Raí dos Santos, um homem trans que vence com arte, educação e programas sociais

Homem trans, preto, favelado, modelo, beneficiário de Programas do Governo do Estado e politicamente engajado com o movimento estudantil, artes e cultura. Assim podemos definir Raí dos Santos Borges. Aos 23 anos, o jovem sonha com a graduação de Letras, mas até lá segue driblando as adversidades com a ajuda do Bolsa Presença.

Conciliar o ensino médio com cursos e estágios sempre foi um desafio.Morador da Boca do Rio, Raí divide o imóvel com a avó, a tia, uma irmã de 9 anos e um bebê de poucos meses de vida. Com dificuldades financeiras, o jovem precisou escolher entre ajudar em casaou investir nos estudos. “Eu sempre estudei em Colégio Público. Eu tive algumas complicações com depressão e ansiedade durante a pandemia e acabei largando o Ensino Médio, mas atualmente estou fazendo tratamento devido a descoberta também do TDAH. Tudo isso afetou minha permanência na sala de aula. Eu ficava ansioso, pois sabia que precisava trabalhar para ajudar em casa”, contou.

Sobreviver com o salário mínimo da avó aposentada já não era uma tarefa fácil diante das dificuldades. Trabalhar com artes, poesias e modelagem não era suficiente para o jovem baiano.“Quando a gente está com fome, a gente não consegue fazer nada. E eu estou falando sobre o básico mesmo”, disse.

Com o benefício do Bolsa Presença, oferecido pelo Governo do Estado, Raí viu sua vida começar a se transformar e finalmente conseguiu a tão esperada segurança financeira para prosseguir com os estudos. “Eu estava procurando alguma forma de conseguir ajudar minha família e me alimentar. Só que quando eu saía do colégio eu precisava voltar direto pra casa para ficar com minha avó, porque minha tia ainda trabalhava na rua. Quando passei a receber o Bolsa Presença e o Pé de Meia eu pude, de alguma forma, ajudar nas compras de casa, comprar um celular e também a pagar a internet de casa”, lembra.

Segundo informações da Secretaria de Educação, o Bolsa Presença garante a segurança alimentar para 368 mil famílias em condições de vulnerabilidade econômica e a permanência de 414 mil estudantes das escolas da rede estadual de ensino. Cada família de estudante habilitado para o programa recebe R$ 150 por mês, durante o ano letivo, acrescidos de R$ 50 por aluno, a partir do segundo aluno matriculado. 

Morador de um imóvel ocupado por pessoas que menstruam, Raí também destacou a importância de receber absorventes gratuitos, através do Programa de Proteção e Promoção da Saúde e Dignidade Menstrual. Na Bahia 1.196 farmácias populares, cadastradas no Programa e espalhadas em 339 municípios do estado, fazem a distribuição gratuita para a população vulnerável. “Ajuda bastante no final do mês”, garante.

O Bolsa Presença também ajuda Raí em tratamentos de saúde. Com dermatite agressiva, ele precisa usar sabonetes e cremes específicos, que só foram possíveis de serem comprados após tornar-se um beneficiário do Programa Estadual. O mesmo acontece com as medicações que toma após o início da transição. Sinônimo de superação, luta e coragem, Raí ressalta a importância dos Programas Estaduais na vida dos jovens baianos. “Precisamos cada vez de jovens com oportunidades, empreendedores e seguros. Não tenho dúvida de que estes Programas transformam vidas, nos permitem sonhar e traçar nossos futuros”, finalizou.