimento em uma simulação de busca por odor específico.
Na dinâmica, o soldado PM Brasil participou como figurante e ficou escondido entre arbustos para reproduzir uma situação de localização. Conduzida pelos policiais, a cadela Fiona identificou o rastro e encontrou o militar, demonstrando, na prática, como o treinamento dos cães e dos condutores atua de forma integrada.
Segundo o soldado, a experiência reforçou a importância de aliar o conhecimento teórico ao treinamento em campo. Para ele, a atividade também evidencia uma capacidade dos cães que vai além do que os sentidos humanos conseguem perceber.
“A gente vai, a cada segundo, dissipando cerca de cinco milhões de células. E aí o cão vai percebendo essa dissipação, vai encontrando esse odor no caminho que é trilhado pelas pessoas. Então, para a gente, ter esse alinhamento de conteúdo teórico e prático é sempre muito importante”, explicou.
Repórter: Matheus Calmon/GOVBA