COP 30: Inema apresenta evolução do painel de Monitor de Seca na última década

18/11/2025
COP 30: Inema apresenta evolução do painel de Monitor de Seca na última década
Ascom Sema | Inema

A seca, fenômeno recorrente e cíclico registrado no Brasil desde o século XVI, exige estratégias contínuas de prevenção, preparação e mitigação de impactos. O Monitor de Secas, criado em 2014 inicialmente para o Nordeste, tornou-se uma ferramenta fundamental para apoiar decisões e fortalecer políticas públicas em todo o país.

Durante a manhã desta terça-feira (18), na COP 30, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) participou do debate que destacou a evolução técnico-científica do Monitor e sua contribuição para aprimorar diagnósticos, orientar gestores e ampliar a capacidade de adaptação climática dos municípios mais vulneráveis ao longo da última década. A ferramenta tem desempenhado papel essencial na compreensão, antecipação e resposta aos impactos da seca, especialmente no Nordeste.

A evolução do Monitor de Secas está diretamente relacionada à intensa troca de informações entre instituições, pesquisadores e estados. O processo de construção do painel depende de consenso técnico, validação conjunta e colaboração contínua. Na Bahia, essa articulação fortaleceu a integração entre órgãos, aumentou a precisão das análises e ampliou o entendimento dos impactos da seca no território, resultando em um monitoramento mais robusto e alinhado às realidades regionais.

Segundo Aldírio Almeida, coordenador de Estudos do Clima e Projetos Especiais do Inema, o Monitor busca retratar com a máxima fidelidade possível a condição atual da seca, construindo também um acervo histórico valioso.
“Antes a gente trabalhava muito dentro das nossas caixinhas. Eu fazia Bahia pensando na seca da Bahia, mas hoje podemos utilizar o retrato de Minas Gerais lá na divisa, o do Espírito Santo no extremo sul, buscando uma leitura mais fiel daquela condição atual. E imagine quando tivermos um banco com registros de vários anos, com mapas validados e que passaram por várias mãos, isso fará toda a diferença”, destacou.

Aldírio ressaltou ainda que o Monitor não faz previsão climática, mas oferece um diagnóstico robusto, essencial para identificar com antecedência o início da seca e orientar ações mais proativas.
“O Monitor de Secas não é uma previsão, mas um diagnóstico muito eficiente. Quando entramos em um período de seca, é difícil identificar rapidamente. Muitas vezes reagimos mais do que nos antecipamos. O Monitor pode indicar o início dessa condição e permitir decisões mais assertivas”, explicou.

Ele também apresentou o conceito de seca relativa, que considera as particularidades climáticas de cada região.
“Estamos em Belém, que chove 3.000 milímetros por ano, a capital com maior pluviometria do país. Se chover 1.500 milímetros, já teremos problemas, é um déficit de 50%. Já no Sertão da Bahia, a média anual é em torno de 600 milímetros. Então, dentro do Monitor, trabalhamos com a seca relativa, analisando o que é considerado ‘médio’ para cada local e estimando os impactos a partir dessa referência”, concluiu

Fonte
Yandra Barros
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