Pensando no futuro da população baiana, o Governo do Estado, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), realizou a maior e mais diversa Conferência Estadual de CT&I do Brasil, contando com mais de três mil participantes dos segmentos da sociedade civil, setor produtivo, academia e governo. Com o tema “Por uma Bahia Mais Inovadora”, as plenárias passaram pelos territórios de identidade, debatendo propostas e elegendo representantes para a etapa estadual. O documento gerado na conferência contém mais de 1.000 propostas que orientam a formulação da nova política estadual de CT&I, além de contribuir com a estratégia nacional.

As novas diretrizes da Bahia serão validadas pelo Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Conciteci). O conselho foi instituído e empossado no início do ano, passo fundamental para a implementação do marco legal de CT&I regulamentado em outubro de 2023, garantindo uma modelagem institucional adequada e governança para todo o ecossistema, integrando governo, academia, setor produtivo e sociedade civil.
A montagem da Agência de Desenvolvimento da CT&I arrematou a modelagem institucional do sistema de ciência, tecnologia e inovação do Estado. Contando com o Observatório de Políticas Públicas, que agrega os dados referentes à produção científica e infraestrutura de pesquisa da Bahia, e o Escritório de Projetos, que auxilia pesquisadores, startups e empresários na elaboração de projetos de captação de recursos de fomento à inovação, a agência tem a missão de colocar em prática o Plano Estratégico de CT&I do Estado.
Com os objetivos de democratizar o acesso à internet, promover a inclusão digital e a redução das desigualdades sociais, o Conecta Bahia 2 vai priorizar povos originários e comunidades tradicionais, garantindo ao cidadão acesso gratuito à internet em diversos espaços públicos. Enquanto a primeira etapa do programa instalou 375 pontos de conexão em mais de 180 municípios, a segunda tem potencial para implementar até 1.500 novos pontos de internet gratuita por toda a Bahia.

Mas é o conteúdo agregado ao Conecta Bahia que mais agrada ao cidadão, que passa a poder acessar serviços do governo, através do ba.gov.br, capacitar-se com os cursos gratuitos do Programaê, disponíveis no site da Secti, além de empreender, estudar, fazer uma teleconsulta, comunicar-se com amigos e familiares no Brasil ou no exterior, dentre outras possibilidades.

Outra importante ação da Secti, em parceria com a Secretaria da Educação (SEC), é o fortalecimento da popularização da ciência e da educação científica em todo o estado. A Lei PopCiência Bahia, enviada à Assembleia Legislativa, busca ampliar o acesso ao conhecimento científico, promovendo inclusão social e incentivando feiras de ciências e formação profissional em todos os territórios de identidade.
Já a regulamentação da Educação Científica curricular, pelo Conselho Estadual de Educação, causa uma revolução no ensino. O modelo baseado em desafios estimula o estudante a pensar sobre um problema, aprender a pesquisar, construir seu próprio conhecimento e propor soluções inovadoras, deixando de ser apenas um receptor de conteúdo pronto. Neste novo modelo, uma trilha da inovação será apresentada aos alunos, acompanhada da oferta de bolsas de iniciação científica e de iniciação tecnológica. A trilha proporciona desde a cultura da propriedade intelectual, a incubação de ideias e a aceleração dos projetos maduros, até investimentos do fundo Inovatec naquelas inovações com potencial de mercado.
Ainda com foco na juventude, a Secti entregou o Espaço Fazer de Camaçari, maior laboratório maker público do Norte Nordeste. O equipamento, que conta com 20 impressoras 3D, 4 scanners 3D, 4 máquinas CNC Laser, 42 notebooks, 30 kits de robótica, 48 canetas 3D e 40 kits Arduino, estimula a inovação nas áreas de marcenaria, eletrônica, robótica e fabricação digital. O ambiente tem o poder de multiplicar conhecimento, permitindo a formação de professores da rede estadual para trabalharem nos 270 laboratórios deste tipo que serão implantados nas escolas, sendo 180 com recursos captados junto ao Governo Federal e mais 90 financiados pelo Governo do Estado, sempre em parceria com ICTs públicas como a Fiocruz, UNEB e IFBA.

A implantação de novos equipamentos e laboratórios no Parque Tecnológico da Bahia, além da requalificação do prédio-sede, o Tecnocentro, aproximaram o setor produtivo da universidade pública visando o desenvolvimento de pesquisas. Em 2024, foram investidos recursos na ordem de R$ 25 milhões para alavancar o ecossistema de inovação da Bahia, consolidando e ampliando a base de 56 empreendimentos instalados que obtiveram sucesso em 2024, com as startups Infleet, Hiperbanco e Trackfy, responsáveis pela captação de mais de R$ 11 milhões em investimentos privados.
No Tecnocentro, estão sendo implantados 12 novos espaços privativos mobiliados e climatizados, contando com fornecimento de energia e acesso à internet. O objetivo é atender startups e promover a interação entre elas, criando um ambiente de troca e conexões. Já a Estação Maker, também em fase de implantação, contará com moderno estúdio para criação de conteúdos audiovisuais, com foco na cultura maker, e disponibilidade de área gamer.
Passo histórico para o avanço da ciência e tecnologia na área da saúde, o novo edifício do LabParque Biotec abrigará o primeiro projeto do Complexo Científico para a Produção em Saúde: o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Medicamentos da Bahiafarma (CPDIM-Bahiafarma). Com área de 1,6 mil metros quadrados, o CPDIM será estruturado em três eixos principais: um laboratório de pesquisa em medicamentos sintéticos, um laboratório analítico para testes avançados e um centro de formação para capacitação na área farmacêutica.
A iniciativa conta com parcerias estratégicas, incluindo a Fiocruz Bahia, universidades baianas como a UFBA, UNEB, UFRB, UEFS e UNIVASF, além de tratativas avançadas com o IFBA e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. No cenário internacional, cooperações com instituições da Alemanha e Estados Unidos estão sendo negociadas para transferências tecnológicas que irão potencializar as pesquisas. Entre os destaques está a prospecção de moléculas terapêuticas a partir de plantas da Caatinga e do Cerrado baiano, em sinergia com o Programa de Desenvolvimento da Bioeconomia do Estado.
Outro destaque vinculado ao Complexo Científico para a Produção em Saúde é a pesquisa do Grupo de Estudos em Atenção Primária à Saúde e seus Efeitos na Saúde da População, do Cidacs/Fiocruz, que desenvolve um projeto financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates com a finalidade de analisar as contribuições dos componentes da APS e seus mecanismos para a redução da mortalidade em crianças menores de cinco anos no Brasil.
O Parque Tecnológico da Bahia também contará com o novo Hub de Inovação em Saneamento, iniciativa pioneira voltada para a criação de soluções tecnológicas de infraestrutura sanitária para comunidades desconectadas das redes públicas de saneamento básico. O hub já atraiu empresas de destaque nacional e internacional, como a alemã 3P Technik, a sueca Plastinject, a italiana Stormwater, a polonesa Ecol Unicon, a portuguesa LN Águas, além das brasileiras Fortlev e a startup baiana SDW. Essas empresas trarão tecnologias avançadas, incluindo sistemas de captação de águas pluviais, reservatórios subterrâneos e purificação de água por luz solar, como o inovador Aqualuz, desenvolvido pela SDW. O Hub de Inovação em Saneamento reforça o papel da Bahia como protagonista no desenvolvimento de tecnologias para o semiárido, integrando inovação, sustentabilidade e impacto social.
No espaço estendido do Parque Tecnológico da Ribeira será implantado Hub da Economia do Mar. O Cluster Tecnológico Naval da Bahia, liderado pela CODEBA e pela Marinha do Brasil, assumirá a gestão do espaço, que está pronto para ocupação e já tem protocolos assinados com quatro grupos de pesquisa de ICTs públicas, o IF Bahiano, UFBA, UFRB e UNEB.
A Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) destinou cerca de R$ 148,3 milhões para fomentar ciência, tecnologia e inovação no estado em 2024. Esses recursos englobam editais voltados para popularização da ciência, inclusão social e financiamento de bolsas acadêmicas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
O destaque é o Incite 2, que promove redes de cooperação científica e tecnológica, interinstitucional e interdisciplinar, além da interação com a indústria. Com o aporte de R$ 43 milhões, maior investimento da história da Fapesb, o edital apoiará a criação de 21 novos Institutos de Ciência e Tecnologia (Incite), posicionando a Bahia de forma diferenciada no Sistema Regional e Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
As redes de pesquisa, que contam com o mínimo de quatro ICTs, trabalharão temas estratégicos para o Estado, alinhadas com os clusters, hubs de inovação e complexos industriais organizados pela Agência de Desenvolvimento de CT&I do Estado. A iniciativa fortalece arranjos, como o Complexo Científico para a Produção em Saúde, o Hub de Inovação em Saneamento, o Cluster Tecnológico Naval e o Hub da Bioeconomia, presentes no Parque Tecnológico da Bahia.
Ainda em consonância com a política do governo, a Fapesb lançou editais destinando R$ 28,9 milhões para apoiar políticas de inclusão social, como, por exemplo, o edital Inventiva 2, que visa fomentar o empreendedorismo das mulheres; o Edital Azeviche, voltado para o empreendedorismo dos povos e comunidades tradicionais; e os três editais lançados do Programa Ciência na Mesa, para fomento à inovação na Agricultura Familiar, a formação de empreendimentos sociais e para pesquisa com água para consumo humano e animal.
Expandindo a política de bolsas acadêmicas, fortalecida com o reajuste concedido em 2023, a Fapesb aumentou em 15% a quantidade de bolsas disponíveis em 2024, destinando R$ 58 milhões para iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, o que consolida o compromisso do Governo do Estado com a pesquisa acadêmica, a ciência, a tecnologia e a inovação na Bahia.
