Bahiater

Cacau e prosperidade no caminho dos irmãos Vilas Boas

Os irmãos José Alberto, 56 anos, e Davi Vilas Boas, 47, nasceram na zona rural de Igrapiúna, município do Baixo Sul baiano. Filhos de Vanderlei e Rosa Maria, aprenderem cedo a pescar, mas, já adultos, migraram para o trabalho como seringueiros na extração de borracha para uma multinacional fabricante de pneus. Encontraram amarguras em meio à atividade no seringal, mas hoje estão, lado a lado, em uma nova realidade que leva doçura à vida de muita gente.

Caminhos parecidos marcam a trajetória dos irmãos. José Alberto trabalhou por cinco anos como seringueiro. Davi esteve na mesma condição, mas ficou na atividade pouco mais de um ano. Ambos dividiam as mesmas insatisfações: o preço da borracha era muito instável e o grande esforço tinha pouco retorno em renda. Além disso, os obstáculos para chegar até o seringal dificultavam a permanência no trabalho. Na mudança de rumos, ambos vislumbraram no cultivo do cacau a alternativa para uma nova realidade.

A aposta está valendo à pena. “Fé remove montanhas” e “Dado por Deus” são duas pequenas propriedades, vizinhas, na comunidade de Jenipapo, em Igrapiúna. A primeira é a fazenda de José Alberto, o segundo é o sítio de Davi. O começo nos novos empreendimentos familiares não foi fácil. “A gente plantava sem conhecimento técnico nenhum, somente com a força de vontade”, conta José Alberto, lembrando tempos em que não conseguiam tirar do cultivo o melhor que o solo de Igrapiúna podia lhe oferecer.

Até 2021, a produtividade média dos 4,5 hectares da propriedade de José Alberto não passava das 40 arrobas por hectare. Ao lado, no sítio de Davi, em cada um dos 7 hectares eram produzidos, em média, 37 arrobas de cacau. Aquelas terras podiam oferecer mais e, também em 2021, um encontro dos irmãos com os especialistas da assistência técnica e extensão rural (ATER) do Governo do Estado começou a mudar o cenário daquelas lavouras.

“Nós trabalhávamos com um pouco de recurso e força, mas não tínhamos a técnica. Esse projeto chegou na nossa região e tem dado um incentivo muito grande na questão do manejo. A gente gastava adubo demais, sem ter método e sem análise de solo”, conta Davi, que viu sua produção quase dobrar em 2023 comparada a anos anteriores. Na fazenda de José Alberto o ganho também foi expressivo, chegando a mais de 60 arrobas por hectare plantado.

O cacau se tornou a principal fonte de renda e a vida melhorou para José Alberto e sua família. “A assistência técnica mudou tudo: o conhecimento, a renda, que é a parte boa. A gente melhorou a casa, o carro… Hoje já temos um terreno também na cidade, para gerar mais uma renda”.

O programa Cacau + é uma ação da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), executada pelo Consórcio Público Intermunicipal Ciapra Baixo Sul. Somente este convênio atende 2,4 mil famílias em 13 dos 14 municípios do território.

Os editais de chamamento público da Bahiater, que alcançam dezenas de sistemas produtivos, além do cacau, já somam R$ 676 milhões de investimentos em ATER por toda a Bahia.