A Copa do Mundo Feminina de 2027 começa a ganhar forma na Bahia também fora dos estádios. A preparação para o torneio prevê ações para ampliar oportunidades de trabalho, qualificação e empreendedorismo para mulheres em Salvador e no interior. Foi formalizada na Arena Fonte Nova, em Salvador, nesta terça-feira (22), a criação de três novos grupos de trabalho da Coordenação Executiva da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 (GECOPA), sob coordenação da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).
Com a criação das novas frentes, no total, são oito grupos temáticos envolvidos na organização do evento. A capital baiana vai receber sete partidas entre junho e julho do próximo ano. As novas equipes vão cuidar de três áreas: Questões Jurídicas e Fiscais; Turismo, Hospitalidade e Formação; e Empreendedorismo Feminino, Inovação e Economia da Copa. Na prática, o trabalho envolve desde as garantias previstas no Acordo da Cidade-Sede até a preparação dos serviços para receber delegações e visitantes e o fortalecimento de negócios comandados por mulheres.
Para o coordenador técnico da GECOPA, Ney Campello, a criação dos grupos marca uma mudança no ritmo da preparação. O planejamento começa a dar lugar à execução das ações. “Objetivamente, significa que entramos na operação da Copa. Saímos da fase de tratativas para operar o evento, com atividades sempre vinculadas aos requerimentos da FIFA”, destacou.
No grupo jurídico, o foco será a legislação necessária para a realização do torneio e a proteção de marcas. A equipe de turismo vai trabalhar para atrair delegações e visitantes e apresentar a Bahia como destino. Já a frente de empreendedorismo terá como uma das prioridades fortalecer a participação das mulheres na cadeia econômica ligada à Copa, incluindo o artesanato local.
O que fica depois dos jogos
A organização do torneio envolve 15 secretarias estaduais, sob coordenação da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), além da Prefeitura de Salvador e da administração da Arena Fonte Nova. Segundo o titular da Setre, Augusto Vasconcelos, os planos de trabalho das secretarias já foram protocolados e são acompanhados pela FIFA.
“Nosso objetivo é que a Copa do Mundo proporcione um salto para que as mulheres baianas alcancem o topo do pódio, dentro e fora de campo”, afirmou o secretário.
A proposta é aproveitar a movimentação provocada pelo Mundial de Futebol Feminino para enfrentar problemas que não terminam quando acaba uma partida. Estão previstas ações nas periferias e no interior para combater a violência de gênero, incentivar o paradesporto feminino e preparar profissionais para novas oportunidades de trabalho.
Para a coordenadora do núcleo Mais Mulheres no Esporte, da Sudesb, Juliana Camões, a divisão das atividades também ajuda a ampliar a presença feminina em funções de coordenação e execução. Mulheres já participam dessas frentes de trabalho, desde o planejamento até a realização das ações.
A preparação não ficará concentrada em Salvador. Municípios do interior, como Mata de São João e Porto Seguro, poderão receber centros de treinamento durante o torneio. Segundo Camila Lima, da Secretaria das Mulheres do Estado (SPM), a preocupação é fazer com que o movimento de turistas e a circulação de recursos deixem resultados concretos para as trabalhadoras baianas.
“Em 2014, tivemos os legados estruturais. Agora, a prioridade é o legado social: garantir segurança, capacitação e autonomia econômica e pessoal para as mulheres”, pontuou.
Repórter: Juana Castro/GOVBA