Protagonistas da luta por inclusão e superação
João Marcos, um jovem de 18 anos, residente na zona rural de Araçás, enfrenta desde os 12 anos de idade a perda da visão devido a uma trombose. A deficiência visual o impôs barreiras para, especialmente em seus estudos. Estudante do segundo ano do ensino médio no Colégio Estadual José Vicente Leal, ele, que pretende fazer faculdade de História, dependia da ajuda de outras pessoas para acompanhar o conteúdo das aulas e realizar suas atividades escolares. Mas em 2024, João Marcos recebeu o que ele mesmo chama de “surpresa no valor de um carro”: um óculos OrCamMyEye, tecnologia assistiva que devolveu a ele a autonomia para estudar e interagir com o mundo.
Com o auxílio dos óculos que recebeu da Secretaria da Educação do Estado (SEC), João agora consegue ler suas apostilas, identificar objetos e pessoas, reconhecer dinheiro e o mais importante, ter uma rotina de maior autonomia. O dispositivo, dotado de uma câmera e um sistema de inteligência artificial, lê textos em voz alta e descreve o ambiente para o usuário.



João Marcos, que mora com a mãe e três irmãs, usa os óculos para estudar em casa e na escola, e se sente mais confiante para realizar suas atividades do dia a dia. “Já comecei a ler a Bíblia”, conta o estudante. A mãe de João, Valmira dos Santos, diz que se sente mais segura, agora que o filho está usando o aparelho. “Ele tem estudado mais e eu acho que ele está mais seguro, por usar esses óculos, que avisa logo quem está se aproximando dele”.
Reaprendendo a viver
Geiziane Santos, uma mulher de 39 anos, também trilha caminhos de superação. Em outubro de 2023, teve sua vida transformada por um AVC hemorrágico. A doença deixou sequelas, paralisando o lado esquerdo do seu corpo. Cadeirante, Geiziane precisou se adaptar à nova realidade, reaprendendo a realizar atividades cotidianas. Mas a baiana não se deixou abater e tem encontrado suporte para a adaptação à nova condição. “Eu faço tudo com uma mão só. Todo mundo se espanta”, conta Geiziane, que antes do AVC trabalhava como ambulante e cozinheira.



O Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), compõe a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência do Estado da Bahia, por meio do programa de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria da Saúde do Estado, e tem sido fundamental no processo de recuperação de Geiziane. A unidade lhe forneceu cadeira de rodas e cadeira de banho, além de oferecer tratamento de reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico. “O Cepred é nota 1000”, elogia Geiziane, que frequenta a unidade todas as segundas-feiras há cerca de seis meses.
A fisioterapia tem ajudado Geiziane a fortalecer os músculos e a recuperar movimentos. A fonoaudiologia a auxilia na fala e na memória, enquanto o acompanhamento psicológico oferece suporte para lidar com as emoções e os desafios da reabilitação. “Eu não quero sair de lá tão cedo”, confessa Geiziane, demonstrando gratidão pelo apoio que tem recebido no Cepred.
Apoio campeão
Patrícia Souza, uma servidora pública de 54 anos, é mãe de Laís, uma jovem de 29 anos com Síndrome de Down que se tornou a primeira triatleta com a síndrome na Bahia e no Brasil. Laís, apaixonada por esporte, mantém uma rotina intensa de treinos: natação, ciclismo, corrida, além de musculação e pilates ocupam toda a sua semana. “Meu treino é bem puxado, todo dia”, diz Laís, que treina de manhã e trabalha à tarde em uma farmácia, através de um programa de inclusão da empresa.
A dedicação de Laís ao esporte lhe rendeu a conquista da bolsa atleta, concedida pelo Governo do Estado da Bahia. “E eu recebo dinheiro”, comemora Laís, que utiliza o benefício para “comprar tênis, suplementos, ajeitar a bicicleta e pagar o profissional de natação”.



Patrícia reconhece a importância da bolsa atleta para a trajetória esportiva da filha: “Ajuda sim. Muitas triatletas que precisam praticar esporte também”. A mãe conta que o incentivo financeiro impulsionou ainda mais a dedicação de Laís aos treinos, além de elevar sua autoestima e seu senso de responsabilidade. “Minha mãe, eu tenho que ir porque eu sou bolsista”, afirma Laís, demonstrando orgulho em ser uma atleta reconhecida e apoiada.
Laís já participou de competições em diversas cidades do Brasil, como Maceió, Brasília, Juazeiro, Petrolina, Porto Seguro e várias outras cidades do interior da Bahia. A atleta se sente feliz em “completar todas as provas, ganhar os troféus, medalhas” e “conhecer outras atletas”. Seu objetivo é “superar o impossível”, e quem sabe, no futuro, competir em outros países.
Políticas públicas transformadoras
As histórias de João Marcos, Geiziane e Laís destacam os resultados das políticas inclusivas do Governo da Bahia em 2024, que integram ações de diversas secretarias estaduais. Entre os avanços, estão a criação de 400 vagas em centros especializados em autismo, a construção de 16 novos Centros de Reabilitação no interior, e investimentos de R$ 7,8 milhões em práticas pedagógicas inclusivas. Medidas como o Passe Livre Intermunicipal, atendimento em Libras no SAC e leis garantindo direitos para pessoas com deficiência e autismo reforçam a inclusão social.