A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) realizou, nesta quinta-feira (17), uma visita técnica à Ilha de Itaparica para avaliar, em campo, as condições relacionadas à ocorrência de espécies exóticas invasoras no ambiente marinho. A atividade também buscou ampliar o diálogo entre instituições e discutir estratégias de enfrentamento e gestão da bioinvasão marinha no estado.
Durante o dia, as equipes visitaram duas áreas de ocorrência de espécies exóticas invasoras no município de Itaparica. Pela manhã, a atividade foi realizada no Píer do Vapor, nas proximidades do Forte de Itaparica, onde foi verificada a ocorrência do coral-mole (Chromonephthea braziliensis).
Para a oceanógrafa e coordenadora do Gerenciamento Costeiro da Sema, Mariana Fontoura, a visita contribui para o alinhamento entre as instituições e para o aprimoramento das estratégias de prevenção e manejo das espécies exóticas invasoras.
“Um dos objetivos é identificar, a partir dessa experiência, caminhos para aprimorar a atuação na Bahia e fortalecer a integração entre as instituições. Também queremos ampliar o diálogo com as comunidades, que têm um papel muito importante no monitoramento e na identificação de novas ocorrências, além de avançar na construção de boas práticas de licenciamento e no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que contribuam para a prevenção e o controle dessas espécies”, destacou.
Presente na visita, a diretora da Diretoria de Regulação (Dirre) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Anapaula Posseti, destacou que o conhecimento adquirido em campo contribui para o aprimoramento dos processos de regulação do Instituto. “Vim aqui hoje para conhecer a situação em campo, trocar experiências e ampliar o conhecimento sobre as espécies bioinvasoras. Essas informações vão contribuir para que a Dirre possa instruir melhor seus processos, solicitar estudos dirigidos, quando necessário, e estabelecer condicionantes mais específicas para o controle e o monitoramento dessas espécies”, afirmou.
O professor de Oceanografia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Igor Cruz, relembrou que a presença do Chromonephthea braziliensis em Itaparica foi identificada em 2023 e destacou a rápida expansão da espécie desde então. Segundo ele, a remoção realizada na região mostrou que as ações de manejo podem contribuir para retardar o avanço do coral, mas precisam ser acompanhadas de monitoramento contínuo. “Em menos de dois anos, a espécie se expandiu muito e passou a ocupar diferentes estruturas, tanto artificiais quanto naturais. A ação de remoção que conseguimos realizar, em parceria com o Governo do Estado, teve um efeito importante e levou um tempo até que o organismo voltasse a aparecer. Mas essa experiência também mostrou que precisamos de ações contínuas, acompanhadas de monitoramento e de um mapeamento cada vez mais preciso da distribuição da espécie. Só assim vamos conseguir entender a dimensão do problema e direcionar melhor as próximas ações de manejo”, explicou.
No período da tarde, a visita foi realizada em uma área próxima ao Instituto Sacatar, no estuário do Rio Amoreiras, onde há ocorrência da chamada medusa invertida (Cassiopea andromeda). A espécie já passou por uma ação de manejo na região, quando cerca de seis toneladas de medusas foram retiradas do local. A nova visita busca acompanhar as condições da área após a intervenção, ampliar o conhecimento sobre a dinâmica da espécie e subsidiar as próximas estratégias de monitoramento e controle.
Identificada inicialmente a partir de registros feitos por moradores da região, a Cassiopea andromeda vem sendo acompanhada pela Sema em parceria com pesquisadores da UFBA, com atenção à sua capacidade de reprodução e permanência no ambiente.
Presente na atividade, a analista ministerial Lindiane Lima, da Central de Apoio Técnico do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), destacou a importância da atuação integrada entre as instituições para o enfrentamento da bioinvasão marinha. “Essa visita técnica reúne profissionais de diferentes instituições em torno do desenvolvimento de ações de prevenção e combate à bioinvasão marinha, especialmente do coral-mole. O trabalho conjunto é importante para promover a integração entre os órgãos e alinhar ações que possibilitem respostas mais rápidas diante da expansão da espécie na Baía de Todos-os-Santos”.
A ação reuniu representantes de diferentes instituições que atuam na proteção ambiental e na gestão do território, incluindo o Inema, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), Ministério Público Federal (MPF) e Marinha do Brasil.
Fonte: Ascom/Inema