A maioridade de Teresa Cataá
Em julho de 2024, uma jovem indígena da etnia Tuxá deixou sua comunidade, em Rodelas, às margens do Rio São Francisco, no norte baiano, para realizar o sonho de cursar medicina, na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Quando Maria Teresa Araújo Cataá, a Teresa Cataá, nasceu, a Bahia também estava começando a dar os primeiros passos para uma grande virada. Em paralelo, a jovem e o estado seguem se desenvolvendo rumo a um futuro ainda mais promissor. Hoje, os dois vivem a beleza de uma maioridade madura e cheia de histórias pra contar.

Com 18 anos de idade, Teresa Cataá carrega consigo a riqueza da cultura Tuxá e a determinação de usar seus conhecimentos para beneficiar seu povo, uma comunidade de, aproximadamente, 400 famílias indígenas. O desejo de ajudar a sua gente tem sido a força necessária para enfrentar os desafios de estar longe de casa, depois de mudar-se para Feira de Santana. “Eu me enxergo formada e voltando para lá para atender a minha comunidade e tentar retribuir de alguma forma todos os ensinamentos e tudo o que eles passaram e fizeram por mim”, afirma, vibrante.
Distante da família, em busca de seus objetivos de vida, Maria Teresa conta com recursos do Programa Mais Futuro, uma das diversas políticas públicas do Governo do Estado que têm como objetivo oferecer suporte ao estudante para que ele não desista de seus sonhos. Somente em 2024, o Mais Futuro já beneficiou cerca de dez mil alunos ativos, com recursos da ordem de R$ 56 milhões. A iniciativa visa promover a permanência e a melhoria do desempenho e desenvolvimento acadêmico de estudantes das universidades estaduais baianas, com bolsas nos valores de R$ 400 e R$ 800, equivalendo, respectivamente, aos perfis Básico e Moradia.
Os ancestrais mais antigos e até mesmo os pais de Teresa não puderam contar com esse tipo de cuidado, quando jovens. Mas ela reconhece e aproveita, com responsabilidade, as oportunidades que lhe são dadas. E, ainda que com muita saudade de casa, segue trilhando seu próprio caminho. Foi assim desde os tempos de escola, quando estudou, do Fundamental ao Ensino Médio, na Escola Estadual Indígena Francisco Rodelas.

“Eu me dedicava na escola. Era um ambiente muito bom, não apenas transmitia conhecimentos pedagógicos, mas também reforçava os valores culturais e o senso de comunidade”, lembra, com carinho. Atualmente, a rede estadual de ensino da Bahia possui 28 colégios indígenas, como o que Maria Teresa estudou, e onde estão matriculados 6.470 alunos.
Nesse mesmo passo, sem retroceder, a Bahia tem uma trajetória bonita pra contar nessa “maioridade”. Em 18 anos de muito chão, literalmente, e trabalho, o estado deu um grande salto em sua infraestrutura, expandido com números impactantes. As distâncias continuam as mesmas, principalmente, para um estado grande como o nosso, com 417 municípios, mas não há como negar que a qualidade e as condições de trafegabilidade, atualmente, nas rodovias baianas, são muito melhores de antes de Teresa nascer.
Entre 2007 e outubro de 2024, em um esforço que envolveu R$ 11 bilhões em investimentos para melhorar o transporte e a conexão entre regiões, mais de 16 mil quilômetros de estradas já foram recuperadas na Bahia.O mesmo progresso é possível constatar na área de geração de empregos. Hoje, estudante de medicina, Teresa conta que mantinha um estilo de vida mais voltado para o ambiente rural, em Rodelas, principal atividade econômica da cidade.
“A maioria das pessoas da minha comunidade tem roça de coco, que vende para outros estados, para São Paulo”, revela. Os recursos obtidos com a atividade circulam na região, em lojas, mercados, gerando emprego e renda. Nem sempre foi assim, mas ao longo dos anos, a Bahia deu um salto importante também nesse quesito. Nos últimos 18 anos, já foram criados cerca de 900 mil postos de trabalho formais, mesmo com o déficit de empregos causado pela pandemia da Covid-19.
Um sonho mais que possível
O sonho da vida de Teresa tem como pano de fundo a vontade de ajudar os seus familiares e amigos com os quais viveu, até aqui, a maior parte do tempo. A medicina é o foco e a certeza de que fará parte da vida de seus futuros pacientes, de forma especial. Hoje, Maria Teresa vive num dos estados brasileiros que mais avança na área da Saúde, e isso começou a se tornar realidade no ano de seu nascimento. Mais um ponto em comum entre Maria Teresa e o Estado da Bahia: acreditar e ir em busca da realização dos seus sonhos.
Nesses 18 anos, a Bahia já soma inauguração de 34 hospitais, maternidades e unidades de tratamento oncológico, em todas as regiões do estado. Além disso, nos últimos sete anos, já soma 26 policlínicas regionais de saúde, que oferecem, gratuitamente, serviços de consultas clínicas especializadas em exames gráficos e de imagem, potencializando o cuidado e atenção à saúde da população de forma humanizada.
Respeito aos povos tradicionais
Em 2022, a Bahia deu novos passos na luta pelo respeito à história e ao patrimônio cultural dos povos tradicionais, com um novo desenho institucional para a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), que passou a ser também uma pasta para cuidar dos Povos e Comunidades Tradicionais, abarcando ainda uma superintendência específica para desenvolver políticas públicas para as comunidades indígenas.
Mas esse olhar de cuidado começou lá em 2006, ano em que Maria Teresa nasceu, e quando a Sepromi foi criada no estado. Primeira no Brasil a tratar de políticas públicas para mulheres, negras e negros, a Sepromi tornou-se um divisor de águas no enfrentamento das desigualdades sociais e raciais no estado da Bahia.
Vivendo o presente, construindo o futuro
A trajetória de Maria Teresa reflete o desenvolvimento e a força da Bahia, tornando-se uma verdadeira inspiração. Para os jovens parentes que compartilham dos mesmos sonhos e aspirações, ela transmite uma mensagem repleta de incentivo e esperança: “Eu diria que, se você tem um sonho, você tem que batalhar, independente das dificuldades no caminho. Você também tem que saber viver e aproveitar o presente e não desistir nunca, sempre ter esperança, porque uma hora vai dar certo”. Assim como Maria Teresa, o Governo da Bahia também carrega um sonho: ver o número de Marias Teresas multiplicado pelos quatro cantos do estado, seja na capital, nas sedes e distritos dos municípios do interior, nas comunidades quilombolas, aldeias e comunidades indígenas. A esperança é que, por meio da Educação, do acesso à saúde e condições ideais de vida, muitos outros jovens possam transformar seus sonhos em realidade e contribuir para a construção de um futuro mais justo e igualitário para todos.