Mulheres negras transformam sonhos em realidade e negócios
A empreendedora Silve Elen Braga, 33 anos, cresceu em Cosme de Farias, Salvador, cercada pela criatividade de sua mãe, uma artesã que viu no trabalho manual um caminho para a independência. Desde cedo, ela absorveu os ensinamentos maternos, mas foi somente após se formar em Serviço Social que criou a Negra Sil Acessórios.

A ideia veio da necessidade. “Minha mãe sempre foi uma inspiração, trabalhava como artesã. Depois de sair de um emprego, começou a vender seus produtos em feiras e me incentivou a usar o que tínhamos em casa para criar acessórios. Foi assim que a Negra Sil nasceu, há cinco anos”, lembra Silve Elen.
A trajetória não foi fácil. “Eu investia, mas o retorno não era o esperado. Tinha insegurança para solicitar crédito e não sabia usar as redes sociais de forma eficiente”, conta a e empreendedora. A expansão esbarrava, ainda, na falta de capital. Um empréstimo de R$ 30 mil obtido junto ao CrediAfro foi decisivo para o crescimento do negócio.Ela ampliou a produção e investiu em novos materiais.
“Foi essencial para criar novas coleções. Agora, tenho mais peças para eventos e na loja colaborativa. Invisto em materiais de qualidade, o que reflete na satisfação dos clientes”, celebra. Entre suas criações especiais estão acessórios para religiões de matriz africana, que, segundo ela, “conectam ancestralidade e beleza”.
A linha de crédito CrediAfro, criada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), em parceria com a Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), foi desenvolvida para apoiar exclusivamente o empreendedorismo negro. Com juros de apenas 1% ao mês, a iniciativa já investiu cerca de R$ 2,3 milhões, beneficiando 90 afroempreendedores.
Em um futuro próximo, Silve Elen sonha em consolidar sua marca no mercado e inspirar outras empreendedoras negras. “Mesmo com medo, continue. Aprender e desconstruir fazem parte do processo”, aconselha.



Assim como Silve Elen, Olguinéia Domingos de Santana, 56, superou desafios e se reconectou com suas raízes através do empreendedorismo. No bairro de Pau Miúdo, em Salvador, cresceu entre linhas e agulhas. “Aprendi a costurar com minha mãe, mas não queria seguir esse caminho, até que a vida me mostrou que eu precisava”, conta.
Após se formar em Pedagogia e criar o filho sozinha, Olguinéia apostou em sua própria marca de moda afro-brasileira, a BaaYoo, que significa “felicidade de todos”, em iorubá. “Tive que arregaçar as mangas e cair pra dentro”. Mas a jornada não foi fácil, para a mulher negra e mãe solo. “O que me faz continuar é o amor pelo que faço”, confessa.
A virada veio com a Afrocolab, rede de lojas colaborativas criada pela Sepromi. “A visibilidade proporcionada impulsionou minhas vendas e ampliou meu público. Hoje, recebo ligações de clientes que viram minhas peças na loja e querem encomendar diretamente comigo. A Afrocolab é uma oportunidade única, uma porta aberta para o empreendedorismo negro. Que Xangô e Exu tomem conta desse projeto”, deseja Olguinéia.