Sonhos de quem sabe que o esporte abraça a todos
Não há um caminho único para o sucesso. Seja com piruetas, gols, remadas ou ippons, o esporte possibilita vários caminhos para quem o procura. É o caso do lutador de parajiujitsu com síndrome de down, Álvaro Borges, 27 anos, de Salvador. Alvinho, como é conhecido, treinou natação, capoeira, futebol e boxe até se encontrar nos tatames.
A mãe, Lívia Borges, comemora pelo filho. “A gente fica muito feliz que Álvaro tenha se encontrado no esporte. Na sociedade capacitista que a gente vive, as oportunidades para as pessoas com deficiência intelectual acabam sendo mais reduzidas. Hoje, a gente vê nosso filho fazendo o que ele ama de forma tão prazerosa e buscando esse caminho profissional, nos alegra bastante”, conta Lívia.
Alvinho já está no sexto semestre de Educação Física e quer ser professor de academia quando se formar. Enquanto isso, ele já realizou o sonho de fazer uma luta de apresentação com o lutador de UFC, Malhadinho, e nutre o desejo de competir fora do país. “O esporte, para mim, é um ato de referência. Aprendi isso durante a infância, quando comecei a treinar duro, e essa experiência do esporte salva vidas”, comenta Alvinho.
Nunca imaginei que seria campeã -Outro exemplo é Lorrane Santos, promessa da canoagem baiana de Ubatã. “Nunca imaginei ser campeã. Fui treinando e os resultados vieram”, afirma a jovem. Lorrane, de origem humilde, começou na modalidade aos oito anos por influência das irmãs, mas sem muitas expectativas. Desde então, vem transformando sua vida e a de sua família. Atualmente com 14 anos, a atleta já foi 20 vezes campeã baiana, oito vezes campeã brasileira, possui três medalhas de ouro no sul-americano e conquistou um ouro e uma prata no Olympic Hopes – o mundial das categorias de base.
Treinada inicialmente por Caique Brito, que também foi técnico de Isaquias Queiroz, medalhista olímpico Rio 2016, Japão 2020 e Paris 2024, hoje ela está na Seleção Brasileira de Canoagem e é treinada por Figueroa Conceição. “Tenho 27 anos de trabalho com a base, Lorrane é uma atleta que tem um talento muito grande. Se continuar focada e disciplinada, tem grandes possibilidades de chegar a futuros pódios olímpicos”, afirma Figueroa.
Para Lorrane, o esporte é uma oportunidade de encontrar novos caminhos em sua jornada. “Pelo esporte conheci outros países, novos amigos e pessoas. Ele me fez chegar ao primeiro salário, eu posso ajudar minha família, que é o que eu mais amo no mundo”. No estado, milhares de jovens superam os obstáculos físicos, sociais ou intelectuais e alcançam sonhos e resultados, como Alvinho e Lorrane. Para isso, contam com o apoio dos projetos Bolsa Esporte, FazAtleta e do programa de concessão de passagens da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). “A Sudesb foi importante porque me deu apoio no início, e cheguei à seleção por essa ajuda”, finaliza Lorrane.