Especialistas de cinco Unidades Regionais (URs) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) participaram de uma oficina de treinamento sobre o Monitor de Secas, realizada nesta quarta (30) e quinta-feira (1º), na sede do Instituto, em Salvador. A atividade reuniu profissionais envolvidos na análise das informações que servem de base para a elaboração dos mapas mensais de acompanhamento da seca na Bahia e no Brasil.
A programação inclui exercícios e discussões sobre estatística aplicada ao monitoramento, uso de indicadores e ferramentas de apoio no projeto QGIS, revisão de mapas publicados, traçado e síntese de informações, além da aplicação de inteligência artificial na análise de formulários de validação. A proposta é aperfeiçoar as diferentes etapas do trabalho e ampliar a integração entre os profissionais envolvidos no processo.
A atividade reuniu profissionais de diferentes regiões da Bahia, com participação de servidores das URs Sertão do São Francisco (Juazeiro), Sul (Itabuna), Extremo Sul (Eunápolis) e Portal do Sertão (Feira de Santana). A capacitação é ministrada especialista em meio ambiente e recursos hídricos Márcio Augusto Silva Gonçalves, da UR Sudoeste (Vitória da Conquista), ampliando a troca de experiências entre equipes que atuam em diferentes áreas do estado e participam do monitoramento das condições de seca.
Para o coordenador de Estudo do Clima e Projetos Especiais do Inema, Aldirio Almeida, a oficina representa um espaço de troca de experiências e aprimoramento dos procedimentos utilizados na elaboração dos mapas. Segundo ele, o intercâmbio técnico também contribui para manter a consistência do monitoramento e representar de forma cada vez mais adequada a evolução da seca na Bahia.
“Essa é uma oportunidade de aprimorar procedimentos e compartilhar experiências com as demais equipes que atuam no Monitor de Secas. Aproveitamos esse momento para revisar metodologias, discutir os critérios utilizados na elaboração dos mapas e conhecer novas ferramentas que podem contribuir para a análise e validação das informações”, disse.
Como o Monitor acompanha a seca?
Criado em 2014, o Monitor de Secas é uma ferramenta desenvolvida com a participação de instituições federais e estaduais para acompanhar regularmente a situação do fenômeno no país. O resultado desse trabalho é consolidado em um mapa mensal, que mostra a condição de seca registrada no mês anterior e identifica também as áreas que ficaram livres do fenômeno.
O trabalho reúne dados e conhecimentos produzidos por diferentes instituições, permitindo construir uma leitura integrada sobre a situação da seca, seus impactos e sua evolução. As informações também subsidiam ações de monitoramento, previsão e alerta precoce.
A Bahia participa do Monitor de Secas desde a fase inicial de desenvolvimento da iniciativa. O Inema integra a rede de instituições estaduais que fornecem informações e participam da validação dos mapas. A articulação entre diferentes estados e áreas de conhecimento permite combinar dados meteorológicos, hidrológicos e relacionados à agricultura, entre outras informações utilizadas na avaliação das condições de seca.
Nos mapas, a situação é classificada em diferentes níveis de severidade, que vão de seca fraca a excepcional. A metodologia também considera os impactos em diferentes escalas de tempo, permitindo identificar situações de curto e de longo prazo.
Situação da seca na Bahia
Os dados do Monitor referentes ao mês de agosto apontam agravamento da situação de seca em diferentes áreas da Bahia. As chuvas abaixo da média registradas nos últimos meses contribuíram para a passagem da seca moderada para grave no centro-oeste e no norte do estado.
Também houve avanço da seca fraca no leste e da seca moderada no nordeste e no sul da Bahia. No leste, os impactos identificados são de curto prazo. Nas demais áreas, a classificação considera impactos de curto e longo prazo. O cenário da Bahia acompanha uma piora observada em quase toda a Região Nordeste no período. A situação de seca também se agravou no oeste de Pernambuco e no extremo leste do Piauí, com áreas passando da categoria moderada para grave.
O acompanhamento mensal permite identificar o surgimento, o avanço, o recuo ou o desaparecimento da seca em diferentes regiões. A atualização dos mapas é feita a partir da análise conjunta de indicadores e informações produzidas pelas instituições participantes, permitindo acompanhar a evolução do fenômeno ao longo do tempo e do território.