Novos cromatógrafos aceleram laudos toxicológicos e reforçam atuação da Polícia Técnica na Bahia

Equipamentos ampliam a capacidade de identificar drogas, medicamentos e venenos em pequenas amostras de sangue e urina
Publicado: 23/09/2026 Última atualização: 05/10/2026 às 09:18
Novos cromatógrafos aceleram laudos toxicológicos e reforçam atuação da Polícia Técnica na Bahia
Foto: Anderson Fonseca/GOVBA

A produção de laudos toxicológicos do Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT) ganhou mais rapidez e precisão com a chegada de três novos cromatógrafos LC-MS/MS ao Laboratório Central, em Salvador. Os equipamentos permitem identificar e quantificar drogas, medicamentos e venenos em pequenas amostras de sangue ou urina e podem reduzir em até 50% o tempo de emissão dos laudos. O investimento foi de cerca de R$ 2,7 milhões e faz parte de um conjunto de mais de R$ 15 milhões aplicados, nos últimos quatro anos, na modernização da estrutura pericial.

Os novos aparelhos se somam a outros 10 equipamentos do mesmo tipo em operação na Bahia. A tecnologia permite realizar análises com apenas 1 ml de material biológico, inclusive em concentrações muito baixas de determinadas substâncias. Na prática, o avanço amplia a capacidade de resposta da perícia em investigações que dependem da identificação de vestígios químicos.

Segundo a perita criminal Letícia Simões, da Coordenação de Toxicologia Forense do DPT, a sensibilidade dos equipamentos é especialmente importante em casos nos quais a quantidade de substância presente no organismo é muito pequena. “O equipamento é capaz de detectar substâncias em quantidades mínimas no sangue, enquanto os aparelhos anteriores exigiam concentrações maiores, trazendo respostas qualificadas para os inquéritos policiais e para a Justiça”, explicou. A integração desses equipamentos no laboratório eleva a Bahia ao nível das tecnologias periciais mais avançadas do país.

A estrutura tecnológica do DPT foi reforçada, nos últimos quatro anos, com equipamentos, sistemas, veículos e recursos destinados à atividade pericial. Entre as aquisições estão um Vídeo Comparador Espectral (VSC), para a Coordenação de Documentoscopia Forense, a atualização do Sistema Integrado de Identificação Balística (IBIS), plataformas digitais e equipamentos voltados ao trabalho de campo.

Na área de genética forense, a Bahia passou a contar com uma nova plataforma automatizada para o processamento de amostras de DNA relacionadas a crimes sexuais. O sistema automatiza etapas que antes eram realizadas manualmente, aumentando a capacidade de processamento e contribuindo para a redução do tempo necessário à realização dos exames.

Adquirida pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) por R$ 2,7 milhões, a plataforma é fabricada na Europa e utilizada atualmente por apenas seis estados brasileiros e pela Polícia Federal. O equipamento amplia a capacidade operacional do Laboratório Central e integra as ações voltadas à produção de provas periciais em investigações de crimes sexuais.

O DPT também incorporou dois scanners tridimensionais Trimble X9, acompanhados de computadores portáteis e acessórios de alta precisão. Com investimento de R$ 1,2 milhões, os equipamentos foram destinados às Coordenadorias Regionais de Juazeiro e Teixeira de Freitas e permitem registrar cenas de crimes e acidentes com altos níveis de precisão. O departamento já conta com outros cinco scanners tridimensionais de ambiente para o trabalho pericial em campo.

Tecnologia aplicada à identificação e à investigação
A eficiência do DPT também avançou nas ações de campo realizadas em parceria com outras forças de segurança. Durante uma fase da Operação Força Total, em agosto deste ano, três equipes de peritos utilizaram um software de identificação civil capaz de capturar dados biométricos e faciais. A ferramenta realiza consultas ao banco de dados do Instituto Pedro Mello, que reúne mais de 12 milhões de registros, permitindo confirmar identidades e verificar pendências judiciais em cerca de 40 segundos.

Na Documentoscopia Forense, um novo Vídeo Comparador Espectral passou a ser utilizado na análise de cédulas, passaportes, documentos de identidade, carteiras de habilitação, contratos e obras de arte. O equipamento trabalha com diferentes espectros de luz, do ultravioleta ao infravermelho, e auxilia na identificação de rasuras, adulterações, emendas e elementos de segurança.

A atualização do Sistema Integrado de Identificação Balística (IBIS) permite a migração do histórico de dados da Bahia para o Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB). A integração amplia o compartilhamento de informações entre as forças de segurança e contribui para a correlação de vestígios relacionados a crimes cometidos com armas de fogo.

Estrutura operacional
A frota do DPT também foi renovada, somando mais de R$ 5 milhões em recursos aplicados. Foram adquiridas oito caminhonetes com proteção balística, destinadas às unidades de Feira de Santana, Irecê, Vitória da Conquista, Barreiras, Juazeiro, Itabuna e Salvador, além de cinco viaturas SUV, incorporadas à estrutura. Para o transporte de corpos, o DPT recebeu ainda três furgões refrigerados. Um será destinado ao Posto Avançado de Ribeira do Pombal e dois ficarão em Salvador.

A modernização inclui ainda 500 coletes balísticos e 500 pistolas Glock calibre .40 S&W, sendo 200 do modelo G22 e 300 do modelo G23. Também foram adquiridos 630 microcomputadores para modernizar os postos de trabalho do departamento. Ao todo, cerca de R$ 4 milhões foram aplicados nos equipamentos.

A nova sede do DPT, que está em construção na Avenida Centenário, no Complexo Doutora Maria Thereza de Medeiros Pacheco, em Salvador, é outro importante investimento. Com custo estimado de R$ 142,6 milhões, o espaço reunirá o Instituto Médico Legal (IML), o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) e o Laboratório Central de Polícia Técnica (LCPT).

Repórter: Dandara Amorim/GOVBA

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